Harildo Déda, Marcio Meirelles e Hebe Alves resgataram anos 60

15/02/2017

Hebe Alves, Harildo Déda, Marcio Meirelles e Fernanda Tourinho

Participantes da edição de “A Sopa de Maria” falaram sobre Teatro e memórias do período pré-Tropicália

 

Como eram os moços e moças que respiravam cultura na Bahia, no período pré-Tropicália? Harildo Déda, Marcio Meirelles e Hebe Alves se reuniram nesta terça-feira, 14.02, para responder a esta questão, durante a quinta edição da ação A Sopa de Maria. Para o público que lotou a área externa do Palacete das Artes, o diretor teatral Marcio lembrou de quando comprou o disco Tropicália ou Panis ET Circenses(de 1968) na loja A Modinha da Rua Chile. “Aquilo mudou a minha vida”, registrou, sobre a influência do movimento musical em sua juventude.

Pela primeira vez A Sopa de Maria teve transmissão ao vivo, atingindo artistas interessados, residentes de outras cidades dos territórios da Bahia. A plateia contou com a participação de artistas como Lia Robatto e Maria Moniz, que também prestaram depoimento, além da presença de nomes como João Figuer, Mariana Moreno, Marcelo Flores, Alethea Novaes, Selma santos, Carlos Betão, Bertrand Duarte e, em visita a Salvador, Emanuelle Araújo e Ana Cecília Costa, que atuam no eixo Rio São Paulo.

Emoção - No início da Tropicália Harildo Déda - hoje um professor aposentado, mas que continua encantando legião de alunos na Escola de Teatro -, já era um experiente ator. Foi o premiado artista quem iniciou a série de depoimentos da mesa formada no finalzinho da tarde e que tinha como objetivo resgatar a ambiência cultural na Bahia, nos anos 1960, antes que o movimento musical se consolidasse no eixo Rio-São Paulo, atingindo outras linguagens artísticas.

Em 1966, morando em Ilhéus onde fazia um estágio, o sergipano pegava ônibus todo fim de semana, para assistir teatro em Salvador, encontrar com todo mundo e conferir a sessão de cinema de arte no Guarani, no sábado. Neste clima, encontrou Álvaro Guimarães, que lhe perguntou se queria fazer o Arena conta Zumbi. “Não voltei pra Ilhéus nem pra pegar o resto da roupa, fiquei direto aqui e daí em diante não parei mais”, narrou, divertindo o público.

Outro momento emocionante da noite foi durante o depoimento de Hebe Alves, que lembrou de como, realmente, se considerou atriz, ao ver uma intérprete consagrada dar entonações idênticas a ele, na apresentação de um mesmo texto que ela havia trabalhado. “Fui andando para casa e chorando”, relatou. A atriz e professora da ETUfba também citou os propósitos da formação da Escola de Teatro, em um período de valorização do protagonismo e da criação artística fora de padrões eurocêntricos.

No final, foi servida uma sopa coordenada por Lia Silveira, diretora da Diretoria das Artes (Dirart) da Funceb, que atuou no Teatro Vila Velha, na ambiência pré-Tropicália, fazendo sonoplastia.

Projeto – A ação A sopa de Maria, junto com Essa Noite se Improvisa e Uma Ideia na Cabeça, faz parte do projeto Tropicália: Régua e Compasso. O projeto ainda inclui uma exposição, na Sala Contemporânea Mario Cravo Jr, com peças de artistas da música, da dança, e das artes visuais em evidência nos anos 60, como Lina Bo Bardi, Walter Smetack, Yanka Rudzka, Carybé, Juarez Paraíso, Lênio Braga, Jenner Augusto, Pierre Verger, além de fotos dos acervos de Lia e Silvio Robatto, recentemente doados ao Centro de Memória da Bahia.

O projeto é realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), em parceria com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) - ao qual pertence o Palacete das Artes -, e com a Fundação Pedro Calmon (FPC), entidades vinculadas à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). A ação desta terça, 14.02, foi desenvolvida pela Coordenação de Teatro /Dirart da Funceb.

Tropicália: Régua e Compasso foi idealizado por Fernanda Tourinho, diretora da Funceb e a exposição montada no Palacete das Artes tem curadoria de Murilo Ribeiro, diretor do espaço administrado pelo IPAC.

 

Serviço:

Tropicália: Régua e Compasso
Local: Palacete das Artes – Rua da Graça, 289, Graça


Visitação da exposição: terça a sexta, das 13h às 19h, sábado, domingo e feriado, das 14h às 19h
Programação até março, às terças, quartas e quintas-feiras sempre a partir das 17h:

A Sopa de Maria: Terças-feiras, 14 e 28/03
Uma Ideia na Cabeça: Quarta-feiras, até 30/03
Essa Noite se Improvisa: Quintas-feiras, 23 e 28/03
Seminário e lançamento de revista: Dias 29 e 30/03