Programação Baiana de Circo, Dança e Teatro apresenta mais 16 montagens nesta sua segunda semana

25/06/2013

Teatro Castro Alves e espaços de seu entorno recebem uma mostra da atual produção da Bahia nas artes cênicas. Entre os destaques, estão os premiados espetáculos teatrais "Entre Nós – Uma Comédia sobre Diversidade", "Namíbia, Não!", "Siré Obá – A Festa do Rei" e "Sebastião", além da dança de Mestre King em "Opaxorô" e três apresentações de circo

Desta terça-feira até sábado, 25 a 29 de junho, a segunda e última semana da Programação Baiana de Circo, Dança e Teatro reúne 16 apresentações gratuitas das artes cênicas da Bahia, entre espetáculos, intervenções urbanas e montagens de rua. Elas ocupam o Vão Livre e a Sala do Coro do Teatro Castro Alves (TCA), além de se estenderem pelo entorno do teatro, no Campo Grande. Promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), o projeto, que foi iniciado em 17 de junho e já promoveu nove sessões na semana passada, integra o Cultura em Campo, em que a Secretaria de Cultura do Governo do Estado (SecultBA) realiza uma programação especial durante o período da Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013.

Iniciando a semana, nesta terça-feira, 25 de junho, estará o espetáculo circense O Circo de um Homem Só, de João Lima, às 18h30, no Vão Livre do TCA. Em seguida, Siré Obá – A Festa do Rei, do Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas, sobe ao palco da Sala do Coro, às 20 horas.

Na quarta-feira, 26 de junho, tem a mágica do circo com O Mágico Dimmys, de Ediomário Odilon, às 18h30, no Vão Livre do TCA, e o monólogo Sebastião, de Fábio Vidal, às 20 horas, na Sala do Coro.

Já no dia 27, quinta-feira, na Sala do Coro, às 20 horas, é a vez do espetáculo Opaxorô, do Grupo Gênesis, dirigido pelo Mestre King, precursor e referência mundial da dança afrobrasileira.

Na sexta-feira, 28 de junho, o Teatro Martim Gonçalves, na Escola de Teatro da UFBA (Canela), será tomado pelo circo com A Rádio do Seu Coração, da Cia. Fulanas de Circo, às 16 horas. Também vão ocorrer duas intervenções urbanas de dança: Maçaroca – Investigações Gambiárricas, de Márcio Nonato e Paula Carneiro Dias, que ocupa o Vão Livre do TCA, às 14 horas, e Gráfico Planificado da Violência, de Fernando Lopes, na Praça Dois de Julho, às 16 horas. Às 18h30, o Vão Livre é ainda espaço de dança de rua com a apresentação de Síntese, do Grupo de Performances Street Vibe, de Vitória da Conquista. Depois, o sucesso da montagem que marca a estreia de Lázaro Ramos como diretor de espetáculos adultos em Namíbia, Não!, às 20 horas, na Sala do Coro. Fechando a noite, a programação chega até o Beco dos Artistas, onde o espetáculo A Alma Encantadora do Beco, de Djalma Thürler, será encenado às 21 horas.

O encerramento da Programação Baiana de Circo, Dança e Teatro, no dia 29 de junho, sábado, é com cinco apresentações. Para a criançada, tem o espetáculo De Sol, De Céu e De Lua, de Mariana Moreno e Grupo Teca-Teatro, às 16 horas, na Sala do Coro do TCA. No mesmo horário, na Praça Dois de Julho, acontece a intervenção urbana de dança Ah, Se Eu Fosse Marilyn, de Edu O. O Vão Livre mais uma vez se toma de dança de rua com Das Ruas para Ruas, do grupo Independente de Rua, às 18h30. Às 20 horas, a Sala do Coro recebe o vencedor das categorias de Melhor Espetáculo, Melhor Ator (Igor Epifânio) e Melhor Texto no Prêmio Braskem de Teatro 2012: Entre Nós – Uma Comédia sobre Diversidade, de João Sanches. Fechando a maratona, o Grupo Alvenaria de Teatro apresenta Butô de Bêbado Não Tem Dono, às 21 horas, na Ladeira da Fonte.

