Verão das Artes anima jovens, adultos e crianças com dança, cinema e teatro de graça

03/02/2026
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Maria Minhoca/Foto: Lucas Malkut

O Centro Histórico de Salvador (CHS) respirou artes cênicas em mais uma semana do Verão das Artes, iniciativa da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), nesta que é a estação do ano mais identificada com a capital baiana. Com apresentações de dança e teatro, além de exibição de curtas e longas feitos na Bahia, baianos e turistas prestigiaram a programação e saíram satisfeitos com a oportunidade de experimentar outras linguagens das artes totalmente de graça. 

A semana começou dia 26 de janeiro (segunda-feira), no Largo Tereza Batista, com mais um aulão de pagode baiano, desta vez comandado pelo renomado professor, bailarino e coreógrafo Dhan Imperador. Formado pela Funceb e especializado em swing afro baiano, Dhan foca na valorização cultural a partir de suas pesquisas sobre dança afro-brasileira. "A cultura é isso, é você estar trazendo prazer, alegria, ver a galera entendendo o pagode baiano, essa dança periférica. Que venha muito mais", disse.

Pela segunda vez no aulão de pagode baiano, Claudia Almeida, moradora de Salvador, afirmou que o projeto tem a cara e a vibração da cidade. "É maravilhoso! É o meu ensaio para o Carnaval. Aqui eu já entro no clima". Cristiane Conceição, também soteropolitana, ficou feliz com a oportunidade. "Uma atividade diferente das que já participei aqui no Pelourinho, inclusive está de parabéns porque abriu a possibilidade de todos, independente de classe, cor e cultura, de participar. Iniciativa excelente que casou bastante com a proposta do verão de Salvador”.

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Aulão de Dança/Foto: Lucas Malkut

No dia 28 de janeiro (quarta-feira), foi a vez da proposta múltipla e interativa do coletivo A Pombagem ocupar o Largo Tereza Batista. Criado na Fazenda Grande do Retiro, o grupo apresentou O Museu é a Rua, com uma mensagem poderosa e emocionante. Em um dos momentos mais participativos, o público entrou em cena para conhecer os instrumentos populares do músico, filósofo e professor suíço Walter Smetack e da etnomusicóloga Emília Biancardi, todos representados por fotos expostas em cavaletes.

"É uma alegria imensa porque a gente sempre vê a periferia e o centro muito além da dicotomia, do binarismo. Nossa negritude está instalada no Pelourinho, e a gente respira esse referencial negro africano. Entendemos também que o teatro deve ocupar os mais diversos lugares de Salvador. Estamos muito felizes de poder compor esse processo cultural da cidade nesse momento em que as políticas culturais olham para os territórios e buscam aplicar o conceito de diversidade", ressaltou Fabrício Silva, coordenador geral e diretor do grupo.

Já na quinta-feira (29), os olhos se voltaram para a Sala de Cinema Walter da Silveira, nos Barris, com a exibição do curta Vadiação, de Alexandre Robatto, produzido em 1954. Com imagens em preto e branco, trata da origem da capoeira e da sua função como instrumento de resistência em uma época em que os negros eram perseguidos pela polícia por "vadiagem". Em seguida, foi exibido o longa Receba!, de 2024, um thriller policial que se desenvolve no submundo de Salvador. Dirigido por Pedro Perazzo e Rodrigo Luna, narra a caçada por uma bolsa de dinheiro, trazendo Edvana Carvalho, Jackson Costa e Evelin Buchegger no elenco.

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A Pombagem/Foto: Lucas Malkut

As crianças não decepcionaram e encheram a Sala de Cinema Walter da Silveira na sexta-feira (30). Elas se divertiram e se identificaram com A menina que queria voar, curta de Taís Amor Divino, e A professora de música, longa de Edson Bastos e Henrique Filho. As duas tramas, cada uma a seu modo, falavam de sonhos e da possibilidade de alcançar desejos nem sempre permitidos a crianças e pessoas negras.

O assunto emocionou muito a estudante Melissa Nascimento, 14 anos, moradora do bairro do Uruguai. Frequentadora da Biblioteca Central do Estado, nunca tinha entrado na Sala Walter, que faz parte do mesmo complexo. "A parte que eu mais gostei do filme foi quando a professora disse para a menina que o cabelo dela era lindo. Me senti representada de verdade, passei pela mesma coisa que ela, de soltar o cabelo na escola e as pessoas acharem também muito bonito".

Melissa estava entre as 15 crianças e adolescentes que fazem parte do Gibicanto de Leitura, iniciativa do complexo Rede Cammpi (Comissão de Articulação e Mobilização dos Moradores da Península de Itapagipe) em parceria com o Governo do Estado. "Sempre que tem uma oportunidade como essa, eu trago os meninos para entender o papel da cultura na vida deles como cidadãos", observou a gestora do Gibicanto e responsável pelo grupo, Jamira Alves Muniz.

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Verão na Walter/Foto: Lucas Malkut

A experiência da professora Larissa Sales foi diferente, mas igualmente emocionante. Sua mãe nasceu em Ipiaú, cidade onde se passa o filme A professora de música, o que trouxe lembranças da infância naquela cidade. "A história do filme é muito bonita, realmente existe esse estigma de que no interior não tem artista, não tem cultura. E eu também tive a sensação de estar em casa, a gente reconhece a igreja, a praça, o Rio de Contas, foi bem legal e emocionante".

Finalizando a semana, Maria Minhoca, da Cia. Cuca de Teatro, fez a alegria de famílias e crianças que foram ao Largo Pedro Archanjo, no dia 1 de fevereiro (domingo). Os palhacinhos contaram a história de Maria Minhoca, a moça que quer casar com Chiquinho Colibri, mas é contrariada pelo pai, que prefere um noivo rico. Eder Fernandes levou as duas filhas e aprovou a experiência. "Elas gostaram muito e ficaram muito ligadas na história". A mais velha, Andressa, de 9 anos, também se divertiu. "Gostei muito da Maria Minhoca, é bem engraçada e bonita".

A programação realizada pela Funceb ao longo dos meses de janeiro e fevereiro faz parte do projeto Verão da Bahia. Um Estado de Alegria, realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), em parceria com suas unidades vinculadas. As ações ocupam diferentes espaços e territórios, valorizam a diversidade cultural do estado, fortalecem os artistas baianos e ampliam o acesso à arte, música e diferentes manifestações culturais.