Música e dança marcam último dia do Novembro das Artes Negras no Centro de Formação em Artes da Funceb

27/11/2025
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Foto: Felipe Martins

Programação reuniu artistas, pesquisadores e público em atividades no Pelourinho e no Xisto 

A terceira e última etapa do Novembro das Artes Negras do Centro de Formação em Artes da Funceb (CFA) foi realizada ontem (26) e teve a música como eixo central das atividades que ocuparam a sede da instituição, o Largo Pedro Archanjo e o Espaço Xisto Bahia. A programação destacou a força das vozes negras, a denúncia através da canção e a reafirmação da ancestralidade na música afro-brasileira.

Pela manhã, a mesa “Vozes negras e suas lutas através da canção” abriu a programação, reafirmando a canção como ferramenta de denúncia, resistência e construção identitária, profundamente conectada às raízes afro-brasileiras, e contou com a presença do cantor e compositor Tonho Matéria, da bailarina Xenia Bispo e da cantora e pesquisadora Aiace, sob mediação da jornalista Beatrice Imperial.

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Foto: Felipe Martins

Tonho Matéria ressaltou como a música, desde cedo, tornou-se uma ferramenta de resistência e comunicação para ele. “A canção me permitiu contar a história que não está nos livros didáticos, aquelas narrativas que a gente aprende na vivência, no terreiro, na rua, na memória dos mais velhos”, afirmou o artista, reforçando a importância de registrar essas histórias através da arte.

A bailarina Xenia Bispo comentou sobre sua participação no novo audiovisual do cantor Leo Santana e destacou como fé, dança e ancestralidade caminham juntas na construção de sua presença cênica. “A minha dança é atravessada pela minha fé. É essa fé que me sustenta e me coloca no centro da cena enquanto mulher preta, sabendo que meu corpo carrega histórias, cicatrizes e muita força”, disse.

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Foto: Felipe Martins

Já a cantora e pesquisadora Aiace abordou a potência da vulnerabilidade enquanto ato político. “A gente precisa falar das feridas para provocar transformação. Quando eu canto sobre dor, eu não estou revivendo sofrimentos, estou abrindo caminhos para que a gente se reconheça, se cure e se fortaleça como comunidade”, ressaltou.

À tarde, o percussionista Caio Fonsêca ministrou a oficina “Percussão afro-brasileira”, reunindo crianças do Curso Preparatório da Escola de Dança e participantes de outras cidades, incluindo turistas. A atividade explorou ritmos, instrumentos e técnicas tradicionais, aproximando o público da musicalidade afro-brasileira e de seus vínculos com o corpo, memória e comunidade.

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Foto: Felipe Martins

Para Chris Magalhães, do Rio Grande do Sul, “a experiência foi transformadora, pois nunca tinha sentido a percussão tão perto do corpo. Aqui, parece que a gente aprende batendo, mas também respirando junto, ouvindo a história de cada instrumento e sentindo a energia de quem toca”, relatou entusiasmada.

No fim da tarde, o Largo Pedro Archanjo, no Pelourinho, recebeu o show da Banda Doum, que apresentou repertório influenciado por sonoridades africanas, afro-baianas e ritmos contemporâneos, atraindo moradores, turistas e frequentadores do Centro Histórico de Salvador (CHS).

A noite foi encerrada no Espaço Xisto Bahia, nos Barris, com a Mostra Pedagógica 2025.2 do Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Dança, que apresentou o trabalho Cartografias do Corpo, reunindo pesquisas coreográficas de estudantes que dialogam com memória, território e identidade.