28/11/2023

O primeiro dia da 6ª edição do Novembro das Artes Negras da Funceb foi um sucesso! O público pôde dançar, cantar, se emocionar e enaltecer as potências negras artísticas da cidade. O evento começou na segunda-feira (27) e segue até quarta (29) na sede da Funceb – o Solar das Rosas, localizado no Canela, em Salvador.
A programação iniciou com a banda Kalunduh, oriunda de Camaçari, que mesclou em seu repertório sonoridades da Nova MPB com elementos de spoken word (poesia falada), além de influências de reggae, rock, rap e afropop.

Kalunduh
“Para a Kalunduh é um honra muito grande estar aqui no Novembro das Artes Negras da Funceb, somos uma banda que preza muito pela cultura preta, música preta. Então a gente estar aqui é muito representativo pra gente e muito relevante para a nossa carreira. Temos quatro anos de banda, neste ano a gente lançou o nosso primeiro single nas plataformas digitais e tem aberto muitas portas pra gente, e acredito que esta seja uma delas”, contou a vocalista da banda, Lara Nunes.
Em seguida, Udi Santos subiu ao palco apresentando o seu show Preta F#d#, que leva o nome do seu primeiro álbum gravado, recém-lançado neste mês. “Um evento como esse é muito importante, e ter o rap incluso nesse espaço, representado por uma mulher preta, é muito importante, e eu sinto o lugar de representatividade, como uma abertura de caminhos”, destacou a cantora soteropolitana do subúrbio ferroviário de Salvador.

Udi Santos
O próximo a entrar no palco foi Brunno de Jesus com o show EPA REI. “Esse tipo de evento aquece a gente, faz com que a gente pulse mais. Acho que cada ação que é realizada aquece e potencializa os vários níveis de potências pretas da cidade”. Brunno participou da primeira edição do Novembro das Artes Negras, em homenagem à Mestre King, onde apresentou um documentário sobre o Mestre, em 2017.

Brunno de Jesus
“Estou muito feliz agora em poder apresentar o meu show, é um momento muito especial, é um repertório pouco conhecido ainda porque o artista independente enfrenta várias barreiras no mercado, então é uma oportunidade da gente compartilhar esse Axé, um repertório de fala do amor entre Oyá e Xangô, do afeto, do dengo e do amor. É sobre o dengo preto, o amor preto”, destacou o artista.
Samba Convida
Por fim, fechando a noite com uma grande mesa de samba formada por mulheres pretas, houve o Samba Convida, com Gal do Beco, Samba Ohana e Samba de Pretas, que levou o público ao delírio, que mostrou todo o samba o pé no fim da noite de segunda-feira.
Marília Santana, do Samba Ohana, destacou que é uma honra para o grupo participar do Novembro das Artes Negras da Funceb. “É uma vontade antiga da gente fazer uma mesa de samba só de mulheres, precisamos dessa união. É mostrar que tem sim mulher no samba”. Jamaica, percussionista e vocalista do Samba Ohana, disse: “O Samba Ohana pra mim é representatividade, exemplo de força, de garra, o respeito que a gente tem uma pelas outras. O Ohana significa família, família é nunca abandonar, e é isso que a gente representa uma pra outra”.

Samba Convida
“É muito pujante estar com mulheres pretas juntas e unidas, juntar todo mundo e fazer um samba só de mulheres pretas é muito forte, é ancestralidade pura. O samba é essa conexão do agora com o de antes”, disse Maria Fernanda Cardoso, vocalista do Samba de Pretas.
Gal do Beco, decana do encontro, destacou que faz samba o ano inteiro, mas que tem um gosto diferente fazer um samba ao lado de outras mulheres. “Estou com 72 anos e ainda fazendo o meu samba. Elas são todas minhas afilhadas, sou a madrinha do samba. Esse encontro é maravilhoso, o primeiro que participo”, declarou Gal.
Público prestigiou o evento
O público aproveitou a noite de segunda-feira para prestigiar os artistas independentes e as potências negras da cidade. Matheus Pinheiro foi um deles. “Sempre passava aqui na frente mas nunca tinha entrado aqui na Funceb. Então é a primeira vez que eu venho. A escala dos artistas está maravilhosa. Hoje eu vim pra ver o samba mas gostei muito dos artistas que vieram antes, já vou procurar seguir nas redes sociais. É uma boa forma de ter acesso, de conhecer trabalhos novos, é muito bacana.”
Jad Ventura também compareceu para assistir aos shows: “Acho muito importante a Fundação abrir as portas para o público, estar dentro da instituição é importante porque a gente consegue se aproximar das pessoas que trabalham aqui, e acho muito importante que a gente consiga dialogar, mesmo que seja assistindo a atividade, não deixa de haver diálogo. A gente precisa dessa reparação histórica na cultura, nós somos a mão de obra negra e muitas vezes somos invisibilizados. Então a Fundação estar dando essa abertura, essa visibilidade para as pessoas, é muito importante”.
Ila Williane é de Pernambuco, mas mora em Salvador há dois anos, e pela primeira vez participou do Novembro das Artes Negras da Funceb. “Estou achando tudo muito interessante, e espero que prolongue esses eventos que falam da cultura daqui e valorizam ela. Eu sou do agreste pernambucano, então estou vendo quanto o movimento está sendo organizado e está sendo valorizado. Está sendo um momento incrível de sair de casa e ir parar numa praça que está tendo um show incrível, vendo a cultura daqui. Isso é muito importante pra quem vem para cá, mas também para quem é daqui se sentir reconhecido”, declarou Ila.
A 6ª edição do Novembro das Artes Negras da Funceb, instituição vinculada à Secretaria de Cultura do Estado, segue até quarta-feira (29) com programação gratuita e aberta ao público. Confira!
Fotos: Lucas Malkut