16/08/2016
Os facilitadores Alexandre Revoredo, Katarina Barbosa e Stephany Metódio, integrantes do Coletivo Tear
Começou nesta segunda, 15 de agosto, na sede da Diretoria de Audiovisual (Dimas), a oficina “Editoras Cartoneras: produção alternativa de livros”. Desenvolvida pela Coordenação de Literatura/Dirart da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) em parceria com o Coletivo Tear (Garanhuns/Pernambuco) e com o PROLER/Brumado, a oficina tem o intuito de expandir as possibilidades de produção literária na Bahia.
Os facilitadores Katarina Barbosa, Stephany Metódio e Alexandre Revoredo, integrantes do Coletivo Tear, ministraram aula aos 30 selecionados para participar da ação, que segue até o próximo dia 19 de agosto (sexta-feira). Entre os contemplados, estudantes, poetas, artistas visuais, escritores, atrizes e atores, fotógrafos, professores, designers e militantes do movimento literário.
O estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Artes da Ufba Cristiano Costa, 30, é um dos selecionados. Também integrante do grupo de pesquisa Latitudes Latinas da instituição, Cristiano afirma ter visto na oficina a oportunidade de agregar conhecimentos para aplicar dentro e fora do grupo. "Nós atuamos em algumas comunidades de Salvador e vimos aqui uma oportunidade de ampliar nosso conhecimento e repassar isso", afirmou.
A designer gráfica Maria Lúcia dos Santos, de 62 anos, também é aluna da turma. Estudando atualmente o curso de Especialização em Restauração e Conservação de Documentos, Maria se interessou pela oficina após descobrir que a produção cartonera pode ser um procedimento eficaz em seu trabalho. “Fui pesquisar o que era e descobri que trata-se de valorizar ainda mais o trabalho artístico, de forma mais barata e chique”, acredita.
Segundo Karina Rabinovitz, responsável pela Coordenação de Literatura/Dirart da Funceb, iniciar uma discussão acerca de produção alternativa de livros era um desejo antigo. "Salvador não tem uma editora cartonera e as discussões sobre isso ainda são muito embrionárias. O Coletivo Tear já é uma referência na área e tenho certeza que vai agregar muito", disse.
No primeiro dia de aula, os oficineiros apresentaram um panorama geral da produção cartonera no mundo, exemplificando a edificação desse processo em Pernambuco, através do selo Severina Catadora. De acordo com Stephany Metódio, a experiência do Coletivo Tear pode nortear o desenvolvimento dessa produção em Salvador, mas a forma como o projeto será conduzido vai depender da vivência sociocultural de cada pessoa. “Essa é uma rede de troca de experiências. O importante é saber que a forma de fazer é muito particular e vai depender do contexto de cada um”, afirmou.
Surgimento - A produção cartonera surgiu em 2002, em Buenos Aires, em meio a uma crise política e financeira na Argentina. A recessão do país fez com que o poeta Washington Cucurto elaborasse livros com capa de papelão, para driblar a crise de maneira simples e sustentável. A experiência deu tão certo que em 2003 surgiu a primeira editora do setor, a Eloísa Cartonera.
A iniciativa se espalhou pela América Latina e vem ganhando força no Brasil. Além de ser uma alternativa para diminuir os custos de uma produção literária, a cartonera trabalha com sustentabilidade, ao construir uma obra com páginas de papel reciclado e capas personalizadas de papelão, cortadas e pintadas manualmente, entre outras possibilidades.
Texto: Adriane Primo
Foto: Tomaz Neto