Homenagem aos 40 anos da Axé Music e reinado coletivo marcaram 33ª edição da Lavagem Cultural da Funceb

27/02/2025
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Com dois reis, uma rainha e dois homenageados, a 33ª edição da Lavagem Cultural da Funceb celebrou os 40 anos da Axé Music, abrindo alas para o Carnaval do Centro Histórico de Salvador na tarde da quarta-feira (26), em Salvador. O cortejo saiu da Rua Chile, levando os mais de 700 foliões misturados entre servidores, ex-funcionários, familiares, amigos e convidados até o Largo Quincas Berro D’Água, no Pelourinho. A animação ficou por conta da banda Dona Genoveva e da Banda Pinel, atualmente comandada pela vocalista a cantora Mirella Bastos.

Dois reis, uma rainha e dois homenageados

Em reinado coletivo, os vocalistas da banda Cortejo Afro, Portella Açúcar, Aloísio Menezes e Claudya Costta receberam as coroas de Reis e Rainha da Lavagem Cultural, enquanto Veko Araújo, símbolo do Cortejo, e Valdemira Telma de Jesus Sacramento, famosa como Negra Jhô, foram homenageados por seus relevantes serviços prestados ao fortalecimento da cultura da Bahia, reconhecendo a presença empreendedora de ambos artisticamente no Pelourinho. 

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Funcionário da Funceb, o cantor Aloísio Menezes ressaltou que “é um prazer muito grande participar desse evento, principalmente esse ano, em que se comemora os 40 anos do Axé e o bloco afro Ilê Aiyê faz 50. Gratidão por ser escolhido, ser convidado para ser o rei da Lavagem. É um momento muito especial. Me sinto muito lisonjeado e orgulhoso. Muito obrigado”. Veko Araújo disse que “estar na Lavagem da Fundação é a reafirmação do meu lugar de Mestre da Cultura Popular, um apara-sol e chuva prenunciando a poesia, parafraseando o Mestre José Carlos Capinam, o sombreiro que protege e emana boas vibrações, enfim, uma Imagem Sonora”.

Também funcionário do Governo da Bahia pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), Portella Açúcar disse que “foi um prazer imenso participar da Lavagem da Funceb como rei, porque resgatou a memória dos blocos afros. Nasci no Pelourinho, então sonhava em participar e ser rei e isso pra mim foi muito importante e grandioso. Quero agradecer à Funceb e seus dirigentes, muito obrigado pelo apreço e carinho dedicados a mim. Espero que mantenha essa tradição de anos e que continue por décadas fazendo essa coisa bonita que é homenagear as pessoas que mereçam”.

Realização de um sonho também para a cantora Claudya Costta, revelando que “sempre foi um dos meus maiores sonhos e os sonhos de muitas mulheres que desejam brilhar no coração da Bahia. Essa posição é mais que um título, representa a minha ligação profunda com a cultura e as tradições e a alegria que caracterizam o carnaval da Bahia. A rainha, pra mim, é símbolo de empoderamento, de resistência, de celebração, de identidade afro-brasileira e da herança cultural que a gente traz, a nossa ancestralidade. É uma responsabilidade representar a cultura e essa conexão com a comunidade. Pra mim é uma honra, estou me sentindo muito feliz em estar com esse título”.

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“Estou emocionada, feliz, gratificada, pedindo vida longa para esse evento. Eu acho que chegou a minha hora. Eu mereço porque meu corpo é cultura, meu corpo é arte, meu corpo é valor, e a cultura ancestral hoje está muito feliz que eu estou sendo homenageada. Eu já vim dançando de pipoca na corda e hoje, como homenageada, quero que todos venham, apareçam, comprem a camisa e valorizem”, declarou Negra Jhô”.

Diversidade de público e dedicação da organização

Digna de uma festa “família”, há quem brinque o carnaval apenas durante a Lavagem Cultural, por considerar animada, porém tranquila e segura, sem muitas preocupações com a violência urbana típicas da ocasião. “A Lavagem Cultural é um pré-carnaval, mas pra mim aqui é o meu carnaval, porque eu não curto carnaval de rua por causa da violência. A gente gosta daquela coisa de fanfarra, de família, e a Fundação Cultural tem isso. Hoje estou com minha filha, meu marido e meus amigos. Estou feliz e plenamente satisfeita, por que eu curto, danço, brinco, por que o meu carnaval é o da Funceb”, celebrou Adriane Nunes, corretora de imóveis, esposa do funcionário da Funceb há mais de 30 anos, Fábio Nunes, e nora de Reinaldo Nunes, que também foi funcionário da instituição durante anos.

Para Lúcia Eugênia Andrade, coordenadora do Pouso das Artes e uma das organizadoras da Lavagem Cultural, “são 33 anos que nós estamos na estrada, a cada ano, e eu acho que as pessoas veem com mais amor e mais alegria. A cada ano elas solicitam muito mais camisas e nós aprimoramos para ser cada vez melhor para o folião. Esse ano todo mundo abraçou o Cortejo Afro e eu acho que foi uma escolha maravilhosa, tanto para a satisfação da coordenação como para os foliões”, destacou.

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Apesar de ser uma das organizadoras da Lavagem Cultural, com a alta responsabilidade que a função lhe confere, para Amélia Cristina Vencimento, funcionária da Funceb, fazer parte desse evento “é uma terapia. Eu adoro, adoro a festa e adoro a lavagem. Fiquei muito feliz com a escolha do Cortejo Afro e muito emocionada com a homenagem à Negra Jhô, pois ela falou sobre a importância em se homenagear a pessoa em vida, pois é um reconhecimento do valor da pessoa em vida. Essa foi uma das edições que eu mais gostei. Aloísio é funcionário da Funceb e a gente tem que reverenciar os nossos”. 

“Trabalhar na Lavagem é sempre uma experiência muito especial para mim. Este é meu segundo ano no apoio técnico e o primeiro sem estar na Funceb. Engraçado como, depois de tanto tempo afastado, achamos que esquecemos tudo, mas não foi assim. O pensamento rápido, a lógica, a preocupação e o cuidado sempre estiveram ali, e sei que ainda vão me acompanhar por um bom tempo”, afirmou Matheus Sansa, ex-estagiário na Coordenação de Música da Funceb.

Desde a primeira edição, que ocorreu em 1989, o evento reúne também pessoas convidadas e interessadas que não são funcionárias da Funceb e que se divertem durante a festa há anos, a exemplo da dona de casa Julieta Santos, de 78 anos. “Eu tenho 10 anos que participo como convidada e acho maravilhosa! Está lindo, adorei! Espero vir outras vezes, até fazer 100 anos aqui!”, considerou. 

Fotos: Lucas Malkut