Balé Teatro Castro Alves vai ocupar casarão de 100 anos, na Graça

13/08/2015
Palacete das Artes_Samara Andrade

Proposta da companhia é apresentar a dança em forma de mostra museológica. Intervenção com ambientes internos do imóvel secular faz parte do projeto #MusEuCurtoArte

Construído em 1912 pelo comendador Bernardo Martins Catharino, projetado pelo arquiteto italiano Baptista Rossi e tombado como Patrimônio Cultural da Bahia em 1986, o famoso palacete do bairro da Graça que tem nome do seu proprietário, em Salvador, será ocupado pelo Balé do Teatro Castro Alves (BTCA). "Estamos realizando visitas ao imóvel; a ideia é usar performances artísticas dos bailarinos em pontos desse precioso espaço", informa o diretor do BTCA, Antrifo Sanches.

Antes conhecido como Villa Catharino o casarão secular funciona hoje no complexo arquitetônico-cultural do Palacete das Artes, unidade do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), que administra museus estaduais. "O projeto desse imóvel foi arrojado para época, idealizado por Rossi Baptista e decorado por Oreste Sercelli, num período em que a Graça ainda tinha estradas de terra, matas, fazendas de gado e lavouras", explica o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira.

COMPLEXO CULTURAL - A proposta do BTCA é apresentar a dança em forma de mostra museológica em vários ambientes do imóvel. A intervenção artística faz parte do Projeto #MusEuCurtoArte, realizado em parceria pelo IPAC e Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). Já aconteceram apresentações no Museu de Arte da Bahia (MAB, Corredor da Vitória) e nos jardins do Palacete, sendo agora a vez do casarão de 103 anos.

Os dançarinos e o diretor do BTCA visitaram o Palacete no último dia 4 (agosto, 2015). "Discutimos cenas e avaliamos aspectos como espaços, iluminação e sonorização", relata Antrifo Sanches. Segundo ele, não serão apresentações em palco italiano como o público está acostumado.

A ideia é que, ao longo de duas horas, o público percorra vários cômodos do palacete, apreciando os bailarinos da mesma forma que fariam em exposição de telas ou esculturas, como informa Antrifo. "O Balé Teatro Castro Alves vive uma fase de muito vigor neste diálogo com a cidade. Esta tem sido a palavra de ordem dos nossos trabalhos", considera Fernanda Tourinho, diretora da FUNCEB.

Para João Carlos, outra atração especial do complexo cultural é a união de dois estilos arquitetônicos. "Enquanto o casarão de 1912 é eclético, o pavilhão de exposições, ao fundo do terreno, tem linhas contemporâneas com concreto, metal, madeira e vidro", lembra. A autoria da sala contemporânea é dos arquitetos Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, este último discípulo da ítalo-brasileira Lina Bardi (1914-1992). Ambos também restauraram o palacete. O projeto ganhou o 1º lugar na Bienal de Arquitetura da Venezuela (2006).

RIQUEZA - O casarão tem ornamentos e pinturas parietais com cenas românticas e naturezas mortas, forros do teto em painéis, com pinturas de anjos, folhas, flores e pássaros, e douramento na Sala Napoleão, ornada com águias. Outras características são os símbolos maçônicos, já que Catharino, Rossi e Cercelli eram maçons, os vitrais de N. S. da Conceição, pisos em parquet, mármore e ladrilho hidráulico. Ainda existe um elevador francês do início do século XX.

Informações sobre tombamentos, na Gerência de Patrimônio Material (Gemat) do IPAC via telefone (71) 3116-6742 e endereço gemat.ipac@ipac.ba.gov.br. Sobre o Palacete no site www.palacetedasartes.ba.gov.br e telefone (71) 3117-6997. Sobre BTCA, www.tca.ba.gov.br e Funceb www.fundacaocultural.ba.gov.br. Dados sobre os projetos e obras do IPAC, acesse www.ipac.ba.gov.br, o facebook Ipacba Patrimônio e o twitter @ipac_ba.

O Balé Teatro Castro Alves (BTCA) é um corpo artístico do Teatro Castro Alves, o maior equipamento cultural do estado, que é mantido pela Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB).