Sou dess@s – Fluir e Florir teve edição finalizada

07/11/2016
Rita Carneiro e Ana Talita, professoras dos Cursos Livres da Escola de Dança da Funceb, deram aula de dança do ventre e stiletto, no CPF

Depois de uma primeira etapa, com aulas na Escola de Dança da Funceb, o projeto beneficente Sou dess@s fluir e florir - Edição Femininos Encarcerados foi finalizado na manhã de sábado, dia 5 de novembro, com aula especial no Conjunto Penal Feminino. Os donativos, 330 pacotes de absorventes, simbolizando a feminilidade, foram levados ao CPF, onde a idealizadora do projeto, Rita Carneiro, ao lado da professora Ana Talita, ministraram aula de dança do ventre e stiletto. Virgínia Costa, diretora da Escola de Dança da Funceb, acompanhou a programação. A socióloga Natasha Khran (articulação do evento) registra o momento:

"'Sou dess@s – Fluiu e Floriu!', comentou, entusiasmada, a professora Rita Carneiro, ao final da aula no Conjunto Penal Feminino - CPF. O projeto, que teve início com suas duas primeiras atividades, realizadas nos dias 22 e 29 de outubro, na Escola de Dança da Funceb, ofereceu aulas de dança do ventre, stiletto, salsa, samba de roda e dança afro, em troca de dois pacotes de absorventes para doar para a unidade prisional, finalizou com a entrega destes e com uma aula de stiletto e de dança do ventre para as internas do CPF.

Da chegada à unidade prisional no sábado pela manhã, as agentes penitenciárias já alertaram que o clima no pátio estava tenso, deixando aquela dúvida de se seria possível realizar a atividade ou não. Não demos muito importância a isso para não desanimar. Organizamos tudo no espaço polivalente da unidade e, aos poucos, as internas foram sendo levadas para lá. As internas ainda chegaram tímidas, fechadas e até mesmo tensas pelo clima do pátio. O que logo chamou a atenção das internas foram os cabelos blacks das professoras, foram logo comentando e se identificando, assim quebrando o gelo e iniciando a interação.

O início das aulas foi logo um despertar de descontração. O tom descontraído, irreverente e simples da professora Ana Talita logo encantou a todas. Risadas, palmas e o afloramento da sensualidade foram a tônica da aula. De tímidas, aos poucos permitiram se empoderar, se mostrar, se achar, no melhor sentido da palavra.

A segunda aula, de dança do ventre, com a professora Rita Carneiro, foi marcada pela emoção. Os movimentos não foram acompanhados com a mesma facilidade da primeira aula, mas aos poucos as mulheres foram pegando e se entregando à dança. A última parte em que usaram véus/cangas, a professora deixou livre para que elas se expressassem e ousassem. Numa mescla entre as duas aulas, as mulheres se permitiram ousar. Ao fotografar, foi possível registrar os sorrisos e as expressões de imensa alegria.

A aula encerrou com palavras emocionadas da professora Rita Carneiro. Levando-as a voltar-se mentalmente para o ventre de onde vieram e entregando a elas toda a energia positiva transmitida pelas participantes das aulas dos dias 22 e 29 de outubro. A professora falou sobre o projeto e de como as pessoas se entregaram e se envolveram nele, sem julgamentos.

O evento foi finalizado com um abraço coletivo nas professoras, sugerido pelas próprias internas. A aproximação, a afinidade, a liberdade para o contato foram sentidas de longe. A sensibilidade e a simplicidade das professoras encantaram as internas. Foi lindo, e, com certeza tocou de forma profunda as internas, as professoras e todas que puderam presenciar aquele momento. Sonho que se sonha junto se realiza, e foi o que aconteceu!

Envolvidas no projeto: Rita Carneiro (idealizadora, professora), Natasha Krahn (articulação), Ana Talita (professora), Luz Marina (diretora do CPF), Virgínia (diretora da Escola de Dança da Funceb), Iara Bueno (coordenadora de Atividades Laborativas), as agentes penitenciárias da CPF, as internas do CPF, as professoras que ministraram as aulas na Escola de Dança da Funceb nos dias 22 e 29 de outubro: Jocélia Freire, Marilza Olivera e Inah Irenam."

Texto e fotos da socióloga Natasha Krahn