Artes visuais, audiovisual, circo, dança, música e teatro da Bahia batem bola na Copa das Confederações em Salvador

28/05/2013

Expoentes e veteranos das artes baianas participam de ações que ocupam o Complexo Cultural dos Barris, o Teatro Castro Alves e o MAM-BA, tudo com entrada franca

Durante o período da Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013, não apenas o futebol é arte e estrela na Bahia. Enquanto o Brasil se reúne em torno deste grande evento esportivo, e Salvador recebe três jogos do torneio, artistas do estado estabelecem diálogo com outros cenários culturais, com a cidade, com cidadãos locais e turistas – uma oportunidade de mostrar ao mundo a produção artística baiana e completar a festa da população residente com acesso privilegiado a apresentações e mostras de artes visuais, audiovisual, circo, dança, música e teatro da cena contemporânea do estado. Dentro do projeto Cultura em Campo, em que a Secretaria de Cultura do Governo do Estado (SecultBA) realiza uma programação cultural neste momento, a Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) promove quatro ações: o CINESomBA, um festival que une audiovisual e música; o MAM-BAHIA: Outras Sonoridades, com sete shows de expoentes e veteranos; a Programação Baiana de Circo, Dança e Teatro, com 25 trabalhos destas linguagens; e a exposição Esquizópolis, que reúne as obras premiadas nos Salões de Artes Visuais da Bahia 2012. Todas as atrações são gratuitas.

CINESomBA
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Cinema que dialoga com a música, música que dialoga com o cinema; cineasta que faz música, músico que faz cinema; videoclipe, a mais clara junção entre as duas linguagens: assim é o festival CINESomBA, que ocupa a estrutura do Complexo Cultural dos Barris, o que inclui as salas Alexandre Robatto e Walter da Silveira, escadaria da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, Quadrilátero da Biblioteca e Galeria Pierre Verger. Mostras e instalações, além de exibições audiovisuais em videomapping e transmissão de jogo do Brasil, estão na programação, que se estende ao longo de três dias, de 14 a 16 de junho (sexta a domingo), das 9 às 22 horas, com entrada franca. Na lista de filmes, traços da música da Bahia aparecem em curtas, médias e longas-metragens. Ao final de cada dia, um show encerra as atividades em conexão com o que foi visto nas telas, trazendo André Luiz Oliveira, Marcia Castro, Curumin, Anelis Assumpção, Karina Buhr, Mariella Santiago e Moreno Veloso.

Diariamente, durante todo o horário do evento, visitantes vão se deparar com uma instalação sonora com obras do músico Arto Lindsay. Também todos os dias, a partir das 18h30, videoclipes baianos dos mais variados estilos, do rock ao pagode, da MPB ao arrocha, serão exibidos na fachada da Biblioteca e, em seguida, os VJs Jan Cathalá e Caetano Britto, ao lado dos DJs Edbrass e Maira, também fazem suas projeções em videomapping.

Na sexta-feira (14/6), durante a tarde até início da noite, tem os curtas O Alquimista do Som (Walter Lima), CUCETA – A Cultura Queer de Solange Tô Aberta (Claudio Manoel), Hip Hop com Dendê (Fabíola Aquino e Lílian Machado) e Brasilianos (Claudia Chávez), e os médias e longas O Irrecuperável (Marcela Bellas), Filhos de João – Admirável Mundo Novo Baiano (Henrique Dantas) e Cacau do Pandeiro – O Mundo na Palma da Mão (Marcio Santos). A mostra contará, ainda, com uma edição especial da obra em construção A Mensagem de Fernando Pessoa – Mito e Música, do diretor André Luiz Oliveira, que também apresentará, às 21 horas, o show A Mensagem, em homenagem a Fernando Pessoa, com participação da fadista portuguesa Gloria de Lourdes.

No sábado (15/6), a partir das 14 horas, os DJs Edbrass e Maira fazem o som de aquecimento para a transmissão do jogo Brasil X Japão, às 16 horas, no Quadrilátero da Biblioteca. A festa do dia se completa com Marcia Castro, Curumin, Anelis Assumpção e Karina Buhr num espetáculo em reverência aos Novos Baianos.

