Casa Preta recebe temporada da montagem teatral Holocausto Brasileiro – Prontuário da Razão Degenerada

04/10/2019
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A peça Holocausto Brasileiro – Prontuário da Razão Degenerada é inspirada no livro da jornalista Daniela Arbex, publicado em 2013, pela Geração Editorial, a partir da História do Hospital Colônia Barbacena, em Minas Gerais, considerado como o maior hospício psiquiátrico do Brasil.

A montagem baiana da peça tem dramaturgia e direção de Diego Araújo, em colaboração com Bárbara Pessoa.

O projeto foi contemplado pelo Edital Setorial de Teatro da Fundação Cultural do Estado (Funceb/SecultBa) e será apresentado em doze sessões, de 16 a 31 de outubro, na Casa Preta, no Largo Dois de Julho, de quarta a sábado, às 20h, e domingos, às 19h.

A obra original traz a tona histórias do Hospital Colônia de Barbacena, um hospício onde milhares de pacientes foram internados à força, sem diagnóstico de doença mental, causando a morte de 60 mil pessoas entre 1903 e início dos anos 80.

Afro-perspectiva - Este genocídio, no entanto, não é um caso isolado: o uso da saúde mental como argumento moral para a segregação e o impedimento da vida tem muitos rastros e se mantém cotidiano, abatendo-se principalmente sobre a população negra, que inclusive representava 70% dos internos de Barbacena.

E é com esta afro-perspectiva que a peça se propõe a analisar o manicômio e centros psiquiátricos, debatendo o adoecimento do sistema social, a loucura, o estigma e a psicofobia sob o viés intransigente do racismo.

A peça-ensaio propõe uma espacialidade cênica que mescla variados gêneros: o lúdico, o lírico, o documental, o dramático e o performativo. É uma proposta artístico-científica que busca mostrar que, para além da associação com o nazismo alemão e o terrível holocausto, os genocídios no Brasil têm origem própria: a colonização, a escravidão e o racismo estrutural.

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O projeto foi idealizado pela produtora cultural Gabriela Rocha, sócia da Giro Planejamento Cultural, que assina a realização do espetáculo. Interessada pelos debates sobre loucura e lutas antimanicomiais, Gabriela – que também produziu, em 2012, o monólogo carioca “Estamira – Beira do Mundo”, que documentou a vida e a percepção devastadora sobre o mundo da catadora de lixo Estamira Gomes de Sousa (1941-2011), doente mental crônica – adquiriu os direitos para teatro do livro “Holocausto Brasileiro”.

O elenco conta com a presença de duas atrizes portadoras de transtornos mentais – Helisleide Bomfim, integrante do grupo Os Insênicos, e Yuri Tripodi, que também faz a assistência de direção apresentando um reforço à desconstrução do estigma da loucura. Completando o quarteto em cena, estão Felipe Benevides e Marcia Limma.

A pesquisa do espetáculo realizada pelas artistas-documentaristas é apoiada na bibliografia, diários, entrevistas e áudios produzidos por ela, que iniciou sua investigação com este foco quando se deparou com a reportagem “Hospital Colônia de Barbacena: A Sucursal do Inferno”, da Revista O Cruzeiro, de 13 de maio de 1961, tendo se impressionado com a quantidade de pessoas negras internadas naquela instituição.

Serviço:
Espetáculo Holocausto Brasileiro – Prontuário da Razão Degenerada
Onde: Casa Preta, Rua Areal de Cima, 40, Largo Dois de Julho
Quando: 16 a 31 de outubro de 2019, quarta a sábado, 20h; domingos, 19h
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) Ingressos antecipados: www.sympla.com.br/giroplanejamento

Fotos: Shai Andrade