19/01/2018
Premiado pelo Calendário das Artes 2017, iniciativa da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBa), o projeto Encontro Precioso: Uma História Abayomi, foi realizado em Vitória da Conquista pela filósofa e produtora artística Clara Rocha Mascena, com objetivo de falar nas escolas de rede pública sobre as histórias de cultura africana e indígena, trabalhando com a lei 10.639, que determina a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Africana em todas as escolas. Tratando o tema de maneira artística através de música, contação de histórias itans (palavra utilizada para falar de histórias e outros componentes culturais dos Iorubás - etnia do continente africano), pinturas corporais e confecção da Abayomi, boneca que dá nome ao projeto e possui uma relevância histórica e social em torno da identidade popular e diversidade cultural do povo brasileiro.
Participaram do projeto aproximadamente 750 crianças, desde que foram iniciadas as produções em outubro. Estudantes matriculados na rede municipal de ensino, de duas escolas da cidade “que foram escolhidas por atenderem a comunidade de uma das áreas mais violentas da cidade e por ser uma das escolas que atende crianças de uma comunidade de religião de matriz africana”, conta Clara.
Sabendo a importância de estimular e promover arte, a idealizadora do projeto explica como nasceu o projeto: “percebemos que nessa comunidade, bem como em toda a cidade, a negritude e tudo que a ela diz respeito é pouco valorizada ou invisibilizada. Então pensamos em escrever um projeto que oferecesse a comunidade, principalmente as crianças, arte e história ancestral, que remetesse a suas próprias raízes”, explica.Clara, que já estudou teatro e fez oficinas de palhaçaria, direciona seus trabalhos sempre para a cultura artística periférica. “Tivemos certeza do que já imaginávamos: mesmo após a lei 10.639, histórias da África continuam de fora do currículo escolar e a criança da rede municipal de ensino pouco tem contato com qualquer atividade artística”, por isso a proponente pretende seguir com as atividades iniciadas na comunidade das Pedrinhas em Vitória da Conquista, localidade onde Uma História Abayomi foi realizada.
Ao referir-se ao calendário das artes a proponente diz que “é uma iniciativa fantástica, uma vez que permite que atividades de pequenos produtores sejam postas em prática, projetos que em outros grandes editais não seriam aprovados por levarem em conta muito mais o currículo dos proponentes do que a própria importância do projeto em si”, finaliza.Boneca Abayomi - Símbolo de resistência e tradição, é um nome de origem ioruba (abay=encontro e omi=precioso) que costuma ser uma boneca negra, significando aquele que traz felicidade ou alegria. As bonecas não possuem costura, nem marcação de olhos, bocas e nariz, apenas nós, tranças e retalhos coloridos e foram produzidas por mães africanas a bordo do navios negreiros.