24/04/2019

Fabi Carneiro da Silva foi selecionada pela obra "Terra Vermelha"
A voz do interior do estado se faz presente no edital Grafias Eletrônicas, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) em parceria com o Instituto de Radiodifusão da Bahia (Irdeb). O certame selecionou 20 textos literários, entre eles, o de Fabi Carneiro da Silva e de Álamo Pimentel, que trazem as faces dos interiores da Bahia.
A doutora em Literatura e professora adjunta do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Fabi Carneiro da Silva, desenvolve pesquisas e têm experiências em ensino com arte, educação e estéticas negro-brasileiras, além de atuar em produções artísticas de escrita, vídeo, dança e performance.
“O que me instiga e atrai é a vivacidade e dinamismo desse evento linguístico, que pode adquirir tantas formas e funções”, aponta Fabi. Morando há pouco tempo em Teixeira de Freitas, a artista tem se investido como professora para efervescer a cena literária da cidade, que, segundo ela, é carente no segmento literário.
Com o texto “Terra Vermelha”, a artista busca um encontro com a ancestralidade para estar e se manter viva frente às tensões criadas no mundo em que os homens estruturaram por bases colonialista, racista, patriarcal e cis-heteronormativo. “Por uma chave trans-histórica, é um texto que busca de modo sensível riscar na terra da palavra a conexão com algo maior”, afirma.
A doutora em Literatura e professora adjunta do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Fabi Carneiro da Silva, desenvolve pesquisas e têm experiências em ensino com arte, educação e estéticas negro-brasileiras, além de atuar em produções artísticas de escrita, vídeo, dança e performance.
“O que me instiga e atrai é a vivacidade e dinamismo desse evento linguístico, que pode adquirir tantas formas e funções”, aponta Fabi. Morando há pouco tempo em Teixeira de Freitas, a artista tem se investido como professora para efervescer a cena literária da cidade, que, segundo ela, é carente no segmento literário.
Com o texto “Terra Vermelha”, a artista busca um encontro com a ancestralidade para estar e se manter viva frente às tensões criadas no mundo em que os homens estruturaram por bases colonialista, racista, patriarcal e cis-heteronormativo. “Por uma chave trans-histórica, é um texto que busca de modo sensível riscar na terra da palavra a conexão com algo maior”, afirma.

Álamo Pimentel foi selecionado com a obra "A moqueca de Carminha"
Para Fabi, o projeto Grafias Eletrônicas assume a importância de não apenas mapear, mas fomentar a aventura literária. “Além dos processos de democratização da escrita literária, aponto o aumento dessa produção contemporaneamente”, considera. Já para Álamo Pimentel, participante selecionado da cidade de Santa Cruz Cabrália, a iniciativa é uma política pública que não pode ser ignorada.
“Além de democratizar, coloca a comunicação social a serviço do reconhecimento de artistas da palavra como cidadãos e cidadãs que fazem dos seus ofícios, atos políticos de afirmação de suas presenças nos cenários locais e globais.”, afirma Álamo. O educador, pesquisador, poeta e cronista é também professor na UFSB, em Porto Seguro.
Autor da obra “Giramundo”, publicada em 2006 e organizador de diversos saraus literários na cidade de Santa Cruz Cabrália, Álamo conta que a epistolar cidade, criada pela Carta de Pero Vaz de Caminha resguarda valores fantásticos para a cena literária. “Das fantasias e retóricas do descobrimento que conferem o estatuto literário da cidade, há por aqui narrativas cotidianas que marcam as tradições orais presentes no convívio com o lugar.”
É da fantasia do lugar que Álamo se inspira para escrever “A Moqueca de Carminha”. O texto fala de Carminha, assassinada em um confronto com um traficante de drogas em praça pública. Carminha foi uma “operária do sabor”, como conta Álamo, conhecedora do uso da folha da patioba que dava o gostoso memorável em sua moqueca. “A sua morte, de certa forma, pode ser vista como a morte cotidiana de muitas tradições no nosso país”, relata.
Fotos: Arquivo Pessoal