#CalendárioDasArtes - “Sambas da Bahia: do que vivi, vivi e ouvi – (em) cantos e contos por aí” busca fortalecer a cultura do samba

09/09/2020
d
Foto: Divulgação

“Sambas da Bahia: do que vivi, vivi e ouvi – (em) cantos e contos por aí” é um dos selecionados na categoria Artes Integradas para compor a 8ª edição do Calendário das Artes 2020, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. A proposta premiada na capital baiana objetiva difundir,através de vídeo contado e cantado, experiências e vivências de Rafaela Mustafa, que volta os olhares para patrimônios em manifestações populares baianas.

A proposta se divide em dois vídeos sobre os sambas da Bahia, já disponíveis no canal da Funceb no youtube: "Samba de Roda do Recôncavo: meu miudinho pra cantar”, com participação de Dona Nicinha, Dona Rita da Barquinha, Seu João do Boi e Mestre Jaime do Eco; o segundo “Samba Junino: samba duro pra subir ladeira”, com participação de Augustos Conceição, Alexandre Guedes, Mestre Kiabo e Pokett Nery.  

Os vídeos têm duração de 30 minutos, e estão em formato de bate-papo rimado musical, nos quais Rafaela apresenta suas vivências estudando os sambas da Bahia, trazendo embasamento teórico e contextos históricos,recitando poemas e cordéis, cantando e tocando músicas conhecidas, de domínio público e autorais, inspiradas nas viagens, nos festejos e nas trocas com Mestras e Mestres da cultura popular.

"Aqui vamos tratar de samba de roda do Recôncavo e samba junino. Este projeto é um desejo de continuidade e manutenção dessas manifestações, através da música, da oralidade, da literatura, dos improvisos, para que mais pessoas possam conhecer, dialogar e para ser ponte de trocas de saberes e aprendizados mútuos, é pra tocar o baiano, é pra a gente valorizar o nosso, é para reverenciar os mais velhos em vida e é pra inspirar o povo a fazer andanças pela Bahia, e para dialogar e produzir para/com/e pelo nosso samba", enfatiza a proponente Rafaela Mustafa, de 30 anos, administradora e bacharel interdisciplinar em artes. Atuo como produtora, cantora, compositora e pesquisadora do samba de roda.

Segundo Rafaela, a manutenção dessas manifestações faz-se necessária pois trata-se de ações praticadas por gerações mais velhas, como é o caso do samba de roda do Recôncavo. "São pessoas que fazem parte do grupo de risco da covid-19, não sabemos quando e como vão poder retomar seus postos de sambadeiras e sambadores. Vi no Calendários das Artes a oportunidade de produzir conteúdos audiovisuais, ainda que caseiros, para compartilhar um pouco dos meus encantos com o samba de roda. Acredito muito na importância dos registros audiovisuais para preservação de memórias. O calendário viabilizou e me incentivou a materializar essas produções".

As coreografias que compõem o projeto são: Vazio quadrado (coreografia referente à saudade); Roncó cura (coreografia afro referente ao tema religião);  Aceso-sono (relatos coreográficos retratando a insônia); Devoração (um retrato da ansiedade através da dança); Palavras “panderosas” (alusão à palavra poderosa).

“O samba junino acontece na rua e é feito de gente, com aglomeração, e passando de porta em porta, algo que não sabemos quando e como voltará a acontecer. Poder dialogar sobre essa manifestação neste período, sobretudo em mídias digitais, é fazer com que o movimento se mantenha vivo e traga esse diálogo entre os que começaram e aqueles que querem contribuir com a continuidade do mesmo”, destaca a proponente.

A produção audiovisual está disponível no canal da Funceb no youtube. Inscreva-se e ative as notificações para não perder nenhum vídeo!