#Flipelô – Apresentação do 1º Diagnóstico de Literatura da Bahia e Bate-papo sobre o Sacatar marcaram a presença da Funceb

22/08/2018
flipelo
Foto: Lucas Rosário Ascom/SecultBa

Durante a participação da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) no segundo dia da Flipelô, 9 de agosto, no Museu Eugênio Teixeira Leal, foi apresentado o primeiro Diagnóstico da Literatura na Bahia, a partir do Mapa da Palavra - Ba. As informações apresentadas neste Diagnóstico são resultado de análises feitas a partir dos autores e obras cadastradas entre outubro de 2015 e março de 2016.

Na primeira etapa do mapeamento, os artistas da palavra cujas produções foram selecionadas e que autorizaram a divulgação das mesmas, tiveram suas produções divulgadas na plataforma virtual do projeto. Na segunda etapa, foram selecionadas produções literárias para compor quatro publicações digitais e impressas, com distribuição gratuita das Revistas Cartografias, lançadas em 2016.

  Foto: Lucas Rosário Ascom/SecultBa
plateiaNo total, foram 275 inscritos no Mapa da Palavra-Ba. Destes, 147 residem em Salvador e outros 128 estão em 25 territórios da Bahia. Os dados apresentados por Ramon Paranhos, assessor da coordenação de Literatura da Funceb e autor do Diagnóstico, mostram, por exemplo, que a distribuição das produções literárias é realizada, na maioria das vezes, em eventos de lançamento de livros, feiras literárias e saraus ou leituras públicas.

Ao realizar a análise da comparação da produção literária do Estado da Bahia por raça/cor, a partir das três mais frequentes (branca, parda e preta), destaca-se que artistas da palavra pretas/os publicam menos e trabalham mais com os seguintes temas: identidade de gênero e sexualidade, identidade étnica ou racial e situação de vulnerabilidade social. Para a diretora geral da Funceb, Renata Dias, “esses dados reforçam também que pretos e pardos se dedicam mais a esses temas por uma questão de vivência cotidiana”.

Quando se compara a produção literária, tomando como base o sexo masculino e sexo feminino, em geral, destaca-se que artistas do sexo feminino, mesmo sendo minoria, produzem mais literatura infanto-juvenil e artistas do sexo masculino produzem mais romance. Ambos produzem, em mesma quantidade, poesia e conto. Confira o Diagnóstico - Mapa da Palavra 2018 aqui!


Residência artística literária - À tarde do mesmo dia, a participação da Funceb na Flipelô aconteceu com um bate-papo descontraído entre os ex-participantes da Residência Artística para escritores no Instituto Sacatar, promovida em parceria com a Funceb. A Roda de Conversa aconteceu no Salão Nobre da Escola de Medicina da UFBA, no Terreiro de Jesus, e contou com a presença de Luciany Aparecida, Márcio Junqueira, Marielson Carvalho e Tom Correia. Na ocasião eles falaram sobre “Itaparica, o Sacatar e o impacto criativo das residências artísticas na Cida de artistas da palavra”.

ex-residentes do Instituto Sacatar
Foto: Tomaz Neto

Marielson aproveitou a ocasião para elogiar a ação: “acho interessante a divulgação da abertura do edital de residência artística do Sacatar acontecer em feiras literárias. Ano passado foi na Flica, este ano no Flipelô, e isso estimula muito quem está começando e busca conhecimento através das Feiras”. O ex-residente também leu um texto sobre sua experiência na residência e como isso impactou a sua vida.

salão nobre“É uma espécie de retiro criativo. O grande impacto, no meu caso, foi o retorno à fotografia. Sacatar e Itaparica promoveram minha capacidade de entender a luz”, disse Tom Correia. Já Luciany destacou: “Foi uma experiência de felicidade. Tudo vira inspiração: o ambiente, a casa, as pessoas, as ausências das pessoas. Repensei minha educação, minha forma de pensar literatura. Essa parceria entre o Sacatar e a Funceb é indispensável para o estado da Bahia”.

Já Márcio Junqueira relatou suas produções e elogiou a flexibilidade da residência: “há a possibilidade de mudar, de reinventar, recriar e começar do zero”. No final, ele exibiu um vídeo-poema com imagens da Ilha de Itaparica . O vídeo é uma das 15 versões de uma mesma história que ele escreveu.
Foto: Tomaz Neto