26/07/2016
O Dia Nacional do Escritor, 25 de julho, foi celebrado ontem pela Funceb, com o Lançamento do Edital de Residência Artística para Escritores no Instituto Sacatar 2016 e com a abertura de inscrições para Oficina “Edições cartoneras: produção alternativa de livro", com o Coletivo Tear, de Pernambuco, na Biblioteca do Goethe Institut (Icba). O evento contou com a presença do arquiteto e co-fundador do Sacatar, Taylor Van Hornes, do gerente do instituto, Augusto Albuquerque, da diretora da Funceb, Fernanda Tourinho, da diretora da Dirart, Lia Silveira e da coordenadora de Literatura, Karina Rabinovitz.
Selecionados pelo Edital de Residência Artística para Escritores no Instituto Sacatar, Marielson Carvalho (edição 2014) e Tom Correia (edição 2015), além de Luciany Aparecida, que participou do processo seletivo em 2015 e foi convidada pelo Sacatar a fazer residência no local, contaram divertidas histórias da residência em Itaparica.
Fernanda Tourinho iniciou a mesa dando viva aos escritores e à resistência dos autores, além de comentar que adora literatura, poesias, romances. “Adoro os que têm o dom da palavra! Nas artes, a literatura já tem um olhar ampliado, daquilo que se propõe como consciência. Mas tenho tido aprendizados novos sobre possibilidades da arte da palavra, que, me parecem, iluminam o cérebro”, detalhou. A gestora agradeceu ao acolhimento do Goethe/Icba ao lançamento e citou os escritores que fizeram residência no Sacatar ali presentes, destacando a generosidade do Instituto.
Gerente do Instituto montado na Ilha de Itaparica, Augusto Albuquerque se disse grato com a parceria com a Funceb, que chega agora à terceira edição, na área de literatura, além de gerar mais um edital, na área de artes visuais. “A Funceb tem uma direção que a gente vê, dialoga, torna possível”, disse. “Criamos o Sacatar em 2001 e temos uma demanda grande. De cada 100 inscrições, escolhemos duas”, comentou Taylor Van Hornes, co-fundador do Instituto, que sorria ao ouvir os relatos dos escritores participantes da residência na Ilha de Itaparica.
“Foi muito interessante ser escritor residente em Sacatar”, testemunhou Marielson. Ele destacou a importância de ter feito conexões na Ilha, inclusive com artistas plásticos, que foram marcantes em sua trajetória como agente cultural. “As redes foram se articulando”, concluiu. Luciany arrancou risos dos participantes da mesa ao contar como, depois de concorrer na seleção do edital, foi convidada pelo Sacatar para desenvolver seu projeto. “Eu sou muito influenciável”, narrou, especificando que na travessia do mar já mudou a ideia do que iria trabalhar em Itaparica, depois de ver o nome de uma embarcação: “Tive o imenso prazer de fazer residência, voltei com uma consciência de aproximação”.
A escritora, assim como Marielson e Tom Correia, aproveitou a luz da ilha para aprofundar noções plásticas, desenvolvendo os dons para a fotografia. Tom correia contou que ficou “chapado” vários dias após aportar. “Fui começando a fotografar, o Sacatar estimula muito o visual. Eu também me emocionei com o cheiro da comida, com o zumbido do navio passando longe da praia. Existe um impacto direto do ambiente. Salvador não chega no Sacatar da forma que imagina, não existe a paranóia”. Mas o elo está lá. Ao observar uma sequencia de sabiás que morriam ao baterem na porta de vidro do estúdio do escritor, ele encontrou inspiração para falar da morte de meninos baianos, abatidos pela violência em pleno voo.
Foto: Tomaz Neto