11/09/2020
O projeto MA/MONA ebó-performance, de Luiz Marcelo, da cidade de Pilão Arcado, macroterritório3, vai explorar técnicas mistas, utilizando o corpo como suporte e discussão de pautas urgentes. A proposta foi aprovada na 8ª edição do edital Calendário das Artes, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia.
MA/MONA pensa o corpo preto que transita o sertão, de forma a localizar discussões sobre as vivências ancestrais de matrizes africanas na região,pautando o candomblé como elemento que constrói narrativas poéticas capazes de materializar ações e objetos que colaboram com a liberdade desses corpos.
Na performance, as folhas de mamona e a argila aparecem como elementos centrais, numa ação de cura e de proteção de corpos negros eminentemente. A mamona no candomblé é utilizada ora como sacudimentos para espantar o mau olhado, ora como refratário de sustento para o alimento sagrado em rituais nos terreiros,como ocorre nos banquetes oferecidos a Omolu, o Olùbàjè.

O projeto pretende colaborar com o processo de ressignificação do lugar da arte negra brasileira na contemporaneidade, refletindo sobre questões culturais e de identidade, cujo diálogo com a sociedade atual permite dar visibilidades aos questionamentos adormecidos ao longo da história.
Luiz Marcelo lembra que a “contemporaneidade traz à tona um ponto importante para o negro do Brasil: o agravamento da situação de desigualdade racial e a exclusão social na qual a população negra brasileira está submetida. Tornou-se urgente pensar mecanismos e narrativas críticas que contribuam com a construção de políticas públicas efetivas para esse povo, trazendo através da produção de arte, a união e sustento para os nossos irmãos”, destaca o proponente Luiz.
Rito religioso
Os artefatos cerâmicos utilizados nos rituais desses povos nas cidades de Petrolina-PE e Juazeiro-BA refletem, portanto, a poética encontrada nesses ritos religiosos que carregam em si ancestralidades, afetos e significados, uma vez que manipulados em coletividade, transbordam saberes, que pela via da oralidade, são ensinados de geração para geração, permitindo a todos serem coparticipantes do processo e da experiência estética.

Para Luiz Marcelo “o ebó-performance questiona os mecanismos de silenciamentos impostos pelo marco colonizador da branquitude, o saque ao território e a execução do projeto civilizatório que nos amputa o direito de viver”.O vídeo-ebó-performance tem duração estimada entre 20 e 30 minutos. Nesse período, o artista apresenta todo o processo, desde a colheita e preparação das folhas até a cobertura do corpo com dendê, finalizando o ritual.
Luiz Marcelo – Artista visual, ebó performer, apresentou a performance Baba de Quiabo no "Janeiro tem mais Artes" Sesc/Petrolina-PE (2020); "Ounjé – O alimento dos orixás", no Terreiro do SESC Ipiranga/São Paulo-SP (2019);"Narrativas – Drenagem – Caminhos Decoloniais", no Mercado Cultural do Sesc/Petrolina-PE (2019); dentre outras inúmeras performances e instalações que podem ser conferidas na página do instagram @luizmarceloarte.
O projeto MA/MONA está disponível no canal da Funceb no Youtube. Então, segue o canal e ativa as notificações para não perder nenhum vídeo!
Fotos: Divulgação