
A Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBa) abriu as portas da Penitenciária Lemos de Brito e do Conjunto Penal Feminino para as Artes. Integrando a programação da terceira edição do Novembro das Artes Negras, as unidades prisionais tiveram o dia movido pela ação transformadora das artes visuais e da música. Este ano o projeto conta com parceria da Secretaria de Assistência Penitenciária (Seap).
No Conjunto Penal Feminino, a professora Jaqueline Elesbão trabalhou a auto-estima da música preta e periférica, retratando a vivência das internas. A oficina propôs um diálogo entre o corpo que se movimenta, que se expressa, que fala e os limites da liberdade impostos pela própria experiência do cárcere. “É incrível ver o papel da dança nesses espaços. Essas ações contribuem para um despertar da arte nessas mulheres, que precisam ter um direcionamento após cumprirem as penas. Estou realizada com a receptividade e troca de experiências”, comentou Jaqueline Elesbão.
A jovem S.N., de 22 anos, estava ansiosa pra dançar, e quando questionada pela professora sobre qual ritmo gostaria de praticar, foi taxativa em dizer “música que lembre a minha vida lá fora, músicas animadas”. E o seu pedido e das quase 25 internas presentes, foi atendido. O funk e pagode dominaram as 2h de oficina, com a surpresa da troca de experiência nas coreografias, que elas improvisavam e criavam com a oficineira.
De acordo com a coordenadora de Dança da Funceb, Janahina Cavalcante, a parceria entre a Fundação e a Seap é um marco. "É uma ação superimportante para esses corpos que estão enclausurados, mas que, ao participar dessas atividades, podem se sentir livres metaforicamente falando. Toda e qualquer ação voltada para a arte é de uma significação enorme", reforçou.

Já na Penitenciária Lemos de Brito, desde esta segunda-feira (18) acontece a oficina Interativa Narrativas Visuais, com Diego Sei. A atividade vai até amanhã (20), proporcionando uma imersão mediada dos internos ao universo do grafite.
O oficineiro bateu um papo com os internos interessados na linguagem artística, para pensarem juntos na transformação daquele espaço. As portas das celas receberam pinturas e desenhos conforme o desejo dos internos, fazendo ecoar as vozes artísticas que vivem ali.
“A proposta é que cada porta dessas seja um mural, e conforme eles mudem de espaço poderão se sentir em outro ambiente, reafirmando o conceito de transição da arte de rua”, comentou o oficineiro Diego Sei. Para o diretor do Presídio Lemos de Brito, Rogério Lopes, “essas ações contribuem com a humanização nas unidades. Ver internos dedicados em terminar um painel de pintura, por exemplo, é a esperança de um novo olhar para a convivência, além da perspectiva para uma vida lá fora”.
“Eu consegui viajar um pouco enquanto pintava o desenho. Vai ser massa ter um ambiente diferente e saber que eu que realizei essa arte. Essas atividades deveriam ser constantes”, comentou o jovem E.S., ao colorir a parede com as cores de sua escolha. Ainda na tarde desta terça-feira (19), na Unidade Especial Disciplinar (UED) acontece a apresentação poética do encontro de Saraus. Estarão presentes o Sarau Enegrescência, Sarau das Sílabas e Sarau do Jaca.
Confira aqui a programação completa do Novembro das Artes Negras 2019.
Fotos: Carol Garcia/SecomBA
Com informações da Secom/BA