#PerfilDasArtes - Produtor de arte expandida, Diego Araúja une artes visuais, cênicas, literárias e o cinema para compor suas obras

02/09/2020
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Aos 16 anos ele começou a experimentar e praticar teatro, mas naquele período ainda trabalhava com artes visuais e plásticas. Logo depois, entrou na Escola de Música da UFBA, através do curso técnico, para estudar instrumento e teoria musical. Depois, tornou-se bacharel em Artes Cênicas, também pela Universidade Federal da Bahia. Diego Araúja produz arte de modo expandido, passando pelas mídias literárias, visuais, cênicas e cinematográficas, exercendo funções de diretor, dramaturgo, roteirista e artista visual.

Diego tem 34 anos, é natural de Salvador, nascido e criado na Península de Itapagipe, localizado na Cidade Baixa, e membro fundador do extinto grupo Teatro Base. "Decidi estudar artes cênicas para juntar todas essas experiências e mídias artísticas, não necessariamente pensando só na arte dramática. Muito embora a Escola de Teatro se dedique essencialmente ao dramático, convergindo todos os elementos artísticos para a potencialização do elemento dramático; não é assim que vejo o fenômeno cênico. Em meu trabalho, há um cruzamento de mídias e autonomias artísticas que bem poderiam atuar isoladamente",conta o artista.

sApós sair da Escola de Teatro, Diego conta que começou a experimentar desejos e motivações de quando ainda estava na escola. “Chamo isso de produção em arte expandida. Trabalho com artes visuais, cênicas, textuais e cinema. Além disso, também faço produção em vídeo. Eu não me limito muito em uma mídia necessariamente”, revela.

“Foi no bairro do Uruguai, que hoje também é conhecido como Alagados, no Espaço Cultural de Alagados, que tive oportunidade. Foi lá onde comecei a produzir artisticamente”, explica.Atualmente,Diego Araúja possui nove anos de carreira, foi integrante-fundador do Teatro Base – Grupo de Pesquisas Sobre o Método da Atriz, entre os anos de 2010 e 2016, atuando como diretor artístico, dramaturgo, produtor e pesquisador. No grupo, dirigiu cinco obras, dentre elas: Arbítrio (2011 – Prêmio Braskem de Teatro da Bahia) e A Bunda de Simone (2014 – Prêmio Braskem de Teatro da Bahia). Como dramaturgo, tem oito peças escritas, dentre elas Sobre os Palhaços na Varanda (Prêmio FAPEX de Teatro – 2010, ETUFBA) e O Sol de Dezembro (2013, ETUFBA. 

“Fundei um grupo Teatro Base, que tinha o foco em teatro contemporâneo. Hoje em dia sigo carreira solo, mas sustento uma plataforma que fundei junto com Laís Machado, não necessariamente um grupo, e sim plataforma, como se fosse um estúdio de nós dois”, completa Diego.

No ano de 2017, fundou com a atriz, performer e pesquisadora Laís Machado, a ÀRÀKÁ – Plataforma de Criação em Arte, espaço transdisciplinar de pesquisa, criação, formação de redes entre artistas negros (nacionais e estrangeiros) e produção em experimental negra. Atualmente, desenvolve pesquisas ligadas à produção de arte feita por artistas negras(os), estéticas híbridas, performances afro-diaspóricas e arte contemporânea" 

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Foto: Laís Machado

"Nesse contexto, destaca-se o processo poético Estética Para Um Não-Tempo, que tem como objetivo instaurar um tempo qualitativo que possibilite a produção de memórias afro-diaspóricas emancipadas; o que chama de Fundamentos Futuros. Este processo teve como primeiro resultado público a obra QUASEILHAS (2018), contemplado pelo Edital Setorial de Teatro, com apoio da Funceb."

Para os futuros artistas, especialmente negras e negros, Diego incentiva a produzir e dar evasão às suas expressões e sensibilidades. “Tenham um respeito pelas suas espontaneidades artísticas e dialoguem com suas influências mais pessoais em suas produções. Principalmente, conheçam quem produziu antes de vocês e quem está produzindo no mesmo tempo de vocês,  e estudem”, estimula o artista.