27/03/2017

Na concentração, em frente ao Centro Social Urbano, em Amaralina, meninas exibiam, orgulhosas, a pintura facial e corporal que fazia menção ao costume da guerreira que homenageavam na VII Caminhada da Rainha Nzinga. O evento, com centenas de participantes, reuniu cerca de 150 alunas do Núcleo de Extensão da Escola de Dança da Funceb, no sábado, 25. “Trabalhamos a contextualização para que as crianças saibam que uma mulher negra, em 1800, conseguiu lutar contra a escravidão imposta por reis poderosos e brancos, portugueses. Estas mulheres tomam parte da história”, afirma Tereza Oliveira, dançarina e mestre em educação no núcleo do Nordeste de Amaralina.
As jovens alunas do Núcleo participaram do evento como convidadas da Ala de Abertura. A caminhada deste ano teve como tema Nzingas Tropicalistas em alusão ao movimento cultural também revolucionário que completa 50 anos.
“O Núcleo de Extensão da Escola de Dança da Funceb em Amaralina existe há 15 anos e foi criado em parceria com a Secretaria de Justiça. As aulas acontecem no Centro Social Urbano do Nordeste de Amaralina e claro, os alunos pertencem àquela comunidade”, detalhou Fernanda Tourinho, diretora da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).
Há sete anos, no Mês da Mulher, a SJDHDS promove a Caminhada Nzinga pelas ruas do bairro, finalizando o desfile na orla, onde atuam as baianas, para homenagear a mulher guerreira e transformadora, como foi a rainha angolana Nzinga. “O Núcleo participa. Mas esta participação se deve exclusivamente ao trabalho educativo e visionário da equipe de professores, em especial à incansável Tereza Oliveira, uma das criadoras da inesquecível Caminhada Axé”, relata a gestora Fernanda.
O desfile das alunas conta com o envolvimento de crianças e de suas famílias - pais, mães, avós, irmãos - na concepção dos adereços. Tereza Oliveira informa que adereços e contextualização da temática foram trabalhadas em paralelo com a dança em oficina, intitulada Conhecendo a nossa história. “A confecção das coroas das rainhas foi feita pelas crianças e seus pais”, acrescenta.