Dia 25 de junho (terça-feira)
O Circo de um Homem Só, de João Lima
[CIRCO – Vão Livre do TCA, 18h30]
Elaborado para divertir crianças, adultos e pessoas de todas as idades, é um espetáculo que mistura circo e teatro pelo palhaço Tiziu, que decide realizar sozinho uma apresentação de circo, com todas as atrações. Ele mesmo arma o circo e faz o apresentador, o mágico, o malabarista, a bandinha e tudo que integra o seu espetáculo, estabelecendo uma relação de cumplicidade e interação com a plateia, o que garante o tom cômico da apresentação. Sendo assim, os números circenses são apenas um pretexto para esse maravilhoso encontro do público com o palhaço, um dos personagens mais característicos do mundo do circo. Este espetáculo solo de palhaço foi criado e realizado pelo ator e diretor João Lima, como fruto da sua pesquisa e busca incessante no aperfeiçoamento da sua técnica na arte de ser palhaço.
Ficha técnica: Criação e atuação: João Lima (Palhaço Tiziu)/ Produção: Viapalco

Siré Obá – A Festa do Rei, do Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas
[TEATRO – Sala do Coro do TCA, 20h00]
O NATA – Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas inspira-se nos orikis (poesia em exaltação aos orixás) e usa teatro, dança afro e música para mostrar a beleza e a filosofia do culto às divindades africanas, tendo como objetivo desmitificar preconceitos e combater a intolerância religiosa. Unindo religião e arte, a peça segue a sequência das músicas cantadas e tocadas para os orixás nos rituais do candomblé, celebrando, junto com espectador, os feitos dessas divindades. Desde a sua primeira temporada em 2009, recebeu três indicações ao Prêmio Braskem de Teatro: Melhor Espetáculo, Revelação (para a então estreante diretora Fernanda Júlia) e Especial (pela direção musical de Jarbas Biittencourt), categoria da qual saiu vencedor. Já realizou apresentações na Bahia, São Paulo e Paraná, participando de Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC) e do Festival de Teatro de Curitiba, dentro da Mostra Baiana no FRINGE. Em 2013, ainda se apresentará em Portugal.
Ficha Técnica: Texto e concepção: Fernanda Júlia e Thiago Romero/ Direção: Fernanda Júlia/ Elenco: Daniel Arcades, Fabíola Júlia, Marcelo Oliveira, Nando Zâmbia e Ialorixá Roselina Barbosa/ Músicos: Cosme Lucian, Jandi Barreto, Spike e Thiago Romero/ Trilha sonora: Jarbas Bittencourt/ Desenho de luz: Nando Zâmbia/ Cenografia e figurino: Thiago Romero/ Coreografia: Marilza Oliveira/ Produção: Kalik Produções Artísticas (Susan Kalik/Francisco Xavier)

Dia 26 de junho (quarta-feira)
O Mágico Dimmys, de Ediomário Odilon
[CIRCO – Vão Livre do TCA, 18h30]
Usando uma linguagem simples e ao mesmo tempo arrojada, Ediomário Odilon, ou melhor, Dimmys Sinclair vem atuando na área da mágica de salão há exatos 20 anos. Com muita classe e elegância nos trejeitos mágicos, uma postura clássica que adquiriu de confrades mágicos do estado de São Paulo, traz à Bahia a arte mágica na mais pura forma de bom entretenimento sadio e inteligente, onde adultos e crianças se divertem e se encantam com muito mistério e ilusão. Bem como a mágica de aproximação, a chamada close-up, ou magia contígua, ou de mesa, pois trata-se da mágica feita a uma curta distancia com as pessoas.
Ficha técnica: Criação e atuação: Ediomário Odilon

Sebastião, de Fábio Vidal
[TEATRO – Sala do Coro do TCA, 20h00]
Um nordestino, chamado Sebastião, vê-se envolvido em uma trama de perseguição depois que participa do saque de um avião que caiu com R$ 5,6 milhões. Devoto de Padre Cícero, viciado em jogos e totalmente endividado, ele, por obra do acaso, recebe um tesouro "dos céus", que acaba sendo o motivo de sua tragédia. Esta encenação constitui-se de uma teatralização de dados e fatos verídicos, que aconteceram quando uma aeronave se espatifou nas terras de Maracangalha, na Bahia, em 2007, e, ao invés de felicidade, trouxe desespero para os moradores locais. O espetáculo trata sobre a natureza humana, estabelecendo reflexões sobre o poder, o dinheiro, os direitos humanos e a ética. Contemplado com o Prêmio Myriam Muniz de Teatro, já realizou diversas temporadas e apresentações e integrou a programação de importantes festivais, como o FIAC, FILTE, Festival BNB das Artes Cênicas e Festival Bahia em Cena. Fábio Vidal foi contemplado com o Prêmio Braskem de Teatro 2010, na categoria Ator, e indicado na categoria Melhor Texto.
Ficha técnica: Texto e atuação: Fábio Vidal/ Dramaturgia e cocriação: Gil Vicente Tavares/ Assistente de direção: Gabriela Sanddyego/ Cenografia e figurino: Moacyr Gramacho/ Iluminação: Fernanda Paquelet/ Direção musical e produção: Emerson Cabral/ Produção de trilha sonora: Cassius Cardoso/ Vídeos: Tati Lima/ Edição de imagens: Thiago Gomes

