06/12/2022

Após passarem por processos de pesquisa na linguagem teatral e orientações de artistas-mediadores,16 artistas, sendo 12 de Salvador e 4 do interior, finalizaram as propostas selecionadas através do edital Laboratórios de Criação Artística Individual em Teatro - LACRI. As apresentações da etapa presencial aconteceram no último domingo (4), no Teatro Castro Alves.
Esta etapa do processo foi dividida em dois grupos mediados por Onisajé e Fábio Vidal, que atuaram na orientação individual das propostas, com o objetivo de acenderem uma faísca para a produção acadêmica, voltada para o Teatro.
Onisajé trabalhou com foco na teoria das pesquisas voltadas para o Oriki de mim, que em Yourubá tem relação com a força dos orixás. A dramaturga, encenadora e fundadora do Núcleo Afro-brasileiro de Alagoinhas (NATA), comentou o seu desejo antigo de participar de um projeto que olhasse a pesquisa em arte e não estivesse focado na obra e sim no processo.

“Foi rápido, porém intenso. Encontrar a diversidade de projetos/pesquisas que mediei é a prova de que a Bahia merecia um edital nesses moldes. Foi muito potente, enriquecedor e instigante. A pesquisa em arte é uma das diversas formas de oxigenar a cena com diálogos, trocas e provocações estéticas, poéticas e éticas. O LACRI nasce com potencial para se firmar e potencializar as pesquisas e inquietações da diversidade cênica do estado da Bahia. É um projeto poderoso”, finalizou.
A artista Bruna Meyer, de Alagoinhas, orientada por Onisajé, escreveu seu processo dramatúrgico e ressaltou que o edital foi importante para descentralizar o fomento e recurso para artistas do interior do estado.
“Eu como artista do interior, trago uma pesquisa sobre mulheres que se auto sabotam em sua arte e o LACRI trouxe a possibilidade de transformar esse auto tema em pesquisa para a arte, além me fazer vista, orientada e potencializada, mostrando que o processo é tão importante quanto o resultado”, falou.
A linguagem teatral e suas vertentes estiveram no foco desses encontros, que passearam por figurinos, cenário, corpo, interpretação, com um olhar voltado para as temáticas afrocentradas.
Fábio Vidal, ator-performer, Mestre em Artes Cênicas (UFBA), trouxe uma linha mais prática, com uma pesquisa voltada para o corpo.
Para ele, "O LACRI chega como um processo muito importante que merece ter continuidade em tempos futuros, por essa possibilidade de articular processos criativos de fazedores de cena de todo o estado. É verdadeiramente um gás para a cena e para todas as pessoas que fazem arte. Eu tive uma troca maravilhosa e estou satisfeito com o resultado", disse.
O artista Rafael Brito (foto) foi seu orientando e apresentou três performances do processo criativo Ebó para o HIV, composto por 7 células performativas. O artista lembrou como o edital surgiu sendo somatória de afirmação de caminho, para ele que vinha pensando há algum tempo como contar a sua história e do seu corpo que convive com HIV desde 2015 e como essas reações do público interferem para a criação do espetáculo.“Com a minha chegada neste momento enquanto pesquisador, iniciando a construção de um solo biográfico que traz a minha história e de outros pares que convivem com o HIV, eu me vejo em outro momento nas artes que me causa muita emoção e expectativas. O edital possibilitou esse encorajamento e também pôde financiar o início deste trabalho, que como outros já foi adiado por falta de dinheiro, além de experimentar parte desse processo criativo, que me diz muito do que eu pretendo fazer através de como as pessoas reagiram ao que lhes propus”, disse.
Como conclusão das atividades propostas no edital, as pesquisadoras e pesquisadores precisam entregar um material que comprove a sua atuação no processo criativo até o dia 12 de dezembro de 2022. Materiais como artigos, diários de bordo, ou até mesmo dissertação.
Em seguida será lançado um catálogo virtual com as informações enviadas pelos artistas-pesquisadores premiados com informações a cerca dos processos de criação artística. No catálogo, haverá também textos dos artistas mediadores, fotos e links dos trabalhos desenvolvidos.
Fotos: Izabella Vaz