Quarta que Dança 2026 reafirmou a força do projeto em toda a Bahia

Publicado: 06/10/2026 Última atualização: 07/10/2026 às 11:25
Quarta que Dança 2026 reafirmou a força do projeto que leva espetáculos e formações em dança para toda a Bahia
Foto: André Souza

Ao todo, foram oito espetáculos e quatro trabalhos em processo de criação que emocionaram plateias de 20 municípios

Foram quase três meses intensos de apresentações passando por 20 municípios baianos em diferentes territórios de identidade e tocando plateias, algumas que jamais haviam tido a oportunidade de assistir um espetáculo de dança contemporânea perto de casa. Este é o saldo da edição 2026 do Quarta que Dança - iniciativa da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBA). O consagrado projeto também promoveu ações formativas realizadas por meio de oficinas, exibição de documentários e rodas de conversas sobre processos de criação em dança.

A jornada, que foi organizada em dois circuitos entre os meses de junho e agosto, começou em Salvador e Vitória da Conquista com as apresentações de Verivérbio, do Balé Teatro Castro Alves (BTCA) e MadáGugu, com a Odun Cia de Dança. Oito espetáculos e quatro trabalhos em processo de criação, selecionados via edital, se seguiram revezando espaços culturais de Salvador, Itabuna, Alagoinhas, Itajú do Colônia, Jequié, Juazeiro, Ibicaraí, Ibititá, Itabela, Camaçari, Irecê, Eunápolis, Feira de Santana, Sobradinho, Lauro de Freitas, Santa Inês, Ipiaú, Caetité, Cachoeira e Vitória da Conquista.

“O Quarta que Dança, em 2026, reafirma a importância de projetos estruturantes para a dança na Bahia, especialmente aqueles que fortalecem os elos de circulação e ampliam as possibilidades de encontro entre artistas, territórios e públicos. Quando fortalecemos essa rede, fortalecemos também o interior da Bahia, que ganha espaço, visibilidade e protagonismo. É um movimento de conexão que faz a dança circular, chegar a novos lugares e contribuir para a consolidação de uma política pública cada vez mais descentralizada e comprometida com a diversidade da produção artística baiana”, pontua Leândro Santos, coordenador de Dança da Diretoria das Artes da Funceb.

O começo - O Circuito 1 aconteceu ao longo do mês de julho. A cada quarta-feira, foram apresentadas as coreografias Ibanujé – O corpo como memória ancestral, Poesia de um corpo, Da própria pele, não há quem fuja e Me Brega Baile. Estes espetáculos passaram pelas cidades de Salvador, Itabuna, Juazeiro e Vitória da Conquista, além dos municípios de Maracás, Jequié, Ibititá, Camaçari, Irecê, Itajú do Colônia, Ibicaraí, Itabela e Eunápolis.

Nesta fase do Quarta que Dança, houve o compartilhamento do trabalho em processo de criação Corpo Texto, com Mynho Nascimento, na cidade de Ibicaraí. Os interessados participaram do laboratório de experimentação e criação a partir do solo de dança homônimo com mais quatro dançarinas, refletindo o processo de criação com base na experiência do profissional que é fruto da produção em dança no interior do estado.
Completando o primeiro circuito, foi oferecido ao público o trabalho em processo de criação Cronofobia, de Maéli de Marcos, um laboratório que investiga o caos cotidiano e as narrativas recorrentes sobre a “falta de tempo”. Uma reflexão sobre como a sociedade organiza suas tarefas diárias como trabalho, estudos, família e vida social, e de como essas demandas atravessam os modos de existência.

O desfecho - O segundo circuito do projeto de circulação aconteceu em agosto. Ao longo do mês, os espetáculos, os trabalhos em processo de criação e as atividades formativas passaram por Feira de Santana, Lauro de Freitas, Sobradinho, Cachoeira, Irecê, Caetité, Santa Inês, Ipiaú, Alagoinhas e Salvador. Na programação, os trabalhos In_Nova, do Balé Jovem de Salvador, Ori-Ô, da Campêlo Cia de Dança, Debaixo D'Água, do Coletivo Trippé, Correndo trecho: do subúrbio baiano para o interior do estado, da Cia Five.

Ainda como parte da programação do Circuito 2, aconteceu em Santa Inês e Ipiaú o trabalho em processo de criação Laboratório Corpo Memória (Vozes Maní). A ação formativa em dança contemporânea nasceu do processo de criação do espetáculo Vozes Maní e compartilhou oficinas com metodologias desenvolvidas durante a construção da obra, investigando corpo-memória, ancestralidade, territorialidade e experiências de mulheres negras do interior da Bahia.

Finalizando o circuito em Salvador e Alagoinhas, o trabalho em processo criativo E se eu não contasse, quem contaria? com Licia Maria Morais Sanchez, apresentou uma investigação sensível e profunda sobre trajetória, resistência, identidade e memória, desenvolvida a partir do método criativo de Pina Bausch.

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