Dia 27 de junho (quinta-feira)
Opaxorô, do Grupo Gênesis – Mestre King
[DANÇA – Sala do Coro do TCA, 20h00]
O espetáculo é uma narrativa coreográfica de uma das mais belas lendas dos Orixás, que conta a história da viagem de Oxalá para terra de Oyó, ou terra de Xangô. Opaxorô é o cetro ou ferramenta de Oxalá, onde se encontra todos os fundamentos iconográficos da Religião Afro Brasileira. O grupo Gênesis teve seu início no Colégio Estadual Severino Vieira em 1976, com o objetivo de divulgar a dança nas escolas públicas e particulares da nossa capital, trabalhando com profissionais e estudantes de dança e alunos de diversas escolas. Com o tempo, se especializou na formação e encaminhamento de grandes profissionais e artistas, que hoje atuam em várias áreas de produção. O Gênesis tem a direção e coreografia de Mestre King.
Ficha técnica: Direção e coreografia: Mestre King/ Assistente de coreografia: Alan Feeling e Jussi Santana/ Bailarinos: Alex de Almeida, Aline Faustino, Ana Talita Santos, Aninha Brito, Carlos Pereira (Neguinho), Grazi Rocha, Jessica Santos, Júlio Cesar, Marcos Cunha, Meryadla Brito, Nana Monteiro, Nathalie Moutinho, Paquita Santana, Patrícia Brito e Rafaela Carvalho/ Direção musical: Felipe Alexandro/ Músicos: Ari Zulu, Dona Liu, Fábio Alexandro, Felipe Alexandro, Luciano da Silva, Ory Sacramento e Simone Carvalho/ Figurino: Denny Neves e Mestre King/ Iluminação: Anderson Rodrigo/ Sonoplastia: Clovis Senna/ Fotografia: André Frutuôso/ Produção: Inah Irenam

Dia 28 de junho (sexta-feira)
Maçaroca – Investigações Gambiárricas, de Márcio Nonato e Paula Carneiro Dias
[DANÇA – Vão Livre do TCA, 14h00]
MAÇAROCA: s.f. Pequena bobina sobre a qual a fiandeira enrola o fio./ Espiga de milho./ Canudo de cabelos que apresenta a forma de uma espiga de milho./ Molho, feixe./ Porção de tripas enroladas e amarradas para vender./ Fig. Enredo, maranha./ A extremidade cabeluda da cauda dos bovinos./ Bolas de crinas embaraçadas na cauda dos cavalos./ Duas pessoas escorrendo emaranhadas ladeira abaixo.
Ficha técnica: Concepção e Performance: Márcio Nonato e Paula Carneiro Dias/ Imagens: Léo França/ Edição das Imagens: Paula Carneiro Dias/ Cafofinho: Luis Parras

A Rádio do Seu Coração, da Cia. Fulanas de Circo
[CIRCO – Teatro Martim Gonçalves, 16h00]
Inspiradas na nostalgia da época de ouro do rádio brasileiro, o enredo conta a história de duas mulheres apaixonadas que se encontram para sentir nas ondas do rádio a magia do amor em seus corações. Levados pela emoção deste encontro, seus corpos evoluem em performances circenses, com números e aparelhos criados especialmente para o espetáculo. Além de importante meio de comunicação que ajudou a integração do Brasil, o rádio foi também companheiro de milhares de mulheres apaixonadas, espalhadas por este país afora. No momento em que a TV era para poucos, a rádio começava a apresentar para os seus ouvintes os primeiros artistas populares da música brasileira: Dalva de Oliveira, João de Barro, Ari Barroso, Herivelto Martins e Francisco Alves, verdadeiros ícones da cultura nacional. Sambas, marchinhas, tangos e boleros compõem a trilha sonora, tocada ao vivo por uma banda que embala o espetáculo. No roteiro, cenas que sincronizam trapézio duplo estático, trapézio em balanço, swing de fogo, clown e magia, através do seu grande rádio mágico. Dança, música, teatro e arte circense se entrelaçam para representar a maturidade e o profissionalismo da arte circense baiana.
Ficha técnica: Criação e atuação: Luana Tamaoki e Nana Porto

Gráfico Planificado da Violência, de Fernando Lopes
[DANÇA – Praça Dois de Julho, 16h00]
Quantos corpos foram ao chão de Salvador sem vida esse ano? Que corpos invisíveis são esses que estão no nosso meio, modificando a maneira como entendemos a segurança em Salvador e nos colocando de cara com nossos medos? Esta intervenção urbana surge destes sentimentos de apreensão e medo, e dos crimes e mortes que têm assolado a capital baiana nos últimos anos. Sob a concepção e direção de Fernando Lopes e apoio de diversos artistas, o trabalho pretende "planificar" o índice de assassinatos ocorridos em Salvador, pintando marcações de corpo nas ruas, interferindo assim no espaço urbano e na maneira como a população experiencia as ruas da cidade.
Ficha técnica: Concepção: Fernando Lopes/ Ação: Fernando Lopes, Camila Correia, Luna Dias, Eline Gomes, Nyrlin Seijas, Adjair dos Reis Vieira, Ivonaldo de Jesus Santos, Maria Railda Costa, Neide Santos de Souza, Sandra Maria Batista dos Santos e Leonilson Souza

Síntese, do Grupo de Performances Street Vibe
[DANÇA – Vão Livre do TCA, 18h30]
O Grupo de Performances Street Vibe surgiu no início de 2009, em Vitória da Conquista (BA), com o objetivo de promover as danças urbanas. Atua em interfaces híbridas do popping com linguagens de danças urbanas com ênfase nas técnicas dance performed with sensitivity (dança desempenhada com sensitividade). O processo coreográfico de Síntese é uma reinvenção de junção de conhecimentos de diversos estilos de danças urbanas, onde atuam dois intérpretes coreográficos: Ronne Costa (Hypnose) e Flávio Souza (Flávio Soul). As trilhas musicais, em sua grande maioria, foram especialmente criadas para enriquecimento do trabalho, resultando numa faixa sonora de gêneros variados, que vão desde a música erudita, glicht music, house music, RNB, até a dubstep music.
Ficha técnica: Direção Geral: Ronne Costa/ Coreógrafos: Ronne Costa e Flávio Souza/ Produção musical: Ronne Costa/ Concepção figurinista: Ronne Costa/ Marketing e relações públicas: Gisele Assis

Namíbia, Não!, de Lázaro Ramos
[TEATRO – Sala do Coro do TCA, 20h00]
Recentemente, recebeu o Prêmio R7 de Melhor Texto de Teatro de 2012 – São Paulo, através de votação popular, que mobilizou mais de 100 mil votantes. Contemplada com os prêmios Braskem de Teatro 2011 e Myryam Muniz 2010, ambos na categoria Melhor Texto (autoria de Aldri Anunciação), Namíbia, Não! é dirigida por Lázaro Ramos e já se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza e Brasília, tendo sucesso de bilheteria em todas estas capitais. Só na Bahia, contabiliza mais de 30 mil espectadores desde sua estreia (março/2011). O argumento da peça parte da seguinte situação hipotética: o ano é 2016 e o governo brasileiro decreta que todos os cidadãos de melanina acentuada sejam deportados para um país da África. Com humor e inteligência, a partir do confinamento de dois primos em um apartamento por causa desta absurda Medida Provisória, o espetáculo provoca uma discussão sobre a situação do negro no Brasil. Nesta apresentação, em substituição ao ator Flávio Bauraqui, estará o jovem ator baiano Fernando Santana, que dividirá a cena com o também autor Aldri Anunciação.
Ficha técnica: Texto: Aldri Anunciação/ Direção: Lázaro Ramos/ Assistência de direção: Ana Paula Bouzas e Thiago Gomes/ Elenco: Aldri Anunciação e Fernando Santana/ Música: Arto Lindsay, Wladimir Pinheiro, Rafael Rocha e Rodrigo Coelho/ Supervisão artística: Luiz Antônio Pilar/ Iluminação: Jorginho Carvalho/ Cenário: Rodrigo Frota/ Figurino: Diana Moreira/ Produção executiva: Kalik Produções Artísticas/ Realização: Tô Ligado Produções

A Alma Encantadora do Beco, de Djalma Thürler
[TEATRO – Beco dos Artistas, 21h00]
Espetáculo de Teatro de Rua de variedades com dose de política identitária. Baseado no livro de João do Rio, A Alma Encantadora das Ruas, e nos musicais políticos da época da Ditadura, como Opinião e Brasileiro: Profissão Esperança, o autor faz um passeio por textos e músicas que fazem da rua um espaço privilegiado e ambíguo, de vida e morte, de encontros e abandonos. É uma crônica musical sobre a subalternidade que consagra a rua como o espaço da diversidade. O projeto foi contemplado com o Edital FUNARTE Teatro de Rua de 2011.
Ficha técnica: Atores: Duda Woyda e Valerie O’Harah/ Texto e direção: Djalma Thürler/ Direcao musical e trilha sonora: Roberta Dantas/ Figurino: Valerie O’Harah/ Cenografia: José Dias

Dia 29 de junho (sábado)
De Sol, De Céu e De Lua, de Mariana Moreno e Grupo Teca-Teatro
[TEATRO – Sala do Coro do TCA, 16h00]
Idealizado pela atriz e produtora Mariana Moreno (Baú Produções Artísticas) e pela Cia Teca-Teatro, formada por Marconi Araponga e Luciana Comin, o espetáculo, pioneiro em Salvador, se vale de estímulos sensoriais, imagens poéticas, sons e dramaturgia para valorizar a ludicidade de crianças de zero a 6 anos, através da inspiração nos poemas de Manoel de Barros e das telas do espanhol Joan Miró. Os artistas-criadores têm experiência de oito anos com teatro feito com e para crianças. Dentro do teatro, os menores – até 12 meses de idade – são convidados a sentar no palco, acompanhados de um adulto, para vivenciar de perto esta experiência – quase sempre a primeira. De Sol, de Céu e de Lua mostra as brincadeiras de uma "menina-árvore" e encanta bebês, adultos e crianças pela delicadeza e lirismo das cenas. O texto – com participação primorosa em off de Harildo Deda – permeia as cenas, mas prioriza-se, no auxílio à narrativa, o trabalho corporal, efeitos sonoros e estímulos dos sentidos (formas e texturas, tecidos com perfumes, esguichos de água etc.).
Ficha técnica: Concepção cênica, realização, atuação e programação visual: Mariana Moreno/ Concepção cênica, realização e atuação: Luciana Comin/ Concepção cênica, realização, direção e iluminação: Marconi Araponga/ Trilha sonora: Luciano Salvador Bahia/ Operação de áudio: Martina Pimenta/ Vozes em off: Harildo Déda, Gabriela Almeida, Luana Carrera e Rafael Rodrigues/ Cenografia: Atelier Cenográfico Maurício Pedrosa/ Preparação corporal: Tiago Enoque/ Consultoria psicopedagógica: Aline Villafane/ Execução de figurinos: Karina Allata/ Programacao visual: Daniel Paixão/ Fotografia: Alessandra Nohvais

Ah, Se Eu Fosse Marilyn, de Edu O.
[DANÇA – Praça Dois de Julho, 16h00]
Proposta artística de intervenção urbana, criada por Edu O. em parceria com a Cia Dezeo-Ito, para ser realizada em praias de Salvador, agora adaptada para a Praça Dois de Julho. Pretende refletir sobre o que nos tornamos com a passagem dos anos. Aquilo que chamamos de "chegar lá" e corresponde aos desejos antigos. Quando sabemos que chegamos lá? Quando alcançamos os sonhos? Um homem travestido de Marilyn Monroe e, assim como Winnie, personagem de Samuel Beckett em Dias Felizes, enterrado até a cintura, consumido pela areia, lendo um livro e fazendo ações cotidianas, do dia-a-dia doméstico, como escovar dentes, pentear cabelos, se maquiar. Olha-se no espelho e não vê aquele que pretendia ser, mas gosta do que é. Cabelos falsos, loiros, boca borrada, livro na mão. Tornou-se aquilo que consumiu, absorveu.
Ficha técnica: Criação e intérprete: Edu O./ Direção de produção: Catarina Gramacho/ Produção: Ampla Produção e Eventos/ Fotografia: Alessandra Nohvais

Das Ruas para Ruas, de Independente de Rua
[DANÇA – Vão Livre do TCA, 18h30]
A apresentação trabalha com as técnicas da dança de rua, popping locking e breaking e outras técnicas como o contacto e contemporâneo, com a coreografia direcionada a músicas nacionais remixadas. O grupo Independente de Rua articulou-se a partir da roda de break no Centro Histórico, onde é sua casa e local fixo de ensaios, treinos, aulas, intercâmbio, palestras e apresentações. Das Ruas para Ruas é o reconhecimento e comemoração de seus 10 anos de trabalho na Praça da Sé e bairros de Salvador, sempre com o intuito de fortalecer e ampliar a dança de rua, dando a ela visibilidade e garantindo a sua originalidade. Nascida nas ruas, crescida nas ruas e permanece nas ruas.
Ficha técnica: Coreógrafo e dançarino: AnaniasBreak/ Dançarinos: Adson Braga (Shura), Alan Moura, Danilo Jesus, Jerfeson Santos (Snony) e Tiago Santos (Stree)/ Figurino: TB

Entre Nós – Uma Comédia sobre Diversidade, de João Sanches
[TEATRO – Sala do Coro do TCA, 20h00]
Com três premiações pelo Prêmio Braskem de Teatro (Melhor Espetáculo, Melhor Ator – Igor Epifânio e Melhor Texto), o espetáculo tem texto, direção, iluminação e figurino de João Sanches e traz no elenco Igor Epifânio e Anderson Dy Souza no papel de atores que tentam inventar na hora uma história de amor entre dois jovens gays. Para isso, eles enfrentam uma série de situações conflitantes e engraçadas, até decidirem o destino dos personagens Rodrigo e Fabinho. Assim como na vida real, apresenta um nó difícil de ser desatado. Enquanto os personagens encaram suas sexualidades com naturalidade, os atores que os interpretam se constrangem, se confrontam e se atrapalham em cenas carregadas de humor. Esses momentos são pontuados pela trilha sonora executada ao vivo por Leonardo Bittencourt, que também assina a direção musical. No decorrer da criação do enredo, os atores da ficção se confrontam com os seus próprios preconceitos e visões de mundo. Isso pede para que o público decida sobre o desfecho da peça: se o casal deve ficar junto ou não.
Ficha técnica: Texto, direção, figurino e iluminação: João Sanches/ Elenco: Igor Epifânio e Anderson Dy Souza/ Trilha sonora ao vivo: Leonardo Bittencourt/ Produção: Patrícia Rammos (Da Preta Produções)/ Assistência de Produção: Andréa Machado

Butô de Bêbado Não Tem Dono, do Grupo Alvenaria de Teatro
[TEATRO – Ladeira da Fonte, 21h00]
Numa livre adaptação de uma frase de Christine Greiner, pode-se dizer que o espetáculo é sobre capturar espíritos em um intervalo de tempo-espaço chamado "bar". Os corpos podem ser chamados de Fantasmas, Espíritos, Sombras. Mas, em verdade, são outra espécie de coisa: superfícies de encontro, espelhos de duas faces, portais. Construções ocas que trafegam as fissuras de um bar ou de uma praia: dejetos, cacos, fragmentos. Essas figuras não têm fundo, não têm profundidade – toda profundidade aqui resulta tão-somente de encontros, do espaço que se cria entre quem as observa e quem as move. Não existem como indivíduos, personas, personagens – subsistem como a Sombra de quem as vê ou o Espírito de quem as incorpora; como a imagem de um passado morto ou de um futuro em gestação. Enfim, existem apenas nesse presente eterno do acontecimento. São a superfície fantasmagórica que liga dois lados de uma mesma experiência: o real e o imaginário, o sonho e a vigília, o corpo e a linguagem, a memória e a ação.
Ficha técnica: Criação coletiva: Grupo Alvenaria de Teatro/ Elenco: Camilla Sarno, Ci Moura, Felipe Benevides e Liliana Mattos