#CalendárioDasArtes - "MAJU" revela paleta de cores presente na pigmentação da pele de Maria Júlia

15/09/2020
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Partindo do debate da construção social da cor de pele como marcador da racialização dos copos negros, a proposta “MAJU” foi premiada na categoria Artes Visuais do edital Calendário das Artes 2020 - 8ª edição, da Fundação Cultural do Estado da Bahia. A proposta, oriunda da Ilha de Itaparica, é assinada pela artista visual Aislane Nobre, de 30 anos, e apresenta fragmentos de sua pesquisa durante o mestrado em artes visuais, que utiliza o registro fotográfico das cores presentes na pele de sua sobrinha, Maria Júlia.

O videoarte tem direção de Mayara Ferrão e Aislane Nobre, trilha sonora de Mimoso, roteiro de Aislane Nobre e Geancarlos Barbosa, revisão textual de Eduardo Pereira e produção GANA; e apresenta, de forma poética, parte do processo de criação da artista, no qual produz 16 cores de tinta, feitas a partir dos tons identificados na epiderme da sua sobrinha Maria Júlia Nobre da Paixão, a MAJU.

Os registros das cores da pele foram realizados em dois momentos: no dia de seu nascimento e no terceiro mês de vida. "Evidencia-se a modificação cromática da sua epiderme, abrindo caminho para um questionamento sobre a construção social da cor de pele, bem como a relação entre identidade negra e racismo na infância, racismo recreativo, fortalecimento identitário e ancestralidade", revela Aislane.

É a primeira vez que a artista participa do edital, incentivada pelos familiares e amigos. A intenção foi registrar o processo criativo da produção dessas cores para a criação de um videoarte que reúne imagens do processo, das paletas de cores, além da narração de um texto inspirado em Maju, fragmentos do corpo e sua modificação.

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“Essa obra foi elaborada de forma didática e poética para que o público compreenda como são encontradas as cores no corpo e na tinta, mas que também reflitam sobre a construção social da epiderme e em como o racismo estrutural opera no âmbito das subjetividades negras, dando sentido à construção de imagens e representações dos corpos negros, cuja carga semântica pesa sobre os sujeitos de pele retinta”, destaca a artista visual.

Segundo Aislane, o projeto também busca incentivara propagação da arte afro brasileira em experimentações situadas no complexo criativo da arte contemporânea, sendo ainda um vídeo passível de uso em instituições culturais e escolares. "A obra busca fomentar a produção artística negra no contexto de isolamento social, visando suavizar os seus impactos psicológicos, bem como estimular criticamente a criação artística abrindo fronteiras lúdicas para o debate sobre as relações raciais, a construção social da cor de pele e o lugar da comunidade negra na formação social", finaliza a artista.

Visando a arte como caminho viável para o fortalecimento identitário, Aislane tornou-se bacharel em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Atualmente é mestranda em Processo de Criação Artística pelo Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da UFBA, integra o Grupo de Pesquisa Arte Híbrida CNPq, e pesquisa a interferência da cor no debate racial.

A produção está disponível no canal da Funceb no Youtube. Inscreva-se para não perder nenhum vídeo!

Fotos: Divulgação