Funceb lança Cia de Dança do Núcleo de Extensão de Brotas com dois espetáculos inéditos

23/10/2017
Funceb lança Cia de Dança do Núcleo de Extensão de Brotas com dois espetáculos inéditos

A Escola de Dança da Funceb ultrapassa os muros de sua sede, no Pelourinho. Por meio dos Núcleos de Extensão – iniciativa que visa expandir a atuação da tradicional Escola, mais jovens tem acesso às artes, em especial, à Dança. Neste final de semana, dias 20 e 21 de outubro, foi o momento de lançar a Cia de Dança do Núcleo de Extensão de Brotas, em evento que ocorreu no Teatro Solar Boa Vista, no Engenho Velho de Brotas. Na ocasião, os alunos apresentaram – pela primeira vez - os espetáculos “GANHADEIRAS” e “RESPEITE AS MINAS”, com concepções coreográficas assinadas peloS bailarinos do Balé do Teatro Castro Alves, Agnaldo Fonsêca, Paullo Fonsêca e Sylvan Barbosa.

“Esse trabalho de Núcleos, já faço há 12 anos, implantando em bairros como Plataforma, Nordeste e aqui, em Brotas, já há três anos. O esforço maior é fazer com que eles entendam que a arte é variável, que eles podem fazer o que já fazem, mas de uma forma mais elaborada, profissional. A intenção deste ano foi de forma, de fato, uma Cia de Dança. Nestes três anos, já passaram por aqui mais de 200 jovens”, explica o bailarino e coreógrafo, Sylvan Barbosa que, para ampliar o contato dos alunos com os profissionais da área, trouxe, este ano, bailarinos do BTCA. “Agora temos a parceria da Escola de Dança da Funceb, que nos auxilia com a assessoria pedagógica, viabilizando o trabalho. Estes espetáculos hoje vem consolidar um trabalho de qualidade feito na msitura de Dança e Teatro”, explica Sylvan.

O que se pode ver no palco, com a Cia de Dança do Núcleo de Extensão de Brotas, são 15 jovens que já demonstram, em suas performances, domínio da técnica, empatia e segurança – muitos deles que nunca dançaram antes, outros que começaram há muito pouco tempo. As coreografias enaltecem as mulheres, criticam o machismo e trazem uma homenagem às Ganhadeiras de Itapuã.

Os trabalhos foram concebidos e executados em parceria com o Balé do Teatro Castro Alves e a Diretoria de Espaços Culturais da Secult/Ba, com direção artística de Barbosa, coordenação Pedagógica de Junior Oliveira, que é Coordenador dos Núcleos de Extensão da Escola de Dança da FUNCEB. Falando de cultura brasileira, empoderamento feminino, preconceito de gênero, raça, cor e classe social, as dançarinas constroem poesias, cantam e dançam.

Dentre elas as jovens, Bianca e Camila Andrade de 20 e 19 anos, respectivamente. “Todo mundo se descobrindo, um projeto necessário, que nos faz descobrir coisas que não sabíamos. Eu nunca dancei assim antes. Sylvan e a Funceb nos levam pra diversos lugares, é um trabalho muito sério, que todo faz com muita garra, esforço e nos surpreendemos a cada ensaio com nossa evolução”, pontua Bianca.

Já Camila, que como a colega também é atriz, a experiência já adquirida em outros projetos só se aperfeiçoa com este Núcleo. “É renovador pra gente, uma experiência nova pra todos nós. Fazer esta estréia com estes espetáculos pra nós é inovador – desde o jeito que a gente dança até o que vem trazendo pra nós, pessoalmente. Aqui entendemos que podemos ganhar  o mundo, respeitando um ao outro através da arte”, diz Camila, que também como a colega, pretende seguir ambas as carreiras – atriz e bailarina.

Legado para a juventude

A Escola de Dança da Funceb, criada em 1984, é a primeira Escola Pública de Ensino da Dança, do Norte e Nordeste do Brasil, que atende a uma média de 1200 jovens a cada ano. São crianças, jovens e adultos, em especial afro-descendentes, oriundos de escolas públicas e moradores de bairros populares. Já em 2015, em parceria com o Balé do Teatro Castro Alves – BTCA e a Diretoria de Espaços Culturais – DEC/SecultBA, foram implantados mais dois Núcleos, em Brotas - Cine Teatro Solar Boa Vista, e em Lauro de Freitas - Cine Teatro Lauro de Freitas. Juntos, os Núcleos beneficiam mais de 300 crianças, adolescentes e jovens, com aulas de dança afro-brasileira,  dança moderna, balé clássico e dança contemporânea.


Fotos Dayse Cardoso