A Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) lamenta a morte de Naná Vasconcelos, aos 71 anos, um dos maiores nomes da percussão brasileira, na manhã desta quarta-feira (09), em Recife. A última apresentação de Naná foi em Salvador, no NALATA - I Festival Internacional de Percussão, onde se apresentou ao lado de Lui Coimbra, no dia 27 de fevereiro. O percussionista teria passado mal logo após o show. Segundo a assessoria do Hospital Unimed III, onde ele estava internado desde o dia 29.02, devido a complicações causadas por um câncer no pulmão descoberto no ano passado, o músico teve uma parada respiratória e passou por um procedimento, mas não resistiu, falecendo às 7h39.
Na Bahia, Naná Vasconcelos foi responsável pela direção artística do Panorama Percussivo Mundial (Percpan), festival de música voltado especialmente a músicos que exploram instrumentos de percussão. Nas edições de 1994 a 2013 o programa foi realizado no palco principal do Teatro Castro Alves, equipamento mantido pela Secretaria de Cultura do estado da Bahia (SecultBA) por meio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB).
“Naná se firmou como um dos mais respeitados instrumentistas do país, como referência na percussão, sem ter frequentado nenhuma escola de música durante sua formação. A música brasileira está muito sentida hoje”, afirmou o secretário de cultura, Jorge Portugal.
Durante sua carreira, Juvenal de Holanda Vasconcelos - apelidado de Naná por sua avó - sempre teve preferência por instrumentos de percussão. Nos anos 60 se notabilizou por seu talento com o berimbau. Em 1967 mudou-se para o Rio de Janeiro onde gravou dois LPs com Milton Nascimento. No ano seguinte, junto com Geraldo Azevedo, viajou para São Paulo para participar do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré no histórico Festival Internacional da Canção. Sua obra foi propagada e respeitada dentro e fora do Brasil.
Naná fez parte do grupo Jazz Codona, com o qual lançou três discos. Gravou também com B.B King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads. Participou de álbuns de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A.
Naná Vasconcelos ganhou, por sete anos consecutivos (1984-1990), o prêmio de Melhor Percussionista do Ano da conceituada revista de jazz Down Beate oito prêmios Grammy. O pernambucano também fez trilhas sonoras para filmes nacionais e norte-americanos. Em 2013, o músico fez a trilha sonora da animação O Menino e o Mundo, que disputou o Oscar de melhor filme de animação em 2016. No dia 9 de dezembro de 2015, Naná Vasconcelos recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).