01/12/2023

“As Caretas do Mingau” é o título do ensaio premiado na categoria Questões Históricas da 9ª edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado. O ensaio foi produzido pelo fotógrafo Matheus L8, natural de Salvador, e conhecido por retratar a complexidade étnica e estética da Bahia, adotando a história como lente de percepção do mundo.
A série As Caretas do Mingau apresenta a manifestação histórica e cultural que toma as ruas de Saubara na madrugada do 2 de Julho. De um lado, fotografias documentais registram a procissão de mulheres negras vestidas de branco. Do outro, o olhar do artista recria o cenário das matas e trilhas do Recôncavo que as ancestrais delas desbravaram há 200 anos.

As duas linguagens têm em comum o contraste da noite escura com as vestes brancas e a busca do poder que há nos símbolos presentes nesta manifestação histórica, feminina e negra. As mãos que carregam panelas de mingau e o oferecem à população madrugada afora são as mesmas mãos que empunham facões e abrem caminhos na noite escura.
A série também apresenta um ensaio artístico feito horas antes da procissão sair. Nele, Luana Fulô, que iria participar das “Caretas do Mingau”, posa em um contexto dirigido. Nesse momento, a personagem se encontra na roça, em um cenário que remonta as matas e trilhas de Saubara que as mulheres desbravaram.
“Esse Prêmio já é um acontecimento, um divisor de águas na minha carreira. Primeiro porque ele estava sempre no meu horizonte, enquanto fotógrafo, por ser um prêmio nacional, de peso, com reconhecimento grande. E desde que comecei a fotografar, o prêmio já existia, e não é a primeira vez que me inscrevo. E a cada ano que se passou, a cada inscrição aberta, eu fui acompanhando também o meu processo de evolução até chegar a essa premiação, que é de território nacional, o que pra mim é muito forte e poderoso, espero que isso abra portais”, relata Matheus.

O artista, em sua carreira, flutua entre a fotografia, o audiovisual e a música, propondo-se a refletir em imagem os aspectos da cultura negra, da diáspora e os atravessamentos que é ser uma pessoa negra no Brasil.
Seus trabalhos autorais “A voar” e “Formatura preta” ganharam repercussão em mídias nacionais e internacionais. Em 2020, Matheus Leite foi vencedor do prêmio internacional de fotografia da Sony, o Sony World Photography Awards, com “Afrocentrípeta”, trabalho que reflete sobre as reverberações da diáspora em uma perspectiva intraracial. Como fotógrafo, é responsável pela cobertura fotográfica do festival Afropunk.

“Será a minha primeira exposição, nunca vi um quadro meu numa galeria, num museu, então esse Prêmio já vai me propiciar essa experiência marcante e única na minha vida. Já entra como divisor de águas mesmo porque a partir dele eu vou ver o meu trabalho numa galeria, num museu, então tem essa importância tripla: dimensão de território nacional; de ter meu trabalho reconhecido por um Prêmio que eu já admirava, pretendia; e por propiciar a minha primeira exposição. Então o Prêmio Pierre Verger tem esse múltiplo prisma na minha carreira”, finaliza o artista.
A exposição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger – 9ª edição será inaugurada em 6 de dezembro, às 17h30, e ficará aberta gratuitamente até 10 de março, de terça a domingo, das 10h às 18h, no Museu de Arte da Bahia, em Salvador. Saiba detalhes AQUI!