01/12/2021

Reflexões sobre as políticas públicas voltadas para profissionais das artes negros e negras, compartilhamento de experiências na gestão pública, e depoimentos pessoais de artístas negras marcaram o encerramento da quarta edição do Novembro das Artes Negras da Funceb.
O seminário "Políticas Culturais e as Artes Negras" aconteceu na terça-feira (30) com a presença de gestoras públicas, artistas, comunicadoras e políticas. A secretária de Cultura, Arany Santana, participou através de vídeo e destacou que "esse projeto viabiliza, potencializa e reconhece a produção artística e a luta dos movimentos negros na contemporaneidade. A Funceb tem nessa atual gestão implentado diversas ações de inclusão de artistas, produtores e profissionais negros em seus certames, algo jamais visto nesta instituição".
O seminário "Políticas Culturais e as Artes Negras" aconteceu na terça-feira (30) com a presença de gestoras públicas, artistas, comunicadoras e políticas. A secretária de Cultura, Arany Santana, participou através de vídeo e destacou que "esse projeto viabiliza, potencializa e reconhece a produção artística e a luta dos movimentos negros na contemporaneidade. A Funceb tem nessa atual gestão implentado diversas ações de inclusão de artistas, produtores e profissionais negros em seus certames, algo jamais visto nesta instituição".
A diretora geral da Funceb, Renata Dias, destacou os propósitos desse projeto que acontece desde 2017: "É um esforço coletivo e tem relação com convicções e pensamentos de uma estrutura, e não só de um nicho nesse campo, compreende os sentidos do que a gente faz aqui, para além do que está regimentado. O campo das artes é um campo que alimenta o pensar, o imaginar, é importante que as artes reverberem as diversas subjetividades que compõem essa identidade baiana, brasileira, que é tão problematizada e questionada quando é dita em seus termos essenciais. A gente está trazendo uma discussão que não se refere apenas ao financiamento, ao fomento de projetos de proponentes negros ou negras, mas sobre um pensamento que pretende trazer para acima da política aqueles agentes que são responsáveis e que alimentam esse arcabouço cultural que fala pela Bahia, representa a Bahia, fala pelos baianos, e alimenta o sistema de representação que falam de nós mundo a fora", disse.Através de uma linha do tempo, Renata Dias relatou uma série de ações realizadas desde o início dessa gestão que objetivam promover a inclusão e a promoção de artistas negros e negras nas políticas públicas do estado. Em 2017 foi lançado o Concha Negra, um festival voltado para blocos afros; além do Novembro das Artes Negras. Em 2018 foi lançado o Circuito Luiz Orlando de Exibição Audiovisual, que promove exibição de filmes e ações formativas com mediação cultural; e criada a categoria Ancestralidade e Representação na sétima edição Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger.
Em 2019 foi realizado o Novembro das Artes Negras em parceria com o SEAP para internos do Complexo Penitenciário da Mata Escura; e lançamento do primeiro processo seletivo REDA com adição de cotas raciais, com 50 vagas para a área finalística. Já em 2020, a segunda edição do Concha Negra contou com apresentação, além de blocos afros, de outros gêneros musicais, a partir de uma demanda dos artistas e público. Ano passado também foi aplicada a Lei Aldir Blanc, executada pela Funceb através dos Editais Prêmio Jorge Portugal, e Prêmio de Exibição Audiovisual. Neste ano, em 2021, no Prêmio Pierre Verger, foi incluída uma exposição paralela chamada Homenagem ao Percurso que traz o percurso de pessoas que foram importantes para a trajetória do artista Pierre Verger, como o babalorixá Balbino Daniel de Paula e a fotógrafa Arlete Soares.
A jornalista e presidenta do Instituto Afrolatinas, Jaqueline Fernandes, educadora popular, produtora e gestora cultural, participou do seminário dando ênfase a sua experiência e vivência enquanto subsecretária de Diversidade Cultural, da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal: "uma das marcas que a gente queria deixar na gestão era a participação social, ir com a caravana aos territórios, abrir as portas da secretaria para grupos específicos. Com isso percebemos que precisávamos fazer muito mais, pois muitos desses grupos não tinham residência fixa, como ciganos, circenses, obrigatória para realizar cadastros para editais. O racismo é político e cultural, e tem sido contra nossas culturas desde sempre. Fazer políticas afirmativas é olhar para essa estrutura e desigualdade histórica, é olhar para trás e poder avançar, senão a gente fica fingindo que está todo mundo no mesmo barco, e não está. O exercício diário é de formação, é de comunicação e desburocratização, e aí é muito importante a gente pensar que a desburocratização não gera benefícios só para o campo da cultura negra, mas para todos, para agentes culturais, para a sociedade e para o gestor".
