'Concha Negra' estreia com Filhos de Gandhy

16/08/2017
sfsfsfsf
Foto: Reprodução (Crédito não informado)
O projeto terá direção artística de Elísio Lopes Jr.

Garantir o lugar da música afro-baiana na programação mensal da Concha Acústica do Complexo do Teatro Castro Alves (TCA), o maior equipamento cultural da Bahia, é o objetivo do projeto Concha Negra, que estreará no dia 3 de setembro com espetáculo do afoxé Filhos de Gandhy e participação especial de Carlinhos Brown. Numa primeira etapa, que segue por uemestre até o mês de fevereiro, seis entidades de consistente reconhecimento foram convidadas a compor a programação. Completam a lista: Muzenza (8 de outubro), Ilê Aiyê (19 de novembro), Cortejo Afro (17 de dezembro), Olodum (7 de janeiro) e Malê Debalê (4 de fevereiro). Os shows acontecerão sempre em dias de domingo, às 18h, com ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).
Iniciativa do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), através do próprio TCA e do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), e em alinhamento com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), o Concha Negra se compromete a fomentar a diversidade que tanto identifica a Bahia, suas tradições e patrimônios culturais. O incentivo a mais um canal de visibilidade e acesso à música afro-baiana se alinha a políticas que reconhecem a cidadania cultural e a afirmação de identidades, combatendo preconceitos e valorizando a expressão das variadas manifestações humanas.
“O projeto Concha Negra é um abraço que o Governo do Estado dá, através da Secretaria de Cultura, à música e à arte dos afrodescendentes, dos negros da Bahia. É uma grande ação afirmativa e uma pequena parcela da grande dívida histórica que o Estado tem com o povo negro da Bahia e do Brasil”, afirma Jorge Portugal, secretário de Cultura da Bahia.
O projeto se lança com direção artística de Elísio Lopes Jr., mais um nome que, no uso de seu reconhecido talento e consistente carreira, atua pela promoção da cultura afro-brasileira. Além das apresentações principais, cada espetáculo terá a participação de pelo menos um convidado especial e também uma abertura com o Janela Baiana, ação continuada da SecultBA que abre espaço para artistas ou grupos emergentes da Bahia nos eventos da Concha.
Os blocos afro convidados serão remunerados com cachê fixo e ainda recolherão o valor arrecadado em bilheteria.
História dos Filhos de Gandhy – No dia 18 de fevereiro de 1949, os estivadores do porto de salvador estavam sentados ao pé de uma mangueira perto da sede da entidade (sindicato dos estivadores), preocupados com a falta de trabalho nos portos e a política de arrocho salarial, gerada pela crise do pós-guerra. Inconformados com a impossibilidade de o bloco carnavalesco “Comendo Coentro” desfilar, Durval Marques da Silva, conhecido como Vavá Madeira, sugeriu colocar um bloco na rua. A sugestão foi logo aceita entre os vários colegas da estiva e assim se deu a fundação do bloco Filhos de Gandhy. Desde então, o Afoxé, pioneiro da paz e com estilo próprio, não parou de crescer.
Nos primeiros anos, saiu cantando marchinhas até se dedicar especialmente ao ijexá, inclusive compondo suas próprias canções.
Nas ruas de Salvador no carnaval, o Gandhy cultua a nação Ijexá, impregnando a avenida com seu ritmo peculiar e cadenciado, perfumando as ruas com sua alfazema e formando o imenso tapete branco que simboliza a bandeira da paz. No desfile, são utilizadas algumas alegorias que relembram o sentimento de Mahatma Gandhi: o elefante, símbolo da força que teve para não se curvar diante do poder inglês; o camelo, símbolo da resistência que manteve fiel aos ideais de liberdade mesmo quando preso; e a cabra, símbolo da vida porque através do leite pode recuperar as forças e continuar a peregrinação em favor da liberdade do povo indiano.
A fantasia do Afoxé Filhos de Gandhy é composta por um lençol branco de 2,20m x 2,00m, costurado nas laterais, com uma abertura na parte superior e uma pintura na parte frontal com o tema do carnaval. O turbante é feito na cabeça do associado por artesãos, usando uma toalha de banho que, após ser dobrada, envolve a cabeça, com acabamento em linha e agulha. Para finalizar, é aplicado o broche, de formato redondo, com uma pedra azul, lembrando os marajás indianos. Um par de sandálias, meias e faixa completam o figurino junto com os colares, nas cores azul e branco: uma reverência aos orixás Oxalá e Ogum.
A Associação Cultural, Recreativa e Carnavalesca Filhos de Gandhy tem hoje sua sede localizada no Pelourinho, doada pelo Governo do Estado em 1983, onde funcionam, o ano inteiro, a administração e a quadra de ensaios, buscando na sua pluralidade sociocultural desenvolver atividades que, através do entretenimento e do respeito pela tradição, preguem a paz e abriguem pessoas de todos os credos, condições sociais e etnias.

SERVIÇO


Concha Negra: Filhos de Gandhy
Quando: 3 de setembro (domingo), 18h
Onde: Concha Acústica do Teatro Castro Alves
Quanto: Arquibancada R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Assessoria de Comunicação - TCA