As paisagens urbanas e rurais construídas por populações afrodescendentes como forma de ampliar o campo da arquitetura nacional aconteceram frente às mais prementes questões de ocupação das cidades e aquelas dos debates da crise ecológica contemporânea. Assim, temos como proposição fundamental do curta-metragem: a terra, pela construção e renovação de valores que garantam a continuidade do candomblé baiano, o respeito às suas lideranças e seus legados.
O filme “O Corpo da Terra” esteve em exibição na 18ª Mostra Internazionale di Architettura: Laboratório do Futuro, na exposição “Terra” (pavilhão brasileiro da Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza), em 2023, dos curadores e arquitetos Gabriela de Matos e Paulo Tavares, premiados com o Leão de Ouro - inédito ao Brasil. E desembarca para a sua primeira exibição em sala de cinema, no dia 03/06/2024, às 16h, na Sala de Cinema Walter da Silveira, gerida pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, unidade vincula à SecultBA, que fica localizada nos Barris, em Salvador.
Entender as arquiteturas da terra como pertencimento e possibilidade de cultivo em comunhão com a vida humana e não-humana estão presentes nos depoimentos de Ìyálòriṣà Neuza Cruz e Equede Isaura Genoveva (ambas do Ilẹ̀ Àṣẹ Ìyá Nasso Ọkà) e da arquiteta Vilma Patrícia Santana Silva (Universidade Federal da Bahia/UFBA). Para a sua narrativa visual, além do Terreiro da Casa Branca (Engenho Velho da Federação), vemos no filme também a Gruta de São Lázaro (Ondina), o Ilẹ̀ Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase (Terreiro do Gantois), Federação; e o Pelourinho/Centro Histórico de Salvador.
Dirigido, produzido e roteirizado por Day Rodrigues, em parceria com a cineasta Safira Moreira, que assina a direção de fotografia; Ismael Fagundes foi o produtor de set e a edição e montagem ficaram por conta de Rodrigo Espíndola. O documentário traz contribuições sobre o candomblé e sua importância para os debates públicos frente aos cuidados com o meio ambiente e a luta contra a especulação imobiliária. “Há narrativas e projetos de preservação da memória negra, em curso, nas mídias e curadorias de arte, por exemplo. E o candomblé precisa ser respeitado pela sociedade brasileira, pela via institucional e por outras construções de redes de apoio, em outros espaços, e essa preocupação pode ser percebida nas falas das entrevistadas”, conta Day Rodrigues.
A linha narrativa do filme reverbera vozes de mulheres negras que apresentam um projeto de continuidade pelo legado fundado há quase dois séculos e, no fim, influenciam o resgate de um conhecimento e humanidade, historicamente negados.
Sinopse:
O corpo da terra - O Filme (12 min.)
A preservação da terra e o pensamento da arquitetura afro-brasileira na origem e identidade do país, narrados no Terreiro Casa Branca (Bahia/ Salvador), por um encontro atemporal que se abre através de texturas, vozes e memórias e nos guiam por uma arqueologia da ancestralidade. Através das experiências do solo sagrado e do candomblé, em direção a lugares de referência para a preservação do meio ambiente, simbologias, rastros e historiografias, em uma trilha de cosmovisões que se revela quando pedimos Agô.
Serviço:
Pré-lançamento do filme O corpo da terra
Quando: 03/06 (segunda-feira) – 16h00
Onde: Sala Walter da Silveira (Rua General Labatut, 27 - Barris/Salvador)
Debate com Day Rodrigues, Ìyálòriṣà Neuza Cruz, Ekedy Sinha, Equede Isaura Genoveva, Ana Flávia Magalhães, Gabriela de Matos, Paulo Tavares e Vilma Patricia.
Ficha técnica:
Produção executiva: Duas Rainhas
Direção, produção e roteiro: Day Rodrigues
Direção de fotografia: Safira Moreira
Produção de set: Ismael Fagundes
Roteiro, montagem e edição: Rodrigo Espíndola
Som direto: Caíque Mello
Entrevista (Terreiro da Casa Branca): Daza Ifa Ashanti Moreira
Colorização e correção de cor: Éderson Silva
Design e motion: Gabrielly Pascoal
Edição de som e mixagem: Craca
Trilha sonora original: DJ Gug
Maquiagem: Abigail Marianno
Segurança: Menezes