No último dia, domingo (16/6), além do curta O Novíssimo Baiano – Rafael Pondé (Hélio Rodrigues), toda a tarde será recheada de médias e longas: Efeito Bogary (Rodrigo Luna e Renato Gaiarsa), Os Doces Bárbaros (Jom Tob Azulay), Úteros em Fúria – Uma Videobiografia (Chico Castro Jr.), A Loucura Perde (Alexandre Guena), Samba-Reggae: A Arma É Musical (Maira Cristina) e Sonora Rio-Bahia (Jasmin Pinho). Fechando o evento, Mariella Santiago e Moreno Veloso fazem show em homenagem a Caetano Veloso.

MAM-BAHIA: Outras Sonoridades
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A música que representa a Bahia contemporânea para o mundo reunida em três domingos no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).

No primeiro domingo (16/6), a partir das 18 horas, tem Samba Chula de São Braz, de Santo Amaro, Recôncavo da Bahia, com suas tradições musicais, e o balanço e ritmos pulsantes de Dão & A Caravanablack. Antes e no intervalo das apresentações, o DJ Roger’N’Roll faz o som.

No segundo (23/6), também a partir das 18 horas, OQuadro, diretamente de Ilhéus, apresenta seu hip hop; Os Nelsons, de Paulo Afonso, vem com seu dub baiano; e BaianaSystem, um dos mais destacados fenômenos da atual cena local, coloca a guitarra baiana para fazer música urbana. Nos intervalos, DJ Mauro Telefunksoul comanda a festa.

Por fim, no último dia (30/6), a partir das 15 horas, é vez da inconfundível voz de Lazzo Matumbi, mestre da música negra brasileira com mais de 30 anos de carreira, e de Marcia Castro, em sua mistura de gêneros que a coloca como representante fundamental da música baiana desta geração. O DJ Roger’N’Roll mais uma vez toca na abertura e entre os shows.

Esta especialíssima seleção parte do programa Bahia Music Export, uma parceria da Assessoria de Relações Internacionais da SecultBA com a FUNCEB, que apoia a promoção internacional da música da Bahia. Todos os nomes que integram o MAM-BA: Outras Sonoridades fizeram parte de pelo menos uma das três coletâneas lançadas pelo projeto em 2010, 2011 e 2012, e que foram utilizadas em ações de internacionalização da produção musical do estado. O fato de estarem nestes álbuns, que têm curadoria de especialistas em promoção da música brasileira nos mercados de outros países, é mais uma comprovação do potencial artístico e da relevância crítica e popular destes exemplares artistas e bandas da Bahia.

Programação Baiana de Circo, Dança e Teatro
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Vinte e cinco propostas de circo, dança e teatro, entre espetáculos, intervenções urbanas, apresentações de teatro de rua, dança de rua e cenas curtas, se apresentam no Vão Livre e na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, além de se estenderem em ocupações do entorno do teatro, no Campo Grande. As sessões ocorrem em todos os locais nos dias 17, 18 e 21 junho, e depois seguem diariamente de 25 a 29 do mesmo mês, todas com entrada franca.

Variadas estéticas, artistas, grupos, trajetórias estão na lista, que foi definida a partir de um recorte que também considera o universo de obras apoiadas através dos projetos e mecanismos de apoio da FUNCEB/SecultBA em anos anteriores, a exemplo do Quarta que Dança, Temporada Verão Cênico e Kit Difusão do Teatro da Bahia.

Na área de circo, estão A Rádio do Seu Coração (Cia. Fulanas de Circo); É das Palhaças que Eles Gostam Mais (Nariz de Cogumelo); Estórias Africanas (Nação Circense); O Mágico Dimmys (Ediomário Odilon); O Circo de Um Homem Só (João Lima); e O Malabarista (Malabares Mágicos), oriundo do Vale do Capão – Palmeiras, na Chapada Diamantina.

Em dança, estão Ah, Se Eu Fosse Marilyn (Edu O.); Colapso (Ariana Andrade); Dança das Palavras (Jean Souza), da cidade de Candeias; Das Ruas para Ruas (Independente de Rua); Gráfico Planificado da Violência (Fernando Lopes); Instante Dilatado (João Perene Núcleo de Investigação Coreográfica); Maçaroca – Investigações Gambiárricas (Márcio Nonato e Paula Carneiro Dias); Opaxorô (Grupo Gênesis – Mestre King); e Síntese (Grupo de Performances Street Vibe), de Vitória da Conquista.

Já em teatro, a programação traz A Alma Encantadora do Beco (Djalma Thürler); Bastidores – A Festa que Você Não Vê (Jacyan Castilho); Butô de Bêbado Não Tem Dono (Grupo Alvenaria de Teatro); Das Tripas, Coração (Roberta Nascimento); Entre Nós – Uma Comédia sobre Diversidade (João Sanches); Namíbia, Não! (Lázaro Ramos); O Circo de Soleinildo (Companhia Operakata de Teatro), de Vitória da Conquista; Sebastião (Fábio Vidal); Siré Obá – A Festa do Rei (Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas), da cidade de Alagoinhas; além do infantil De Sol, De Céu e De Lua (Mariana Moreno e Grupo Teca-Teatro), que excepcionalmente tem sua sessão às 16 horas na Sala do Coro do TCA.

Esquizópolis
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Uma mostra da atual produção baiana em Artes Visuais, apontando sua diversidade e ressaltando sua interlocução com o universo artístico: assim é a exposição Esquizópolis, que reúne as 17 obras premiadas nos Salões de Artes Visuais da Bahia 2012, que foram realizados em Irecê, Jequié e Juazeiro, em diálogo com peças do acervo do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). Como resultado, o conjunto aborda o crescimento desordenado de Salvador e da Bahia, a partir da convivência de formas de desenho urbano e arquitetônico das cidades. Numa correalização entre a Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) e o MAM-BA, unidade do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), Esquizópolis será aberta no dia 20 de junho, às 19 horas, e seguirá com visitação gratuita até 1º de setembro.

Atualmente, o MAM-BA está trabalhando de acordo com uma proposta de externalização de projetos que promove eventos ligados ao museu em espaços externos a ele. Neste sentido, parte da exposição Esquizópolis acontecerá no espaço do Museu Náutico da Bahia, no Farol da Barra. Obras de três dos artistas que integrarão a mostra – Vauluizo Bezerra, Gaio Matos e Danillo Barata – estarão lá alocadas, em um diálogo direto entre acervo do Museu Náutico e proposta curatorial de exposição. Além destes, os demais trabalhos que integram a mostra estarão expostos na Galeria 3 e na Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia.

Esquizópolis resulta de uma ampliação do alcance dos Salões de Artes Visuais da Bahia, que, em 2012, comemoraram 20 anos dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia, consolidados como um dos principais objetos de incentivo à criação e difusão de produção artística e à dinamização dos espaços expositivos do interior do estado. Com o novo nome, o projeto assumiu sua representação múltipla e contemporânea, que extrapola referências e características regionais. Na edição do ano passado, foram 75 obras selecionadas através de edital público, de 68 diferentes artistas, dentre 218 propostas inscritas. Além da oportunidade de terem seus trabalhos expostos num projeto reconhecido e que corrobora a qualidade artística das obras, os artistas participantes também concorreram a prêmios: em cada Salão, três obras receberam R$ 7 mil cada, a partir da indicação de Comissões de Premiação. Ainda foram concedidos prêmios simbólicos: as Menções Honrosas, também pela Comissão, e o Prêmio do Público, pela escolha dos visitantes. Assim, fortalecendo a divulgação e a difusão do trabalho dos participantes, bem como aumentando o alcance do projeto e confirmando a sua inserção num cenário mais amplo das Artes Visuais, todas estas obras premiadas chegam ao MAM-BA em Esquizópolis.