Cortejo tomou as ruas do centro de Salvador para celebrar o Dia da Poesia

14/03/2026
Durante o trajeto da Praça da Piedade à Praça Castro Alves, o público acompanhou recitais de textos autorais, performances cênicas e números musicais
Fotos: Lucas Malkut

Salvador amanheceu mais poética na última sexta-feira, dia 13. Artistas da palavra, profissionais da educação, estudantes, coletivos de poesia e amantes da literatura participaram do XXII Cortejo do Dia Nacional da Poesia, que percorreu ruas do centro de Salvador, levando literatura, música e teatro para o público. O homenageado desta edição foi o cineasta e escritor baiano Glauber Rocha.

Durante o trajeto da Praça da Piedade à Praça Castro Alves, o público acompanhou recitais de textos autorais, performances cênicas e números musicais em homenagem a grandes nomes da literatura brasileira. Com direito a bolo gigante e “parabéns” coletivo, o evento festejou o legado de Carolina Maria de Jesus, Abdias do Nascimento e o próprio Castro Alves, que compartilham a mesma data de nascimento que deu origem ao Dia da Poesia, celebrado neste sábado, 14 de março.

Para um dos organizadores, o pedagogo e arte-educador Douglas de Almeida, a intenção é aproximar a poesia das pessoas e ocupar o espaço urbano com arte. “A poesia é uma expressão artística extremamente necessária. Quando se faz um trabalho que ganha as ruas, ela atinge pessoas que não tiveram a possibilidade, por diversos motivos, de entrar em uma galeria ou livraria, de ver uma exposição ou uma peça de teatro. A arte salva”, acredita Almeida, que dirige a Biblioteca Infantojuvenil Betty Coelho, uma das apoiadoras do projeto.

O poeta e ator Marcos Peralta  interpreta o poeta Castro Alves
O poeta e ator Marcos Peralta interpreta Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847

Arte nas ruas - O poeta e ator Marcos Peralta, que interpreta o poeta Castro Alves no cortejo, ressaltou a importância do movimento de rua. “São vinte e duas edições do projeto e é uma grande felicidade. Porque, como poeta, venho trazer a beleza da poesia, mas também, a sensibilidade de compreendê-la como instrumento de libertação e transformação social”, afirmou.

Peri Rudá, ator que representou o cineasta Glauber Rocha, homenageado desta edição, destacou o compromisso com a educação. “É uma honra estar entre amigos comemorando a cultura. Além desse trabalho de manter a poesia viva, a gente traz arte para essas crianças e adolescentes que estão aqui aprendendo”, avaliou.

Caracterizada como a escritora Carolina Maria de Jesus, a professora e poeta Jeane Sanches, destacou a potência da arte nas ruas. “Foi ela quem inaugurou a literatura feminina e negra no Brasil. Por isso, para mim é um dever trazer a poesia dessa grande escritora para a população que não tem tanto acesso”, lembrou.
 

Durante o trajeto da Praça da Piedade à Praça Castro Alves, o público acompanhou recitais de textos autorais, performances cênicas e números musicais
Durante o trajeto da Praça da Piedade à Praça Castro Alves, o público acompanhou recitais de textos autorais, performances cênicas e números musicais 

Mais de duas décadas de história - O XXII Cortejo do Dia Nacional da Poesia contou com o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult/BA). Nesta edição, participaram a Biblioteca Prometeu Itinerante, Colégio Estadual Teodoro Sampaio, Colégio Estadual Ypiranga e Colégio Estadual Senhor do Bonfim.

Também marcaram presença o Coletivo de Poetas Além das 7 Praças, Movimento Exploesia, Movimento Poetas ao ar Livre, Movimento Sociedade Unificadora de Professores, Movimento Arte Poesia, Companhia Teatral A Pombagem e Polo de Atores e Brincantes de Ipitanga.

Mais do que uma homenagem à literatura, o evento reforçou o papel da poesia como instrumento de expressão coletiva. Em meio às cores e aos sons de Salvador, os versos ecoaram pelas ruas lembrando que a palavra também pode ocupar a cidade.

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