Cinema Expandido reúne principais cineastas baianos da Geração Super8

24/10/2013

Trazendo novas roupagens para o audiovisual e movimentando o Complexo Cultural dos Barris, projeto multimídia da DIMAS/FUNCEB tem sua 2ª edição no dia 8 de novembro

POLA RIBEIRO, EDGARD NAVARRO, JOSÉ ARARIPE JR E FERNANDO BELENS

Cinema em primeira pessoa, visceral, provocativo e irreverente. O Cinema Expandido está de volta e, desta vez, com foco na chamada Geração Super8. No dia 8 de novembro (sexta-feira), a partir das 18 horas, os cineastas Edgard Navarro, Pola Ribeiro, José Araripe Jr., Fernando Belens, Robinson Roberto e José Umberto Dias vão se reencontrar no Complexo Cultural dos Barris para uma conversa com o público e a exibição de algumas de suas obras produzidas neste formato. Completam a programação projeções em videomapping com trilha sonora ao vivo e videoinstalação, movimentando vários espaços do local. O projeto é realizado pela Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia (DIMAS/FUNCEB), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia (SecultBA), e tem entrada gratuita.

No começo da década de 1970, em meio à repressão política, à censura ideológica e diante dos moralismos e tabus sociais, era difícil fazer cinema. Até que as câmeras de Super8 chegaram ao mercado. Inicialmente destinadas ao uso doméstico e familiar, mais leves e baratas que as de 16mm, essas filmadoras permitiram a toda uma geração de jovens criativos e sem recursos extravasar suas angústias e inquietações, registrar seus múltiplos olhares e experimentar a linguagem cinematográfica de maneira pessoal e transgressora. Na Bahia, essa geração foi encabeçada pelos realizadores homenageados pelo projeto, hoje ícones da nossa cinematografia, com sólida produção audiovisual nas mais diversas metragens e formatos.

Neste sentido, o Cinema Expandido resgata, discute e compartilha, uma vez mais, esse impulso criativo inaugural que marcaria uma época, reconfigurando as experimentações e provocações da Geração Super8 ao trajeto multimídia que caracteriza o projeto. É o caso da videoinstalação, que abre a programação, às 18 horas, na Galeria Pierre Verger. Concebida por Marcondes Dourado, a partir de recortes e ressignificações de diversos filmes da Geração Super8 baiana, a instalação permanece em cartaz até o fim do mês. Em complemento, a Sala Alexandre Robatto acolhe, no dia do evento, uma mostra especial com a exibição ininterrupta dos curtas Toracolaparotomia, de Robinson Roberto, O Rei do Cagaço, de Edgard Navarro, e Ora Bombas, de Fernando Belens; e depois, de 9 a 14 de novembro, um ciclo mais amplo, com toda a filmografia (em super8) preservada dos cineastas homenageados.

Videomapping e bate-papo – O encontro geracional tem direito ainda a um bate-papo com o público, às 19 horas, em sessão especial na Sala Walter da Silveira com a projeção de filmes dos seis principais cineastas baianos da Geração Super8: Maíra, de José Umberto Dias e Robinson Roberto; Alice no País das 1000 Novilhas, de Edgard Navarro; Brabeza, de José Umberto Dias e Robinson Roberto; Pixando, de Pola Ribeiro; Contos de Farda, de José Araripe Jr.; Ora Bombas, de Fernando Belens; e Na Bahia Ninguém Fica em Pé, de Pola Ribeiro, José Araripe Jr. e Edgard Navarro.

Após a exibição dos filmes, às 21 horas, uma projeção em videomapping tomará conta da fachada do prédio da Biblioteca dos Barris, com trechos dos filmes da Geração Super8 remixados pelos VJs Caetano Britto e Jan Cathalá, com trilha sonora ao vivo, executada pelo guitarrista Cassio Nobre, pela cantora Mariella Santiago e pelo DJ Bandido.

