07/12/2023

Dezenas de pessoas compareceram ao Museu de Arte da Bahia na noite de quarta-feira (6) para contemplar a abertura da exposição coletiva do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger – 9ª edição, promovido pela Fundação Cultural do Estado, unidade vinculada à Secretaria de Cultura.
Fotógrafos, artistas, amigos, familiares e pessoas diversas estiveram presentes no lançamento e puderam apreciar de perto as obras dos três premiados e doze selecionados que participam da exposição que segue aberta até 10 de março com entrada gratuita.
O evento foi aberto ao som dos atabaques ao toque de Xangô - orixá regente de Pierre Fatumbi Verger - com a participação de integrantes do Ilê Axé Obá Tadê Patiti Obá, terreiro registrado pelas lentes da premiada Amanda Tropicana.

A coordenadora de Artes Visuais da Funceb, Manhã Ortiz, iniciou dizendo que é uma honra estar à frente da organização desse Prêmio, desta exposição que é nacional. “Tivemos 572 inscrições neste ano, foram três ensaios premiados e 12 selecionados para compor o catálogo e a exposição coletiva com pessoas de todo o Brasil. Um dos destaques deste ano é a acessibilidade, as imagens estão num nível mais baixo para acesso de mais pessoas, também há descrição em braile, audiodescrição e até mesmo uma obra em 3D que estará exposta a partir de janeiro”, destacou Manhã. Além disso, durante a abertura do evento houve tradução em Libras para as pessoas presentes.
A Diretora das Artes da Funceb, Gabriela Sanddyego, também fez as honras: “Nós somos uma diretoria que pensa em seis linguagens artísticas: artes visuais, música, dança, teatro, literatura e circo, mesmo com equipe bem reduzida, há muito comprometimento em fomentar as artes no estado da Bahia. É importante difundir esse Prêmio que é nacional, e para além de manter, ampliar, aumentar o valor de premiação. A acessibilidade foi um dos focos dessa edição, foi desafiador e gratificante perceber que a gente pode ter a inclusão de forma efetiva”.

A diretora geral da Funceb, Piti Canella ressaltou: “Esse lugar de entrega é muito feliz, passamos o ano preparando tudo para que esse momento acontecesse hoje. Esse Prêmio hoje acontece por meio de lei, é independente do governo, acontece de dois em dois anos. Parabenizo todos os premiados e selecionados pela disposição e, principalmente, coragem”.
O presidente da Comissão de Seleção do Prêmio, Rafael Martins, falou um pouco do processo de trabalho da comissão. “Foi um desafio grande e delicado. Estava numa posição ingrata, porque quando a gente escolhe, deixa outro de fora, vocês estão vendo escolhas nessa exposição. Pensar se esse prêmio iria sacramentar caminhadas ou impulsionar caminhadas, pois o Prêmio tem esse poder de transformação. Estou feliz com as minhas apostas mas ao mesmo tempo com o coração apertado por aqueles que não puderam entrar. Chegamos a uma diversidade muito grande, isso fica claro na exposição”, disse Rafael.
Marcelo Campos, curador da exposição coletiva destacou: “É uma honra estar aqui e poder voltar à Bahia por uma causa tão importante. Escutei cada um dos artistas e mergulhei um pouco nas histórias contadas através dos trabalhos, além de ouvir as sugestões, desejos de cada um”.
Premiada na Categoria Ancestralidade e Representação, Amanda Tropicana convidou sua mãe para ecoar um canto de Xangô junto aos atabaques do Patiti Obá. “Esse prêmio é um presente, não só meu, mas para a minha casa, meus orixás, meus filhos, familiares e amigos, à Xangô”, disse Amanda.

“Foi uma emoção dupla vencer ao lado de Amanda Tropicana, muito simbólico”, declarou Matheus L8, vencedor da categoria Questões Históricas. “Estou transbordando de felicidade, nunca vi uma foto minha pendurada na parede, e agora ver essa exposição é algo muito além do que poderia imaginar. Quando era criança tinha muito medo das Caretas do Mingau, e agora sou premiado com o registro dessa manifestação de mulheres negras que data um período anterior à chegada das tropas portuguesas”, relatou Matheus.
Affonso Uchôa e Desali vieram de Contagem, em Minas Gerais, para participar da exposição coletiva que os premiou na categoria Livre Temática e Técnica. “Esse é um acontecimento que tem muito significado, são portas que se abrem pra nossa trajetória, carreira, trabalho, de esperança para continuidade da nossa arte. Já são mais de 10 anos trabalhando juntos e construímos a nossa história de exceção na periferia, que foi ascender de forma artística, justamente, retratando o local em que nascemos e os nossos vizinhos”, detalhou Gabriel.
Yngrid Oliveira compareceu ao evento de abertura para prestigiar a irmã, Amanda Tropicana: “vim prestigiar a minha irmã, a sua trajetória com a fotografia, e a história do terreiro, que eu sou filha da casa também. A gente tá contando essa história pra todo mundo, de um terreiro que é centenário e agora a gente volta a ser reconhecido nessa cidade de Salvador”.
Hebert Ramos aproveitou a noite para apreciar o evento. “O Matheus é amigo meu e não poderia deixar de participar da abertura dessa exposição. Vim hoje mas pretendo voltar em outro momento para ver tudo com mais calma. Hoje pude ver algumas obras já e achei tudo muito bonito e especial, algumas me chamaram bastante atenção pela identificação mesmo”.
A exposição está aberta no Museu de Arte da Bahia até 10 de março, de terça a domingo, das 10h às 18h, com entrada gratuita.
Fotos: Lucas Malkut