#SeMostraInterior - A alagoinhense Jaci Souza ilustra a capa do Gamboa Nova com energia feminina no mês de dezembro

06/12/2019
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O Se Mostra Interior da Fundação Cultural do Estado da Bahia, chega a sua última edição neste mês de dezembro com a ilustração da alagoinhense Jaci Souza, que estampa a capa do catálogo de programação mensal do Teatro Gamboa Nova, parceira do projeto, com a obra Energia Oxum.

Neste ano, a Funceb selecionou seis obras de artistas visuais do interior do estado que ilustraram a capa de programação do Teatro Gamboa Nova entre os meses de junho e dezembro de 2019. Também foram selecionados seis espetáculos de artes cênicas que se apresentaram no teatro, durante o mesmo período.

“Nunca fui de me expressar por palavras e conseguia colocar o que sonhava, o caos que me atormentava, as viagens loucas da minha cabeça para fora através da arte”, declara Jaci. “O exercício do desenho e da pintura começou desde a infância e eu era incentivada em casa. Tinha como combustível a animação de minha mãe”, conta. 

Além de pintora, Jaci é odontóloga e também trabalha com práticas ayurvédicas e com Yoga. “Aos 17 anos eu tinha que escolher uma profissão, de preferência algo que fosse bem sucedido no mercado. Quase 15 anos depois de minhas escolhas compreendi melhor o tempo e tenho caminhado para ser mais artista”, explica a pintora.  

Transitando entre artes e saúde, Jaci percebeu o elo que liga as duas áreas de atuação: o autocuidado e a cura. “A arte é um caminho do autoconhecimento e também passa a ser um processo terapêutico”, revela a artista. É com esta perspectiva que as obras da alagoinhense versam sobre o feminino e o sagrado. 

Das águas doces de Oxum à potência criativa da mulher

“As águas estão relacionadas com a energia sexual, criativa e da vida”, explica sobre a presença marcante do elemento em sua obra. Na cena pintada uma mulher negra gestante é protegida pela energia de Oxum.

Oxum é cultuada no Candomblé como representante da fertilidade e as das águas doces. Também, a cena apresenta a contradição entre caos e calmaria no processo de gestação. “Trago um turbilhão de água enfurecida que permeia os dois seres e desaguam numa água de rio suave e tranquila”, descreve a artista.  

Para a pintora, o projeto Se Mostra Interior ajuda a combater a disparidade entre as produções da capital e da cidade. “A cultura popular e tradicional vem sendo mais valorizada e resgatada, essas misturas artísticas vêm acontecendo e novas formas de manifestar a arte vão se agregando”, ressalta Jaci.

A artista também salienta que Alagoinhas tem uma cena artística independente muito potente. “Representar a minha cidade nesse contexto pra mim é honra. Afirmar que o meu interior tem cultura sim, e tem artistas maravilhosos, é resistência”, afirma a pintora.

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