Funceb recebeu o espetáculo “Kaiala” seguido de um bate-papo com Mãe Jaciara sobre intolerância religiosa

30/11/2017
Kaiala (Foto: Jacson Espírito Santo)
Kaiala (Foto: Jacson Espírito Santo)

O Novembro das Artes Negras realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBA) teve sua última apresentação na tarde desta quinta feira (30) na sala King, sede da Funceb, Pelourinho. Na ocasião, após o espetáculo “Kaiala” interpretado pelo ator Sulivã Bispo, houve um bate-papo com a Ialorixá Mãe Jaciara, do Terreiro Abassá de Ogum, que, ao lado do ator, falou sobre intolerância religiosa e racismo.

O evento teve objetivo de reforçar e conscientizar sobre o respeito às pessoas da religião de matrizes africanas e a luta contra o racismo. “Kaiala comunica um sofrimento muito grande de uma religião que não é só sinônimo de resistência, ela é a resistência” explica Sulivã.

Kaiala é o primeiro solo de Sulivã e tem direção de Thiago Romero. Ao falar sobre a importância de se apresentar no Novembro das Artes Negras, o ator ressalta: “é enaltecer a cor, nossa luta, além de ser uma política de afirmação. É falar que estamos aqui de cabeça erguida, lutando e pedindo o respeito”.

Kaiala (Foto: Milla Carol)
Kaiala (Foto: Milla Carol)

A Diretora Geral da Funceb, Renata Dias, destacou: “o que a gente faz aqui é uma provocação inicial para todos que apreciaram nossa programação. O projeto se considera uma célula reprodutora desses discursos e da possibilidade de convivermos e de termos um futuro mais igual e justo”.

A Ialorixá Mãe Jaciara começou a fala abordando o tema da intolerância religiosa que diversos Terreiros de Candomblé vêm sofrendo ainda hoje. “Racismo e intolerância são duas coisas que não deveriam existir porque quando isso ocorre, falta respeito pelo outro, isso deixa as famílias tristes”.


kaiala

Já o Coordenador de Teatro da Funceb, Wanderley Meira, destacou a importância do projeto que celebrou o Mês da Consciência Negra: “a Fundação se abriu pra uma discussão dentro de suas instalações falando sobre o lugar das artes negras e de artistas negros”.

Sobre a apresentação, o coordenador ressaltou: “O espetáculo traz uma discussão das mais fundamentais nesse momento de intolerância religiosa em que a gente se encontra, já que o fundamentalismo religioso tenta se instalar sobre o nosso país, que se diz laico”.

Esta foi a última ação do projeto inédito da Funceb - o Novembro das Artes Negras - que pautou as diversas linguagens e a presença negra nestas manifestações artísticas.