O projeto – A primeira edição do Cinema Expandido aconteceu no último mês de abril com o tema "Os primeiros transgressores". Na ocasião, foram recuperadas as experimentações das vanguardas francesas e japonesas da década de 1930 em sintonia com a proposta do evento de reunir as mais diversas linguagens artísticas e tendências contemporâneas de intervenção urbana, a partir de um mote audiovisual. A iniciativa também explora o potencial do Complexo Cultural dos Barris, prédio que reúne, além da DIMAS e das salas Walter da Silveira e Alexandre Robatto, a Galeria Pierre Verger, a Biblioteca Pública do Estado da Bahia, o Espaço Xisto Bahia e outros órgãos da Fundação Pedro Calmon (FPC), promovendo uma maior integração entre esses espaços.

Cinema Expandido – 2ª edição: Geração Super8
Onde: Complexo Cultural dos Barris (Rua General Labatut, 27 – Barris, Salvador/BA)
Quando: 8 de novembro de 2013 (sexta-feira), 18 horas
Quanto: Grátis
Classificação etária: 18 anos
Realização: DIMAS/ FUNCEB/ SecultBA
Informações: 71 3116-8120/ 3116-8103

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Informações sobre os filmes:

Maíra (1980) | Direção: José Umberto Dias e Robinson Roberto
Duração: 8 min.
Sinopse: Reportagem de um parto natural associada ao humor e alegria de viver. Um ser que nasce. Um novo mundo que surge, amplo, cósmico. Ser! Vida! Sangue! Dor! Satisfação! Alegria!

Alice no País das Mil Novilhas (1976) | Direção: Edgard Navarro
Duração: 20 min.
Sinopse: Em leitura divertida e psicodélica do clássico de Lewis Carrol, Alice aqui entra no país das maravilhas ao ingerir o cogumelo que floresce no estrume do gado.

Brabeza (1978) | Direção: José Umberto Dias e Robinson Roberto
Duração: 22 min.
Sinopse: Ecos cinemanovistas estilizados em experimentos compositivos fotográficos e de montagem, no encontro de uma retirante com um homem que carrega um fuzil nas ruas da cidade grande.

Pixando (1980) | Direção: Pola Ribeiro
Duração: 15 min.
Sinopse: Um grupo de jovens que prega a liberdade escrevendo o que pensa nos muros da cidade.

Contos de Farda (1975) | Direção: José Araripe Jr.
Duração: 9 min.
Sinopse: A industria cultural e a mídia criam jogos perigosos que estimulam as guerras, enquanto um militar mitológico da industria de brinquedo ganha vida e seduz um criança para se tornar militar.

Ora Bombas, ou A Pequena História do Pau, Brasil (1981) | Direção: Fernando Belens
Duração: 4 min.
Sinopse: Uma entrevista surrealista com um dos mais importantes personagens da história contemporânea de Pindorama, A Genitália Dilacerada do Riocentro.

Na Bahia ninguém fica em pé (1980) | Direção: Edgard Navarro, José Araripe Jr. e Pola Ribeiro
Duração: 22 min.
Sinopse: Reflexão desenvolvida coletivamente em reportagem-ensaio bem-humorada sobre as agruras do cinema baiano na virada da década.

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Biografia dos cineastas:

Pola Ribeiro – Cineasta, ator, produtor e roteirista de televisão, publicidade, documentários e ficção. Atual diretor-geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia - IRDEB. Sua produção cinematográfica vai desde filmes em Super-8 a bitolas profissionais de curta e longa-metragem. Fortemente envolvido com o cineclubismo, participou de grupos de estudo, atuou como editor de revistas especializadas. Ministrou cursos de cinema na Universidade Federal da Bahia, na Universidade Católica do Salvador e na Faculdade de Tecnologia e Ciências. Foi Presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Presidente da Associação Baiana de Cinema (ABACI), Conselheiro da Associação Brasileira de Documentaristas, presidente e membro do Conselho Consultivo da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV-ABD) e membro do Conselho Superior de Cinema.

José Araripe Jr. – José Araripe Cavalcante Junior é graduado em artes plásticas pela UFBA e integrante do Teatro Livre da Bahia e Avelãs y Avestruz. No final do anos 70, aproximou-se dos cineastas Pola Ribeiro, Edgard Navarro e Fernando Belens formando o grupo Lumbra Cinematográfica que, por dez anos, se manteve unido, realizando dezenas de filmes em super 8, 16 mm e 35 mm, alguns premiados nacionalmente em festivais como Brasília, Rio e Gramado. Fez a direção de arte dos filmes "A lenda do Pai Inácio", "Samba Riachão" e "Superoutro". Roteirizou e dirigiu curtas em super 8 como "Fiat Lux", "Circuluminoso", "Lumiere", "Na Bahia Ninguém Fica em Pé" e "Contos de Farda"; além de obras em outros formatos: "Croma o Quê?", "Mr. abrakadabra!", "Radio Gogó"; "O pai do Rock" e o longa-metragem "Esses Moços".

