Estudantes da Escola de Dança da Funceb vencem concurso de Pagode em Salvador 

18/04/2023
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O pagode sempre foi um ritmo presente na musicalidade brasileira. Datado desde,  pelo menos, o século XIX, mais tarde se tornou sinônimo de qualquer festa. Em Salvador, está muito presente nas comunidades periféricas. Foi com essas referências, associadas às aulas do Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Dança, na Escola de Dança da Funceb, que a Cia Five venceu o concurso de dança Pagodão – quebradeira na cidade, levando o prêmio de R$ 5 mil para casa. 
 
A Cia  Five é formada por Tom Júnior, Filipe Maroto, Paulo Art e Ed Velloso, todos alunos da Escola de Dança da Funceb,  além do diretor Hainner Souza, que também acompanha o calendário de aulas da Escola. O concurso foi transmitido e realizado pela TV Aratu, e contou com nove grupos que apresentaram coreografias livres.  Para Hainner Souza, "essa foi uma possibilidade de valorizar e visibilizar o grupo e o estilo que, por muitas vezes, não tem espaço, pois ainda há preconceito com o pagode, mesmo sendo um estilo tão presente em Salvador”. 

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“Quando surgiu a divulgação do concurso eu estava passando por uma situação difícil, pessoal e financeiramente falando. Reuni os colegas para formarmos a cia e dançarmos o nosso cotidiano, as nossas lutas e batalhas. Aproveitamos técnicas do Curso que os meninos trazem na bagagem e entregamos o nosso melhor”, comenta. 

No Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Dança os estudantes passeiam por uma gama de conteúdos e experiências artístico-pedagógicas em dança, de caráter téorico-prático, perpassando por diferentes modos de estudar dança e desvendando técnicas variadas de movimento , como a capoeira, a dança moderna, o balé clássico, as danças afro-brasileiras, danças populares e dança contemporânea.  

O professor Matheus Ambrozi acompanhou a cia nos bastidores do programa e foi só orgulho ao relatar que “as técnicas desenvolvidas em sala de aula possibilitam que essas pessoas brilhem em outros espaços, transformado as suas histórias. Principalmente se tratando do pagode, que não tem um abraço social, mas é de onde eles são”. 

“São todas demandas e labutas desses alunos sendo mostradas. Ver o processo educacional com a dança traz a certeza de estarmos fazendo o certo. Pois, sem sombra de dúvidas, o contato com as técnicas, estudo e a escola fizeram diferença para o resultado”, disse. 

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Hainner foi só emoção ao lembrar que “a cada etapa vencida a empolgação aumentava e o grupo ficava mais confiante na disputa”. 

“Ali representamos tantas outras pessoas que os nossos bairros têm, trouxemos para a técnica da dança as diversas realidades das comunidades de Salvador. Ver esse trabalho já sendo reconhecido é muito incrível. Após a vitória fomos convidados para a gravação do novo clipe do É o Tchan e pretendemos muito mais visibilidade e oportunidades em todos os espaços dançantes”, finalizou.