17/11/2017

Mestre King (Foto Tomaz Neto)
A Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/Secult) abriu - na tarde desta quinta-feira (16) - a Sala King, na sede do órgão, no Pelourinho. O espaço abrigará diversas atividades culturais, além de prestar homenagem a Raimundo Bispo dos Santos, mais conhecido como Mestre King, professor e primeiro homem negro a se graduar em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A atividade integrou a programação do Projeto Novembro das Artes Negras da Funceb, que celebra o mês da Consciência Negra e reúne a produção artística negra nas diversas linguagens com ações em Literatura, Artes Visuais, Dança, Audiovisual, Teatro, Música e Circo. O evento contou com a presença do Mestre King.
Na ocasião, aconteceu também a abertura da Exposição “Mestre King”, que ficará aberta ao público até o dia 30 de novembro. A expo traz um acervo de fotos retratando a trajetória profissional, desde quando ele era aluno da Escola de Dança da UFBA até se tornar coreógrafo renomado com o grupo Gênesis. A tarde também contou com a exibição de trecho do documentário: “Raimundos: Mestre King e as Figuras Masculinas da Dança na Bahia”, apoiado pelo Edital Setorial de Dança em 2014. A obra apresenta um pouco do legado deixado pelo Mestre, que revolucionou a prática e o ensino da dança contemporânea, sendo responsável pela formação dos principais nomes da dança afro na Bahia.
Dirigido pelo bailarino e coreógrafo Bruno de Jesus, com roteiro de Gabriel Ormuz Machado e produção de Inah Irenam, o documentário foi inspirado pelo espetáculo Raimundos que Bruno estreou em 2014 para celebrar os 50 anos de carreira de King.
“Esta ação é importante, pois celebra o novembro no segmento artístico e traz à tona o que as artes absorvem da cultura negra e africana, no geral. A arte negra traz outros conceitos implícitos, como por exemplo a valorização do feminino e dos bens naturais, o espírito de coletividade e os exercícios de compartilhamento, que são valores implícitos nas artes negras, por derivarem da cultura africana”, diz Diretora Geral da Funceb, Renata Dias.
“Acredito que celebrar o novembro é pensar nas artes negras para além da estética, sobretudo em uma perspectiva de crítica social. Uma narrativa que nos ajuda a fazer essa crítica social de uma forma mais diversa, mais plural, ampla, com uma maior perspectiva de futuro”, pontua Renata.

(Foto Tomaz Neto)
King, seu legado, sua história!
Com 74 anos e 53 anos de carreira, Mestre King falou para o público como começou sua vida na dança e da alegria de receber essa homenagem pela Funceb. “Me sinto feliz por este evento, que é importante para o estado, pois antigamente quase que não existiam essas manifestações, e as poucas que tinham ninguém frequentava. Espero que sempre tenham eventos como estes para rememorar a nossa cultura, pois as pessoas esquecem, por isso, nós temos que trabalhar para sustentar e manter essas ações. Assim como eu levei a dança afro na Bahia, aos trancos e barrancos, já que era o único na Bahia naquela época”, comenta King.
Segundo o Diretor do Centro em Formações em Artes (CFA/Funceb), Jacson Espírito Santo, eventos como esses são de extrema importância. “O Novembro das Artes Negras da Funceb tem sido muito importante, pois traz à tona a pesquisa, a difusão, a memória e, também, as produções artísticas de pessoas que tem um legado muito grande para colaborar com a sociedade, em especiais as danças de matrizes africanas”, acredita Jacson.
"No campo da celebração, inauguramos a Sala King como mais um espaço de experimento, troca e diálogo, e esta homenagem é super válida, porque falamos de uma pessoa que dedicou sua vida à Dança, que ao longo de todos esses anos colaborou com o processo formativo e da difusão da Dança Afro Brasileira" - Jacson Espírito Santo.
Inah Irenam, bailarina e produtora de dança, conta que já foi aluna dele e, atualmente produtora do seu documentário, disse que ficou muito orgulhosa em ver seu trabalho visto por todos. “King é nossa referência para a Dança e as Artes Negras da Bahia, é muito significativo esse evento para todos nós” comemora Inah.
Um outro participante do evento foi Valmir França, coordenador do centro de Referência Nelson Mandela (Sepromi): “Conheço King desde os anos 70, ele que dava o tom da arte, da dança negra contemporânea. King é o rei, uma figura importante para nova geração da juventude negra que chega com batuque”.
Com a Sala King e as demais ações do mês, a Funceb marca o projeto Novembro das Artes Negras, que chega com o propósito de viabilizar, potencializar e reconhecer as produções dos diversos agentes culturais negros do estado ao longo do ano, culminando com o Novembro Negro. Confira aqui a programação.

(Foto Tomaz Neto)