José Umberto Dias – José Umberto Dias iniciou sua história no cinema em 1968, durante um curso de iniciação em cinema. Desde então, vem atuando na cena cinematográfica de Salvador, dirigindo, fotografando, roteirizando e montando. Em 1972 realizou seu primeiro longa de ficção, "O Anjo Negro", rodado em 35mm. Ao longo dos anos 1970 deu seqüência a uma longa produção de filmes documentais em super-8. Entre 1976 e 1977 foi coordenador da Imagem e do Som da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Na década de 1980 e 90 realizou vários vídeos documentários para a TVE-Bahia/IRDEB. É também crítico de cinema, ensaísta, ator, roteirista, escritor, dramaturgo e poeta. Em 1984, escreveu e dirigiu o espetáculo teatral "O Beijo Final". Em 2005 foi contemplado com o prêmio de estímulo à produção cinematográfica de baixo orçamento do Ministério da Cultura para a realização do longa "Revoada", fruto de suas pesquisas pessoais nos ultimos vinte anos acerca do cangaço.

Robinson Roberto – É fotógrafo, diretor cinematográfico, professor, ator, crítico e pesquisador musical. Atua também com restauro e telecinagem de filmes antigos em Super 8. Robinson foi Co-fundador e diretor do Clube de Cinema de Jequié entre 1962 e 1972. Crítico de cinema do Jornal Jequié (1961-1974) e criador dos programas radiofônicos Cine Revista e Deuses da Música, da Rádio Bahiana de Jequié. Realizou, na década de 70, vários filmes em Super 8 premiados em festivais brasileiros: Agreste (Jornada de Cinema da Bahia e Festival de Sergipe, 1975 e 1976), Acalanto (Festival de Cinema de Recife, 1977), Urubu (Festivais de Curitiba e Aracaju, 1977 e 1978), Viragem (Festivais de Salvador, Aracaju, Recife e Penedo, 1979 e 1980), Salário Mínimo (Festival de Aracaju, 1980), O Pacote (Festivais de Campinas e São Luis, 1983) e Maíra (Festival do Maranhão, 1983).

Edgard Navarro – Edgard Navarro se iniciou no cinema em 1976, com o curta "Alice no País das Mil Novilhas", realizado em Super 8, formato com o qual faz mais quatro filmes até 1981. Valendo-se da paródia explicitada nos títulos de algumas obras, os filmes dessa época caracterizam-se pela irreverência e por um humor iconoclasta, cáustico e provocativo. Dirigiu e escreveu filmes premiados nacional e internacionalmente, como "Porta de Fogo", sobre Carlos Lamarca, "Lin e Katazan", "Superoutro" e os longas mais recentes "Eu Me Lembro" e "O Homem que Não Dormia".

Fernando Belens – Fernando Belens atua há mais de vinte anos como psicanalista em programas de saúde mental para a população de baixa renda. Começou a fazer cinema em Super 8 quando ainda estudava no Colégio Central. Lá, fundou o grupo Soyuz, realizando, para a feira de ciência da Instituição, o filme "Anônima Fragmentação". Durante as décadas de 70 e 80 dirige uma série de curtas polêmicos, muitos deles vítimas de forte censura, como "Viva o Cinema", "Ora Bombas" e a sequência de experimentações chamadas de "Experiência I a V". Na mesma época dirige também o filme "Crianças do Novo Mundo", um docudrama em 35mm sobre uma seita religiosa que sacrificou oito crianças ao mar. Na década de 90 volta à realização de filmes, agora em 16 e 35mm. Entre outros, é também autor dos filmes "Anil" (1990); "A mãe" (1998), sobre dona Lúcia, mãe do cineasta Glauber Rocha; e "Pixaim" (2000), prêmio da Unesco do Maranhão e prêmio do público no Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. Realizou ainda o longa-metragem "Pau Brasil", que permanece inédito no circuito comercial.