Farinha Seca comemora 15º aniversário com novo espetáculo

09/03/2015
Peça faz temporada em diferentes espaços de Euclides da Cunha

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A espinha dorsal do novo projeto da Farinha Seca, grupo sediado em Euclides da Cunha, no interior da Bahia, é a família. Seu nome, Famulus, deriva do latim, "servo, escravo da família", e engloba três narrativas distintas para dar conta de um intervalo de cinco anos sem criações próprias e de embarcar numa empreitada inédita para a trupe: criar uma montagem a partir de uma dramaturgia coletiva, elaborada pelos próprios integrantes. A terceira parte desta série, intitulada Oiteiro das Marias, faz temporada em diferentes espaços da cidade, com apoio do edital Calendário das Artes, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Depois de apresentar sua última montagem em 2009, Senhora dos Afogados (III Ato), peça escrita por Nelson Rodrigues, foi possível que a Farinha Seca renovasse sua linguagem e partisse para outros meandros estéticos. À primeira vista, quem viu o nascimento da companhia em março de 2000, n’O Auto da Compadecida, certamente pode notar o ponto de mudança de suas produções. Atenta a novas possibilidades de interpretação e conectada com uma espécie de teatro intimista, que não se afasta do público, a companhia euclidense tem feito da plateia um "achegado" dos acontecimentos. O público às vezes bebe vinho, chá e café, às vezes fala de suas perdas ou mesmo come frango com as próprias mãos. Todo esse acolhimento não apenas transforma as ações em situações familiares, mas também adianta que o espectador está sempre dentro de uma casa, mesmo quando a arena é o centro de uma praça barulhenta e movimentada.

A série Famulus propôs a criação de três células dramáticas, espetáculos de pesquisa cuja junção articulou o mesmo tema, a família, sobretudo as figuras à parte, as típicas "ovelhas negras". Começou em agosto de 2014 com a apresentação da primeira célula, Erva Daninha, seguida de O Parasita e Corpo Presente e, por fim, chega aos palcos o resultado dessa atividade colaborativa dirigida por Alfredo Junior, Oiteiro das Marias.

A venda de Oiteiro das Marias, propriedade rural que faliu depois da morte de todo o seu gado, reúne os herdeiros da família Meneses, Ana (Carla Lucena), Cícero (Cleilton Silva), Michel (Vinícius José), Selma (Daiane Campos) e Tito (Ednael Marcos), que se veem num embate espinhoso: vender Oiteiro das Marias e colaborar com o progresso da vila – o governo quer comprar suas terras para a construção de uma autoestrada – ou resguardar o curso tortuoso da memória e tentar reatar os laços familiares?

Sobre o Calendário das Artes – Mecanismo de incentivo a projetos artísticos e culturais de pequeno porte na Bahia, o Calendário das Artes concede prêmios de até R$ 13 mil e abrange as áreas de Artes Visuais, Audiovisual, Circo, Dança, Literatura, Música, Teatro e Artes Integradas. Seu fundamento está na acessibilidade e ampliação do investimento na produção artística de toda a Bahia, incluindo premissas que buscam abarcar propostas de todas as regiões do estado em quantidade igualitária: a avaliação dos projetos é feita de forma territorializada e os inscritos de cada macroterritório da Bahia concorrem apenas entre si. São priorizadas propostas oriundas e/ou realizadas em benefício de populações com menor acesso a produtos culturais e que privilegiam a diversidade cultural. Somando as seis Chamadas realizadas desde seu lançamento, entre 2012 e 2014, o Calendário das Artes já disponibilizou um total de R$ 3,653 milhões para a execução de 282 projetos, selecionados dentre um total de 4920 inscritos. São projetos oriundos de 109 cidades, contemplando todos os 27 territórios de identidade do estado. Mais informações em www.fundacaocultural.ba.gov.br/calendariodasartes.


Oiteiro das Marias
06 a 08/3: Auditório do Educandário Oliveira Brito
13 a 15/3: Praça CEU (Populares)
20 a 22/3: Centro Cultural de Euclides da Cunha
27 a 29/3: Casa do Artista
Sempre às 20h
Quanto: R$ 3
Classificação: 12 anos
Apoio financeiro: Calendário das Artes/ FUNCEB/ SecultBA