Em 2019 foi realizado o Novembro das Artes Negras em parceria com o SEAP para internos do Complexo Penitenciário da Mata Escura; e lançamento do primeiro processo seletivo REDA com adição de cotas raciais, com 50 vagas para a área finalística. Já em 2020, a segunda edição do Concha Negra contou com apresentação, além de blocos afros, de outros gêneros musicais, a partir de uma demanda dos artistas e público. Ano passado também foi aplicada a Lei Aldir Blanc, executada pela Funceb através dos Editais Prêmio Jorge Portugal, e Prêmio de Exibição Audiovisual. Neste ano, em 2021, no Prêmio Pierre Verger, foi incluída uma exposição paralela chamada Homenagem ao Percurso que traz o percurso de pessoas que foram importantes para a trajetória do artista Pierre Verger, como o babalorixá Balbino Daniel de Paula e a fotógrafa Arlete Soares.
A jornalista e presidenta do Instituto Afrolatinas, Jaqueline Fernandes, educadora popular, produtora e gestora cultural, participou do seminário dando ênfase a sua experiência e vivência enquanto subsecretária de Diversidade Cultural, da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal: "uma das marcas que a gente queria deixar na gestão era a participação social, ir com a caravana aos territórios, abrir as portas da secretaria para grupos específicos. Com isso percebemos que precisávamos fazer muito mais, pois muitos desses grupos não tinham residência fixa, como ciganos, circenses, obrigatória para realizar cadastros para editais. O racismo é político e cultural, e tem sido contra nossas culturas desde sempre. Fazer políticas afirmativas é olhar para essa estrutura e desigualdade histórica, é olhar para trás e poder avançar, senão a gente fica fingindo que está todo mundo no mesmo barco, e não está. O exercício diário é de formação, é de comunicação e desburocratização, e aí é muito importante a gente pensar que a desburocratização não gera benefícios só para o campo da cultura negra, mas para todos, para agentes culturais, para a sociedade e para o gestor".A deputada federal Alice Portugal, participou do seminário através de vídeo, onde afirmou: "não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. Sem dúvida a luta pela igualdade passa pelo fortalecimento de políticas públicas em todas as áreas, mas sobretudo na área cultural, que afirma a nossa identidade negra e multirracial, mas acima de tudo, a identidade dos oprimidos. Esse seminário tem um papel fundamental, a resistência é grande porque a cultura foi transformada na principal inimiga do governo e temos resistido bravamente para que políticas públicas não sejam destruídas".
Depoimentos
Após as colaborações das convidadas, mulheres do campo das artes puderam dar seus depoimentos sobre a importância das ações afirmativas no campo das artes aqui na Bahia. A primeira a falar foi a cineasta, diretora de arte e produtora executiva especializada em animação stop motion, Jamile Coelho, premiada nos editais Prêmio das Artes Jorge Portugal e Prêmio de Exibição Audiovisual. Ela destacou que "não dá mais pra discutir igualdade, precisamos refletir sobre equidade, pois as pessoas saem de pontos diferentes. Eu, como fruto de políticas afirmativas, posso bem lembrar as inúmeras dores que isso me trouxe, por isso penso sempre a partir do lugar que estou. É importante pensar que precisamos nos aquilombar para crescermos como coletivo. Precisamos contar as nossas histórias, pois por muito tempo cineastas baianos brancos beberam da nossa fonte e contaram as nossas histórias. Precisamos falar de nós, por nós e para nós".
Após as colaborações das convidadas, mulheres do campo das artes puderam dar seus depoimentos sobre a importância das ações afirmativas no campo das artes aqui na Bahia. A primeira a falar foi a cineasta, diretora de arte e produtora executiva especializada em animação stop motion, Jamile Coelho, premiada nos editais Prêmio das Artes Jorge Portugal e Prêmio de Exibição Audiovisual. Ela destacou que "não dá mais pra discutir igualdade, precisamos refletir sobre equidade, pois as pessoas saem de pontos diferentes. Eu, como fruto de políticas afirmativas, posso bem lembrar as inúmeras dores que isso me trouxe, por isso penso sempre a partir do lugar que estou. É importante pensar que precisamos nos aquilombar para crescermos como coletivo. Precisamos contar as nossas histórias, pois por muito tempo cineastas baianos brancos beberam da nossa fonte e contaram as nossas histórias. Precisamos falar de nós, por nós e para nós".
Luiza Meireles integra o elenco do Balé Teatro Castro Alves, é fundadora da Associação de Bailarinos e Amigos do Balé Teatro Castro Alves, hoje ocupando o cargo de vice-presidenta, e é mestranda em Dança pela Universidade Federal da Bahia/UFBA. Na ocasião, a artista relatou sua experiência enquanto bailarina: "começo lembrando a falta de mulheres negras nas companhias públicas de dança, que sempre foram muito desejadas pelas pessoas das artes, uma vez que devido ao financiamento público, sempre ofereceu melhores condições de trabalho e remuneração. Sempre me incomodou ser a única ou uma das poucas artistas pretas das companhias que participei. É uma sensação de ver a mulher negra impossibilitada de trabalhar e isso se repete nas artes. Chegou um momento em que eu me senti impelida a cobrar esses debates nas companhias em que eu participei. Como já tinha uma carreira consolidada, trouxe a questão ao BTCA. Foi muito dolorido, mas eu já me sentia segura para enfrentar as brigas, mas as direções desse guarda chuvas do setor público abraçaram o meu debate e conseguimos avançar. Na última audição do BTCA tivemos 3 mulheres negras, parece e é pouco, mas é um avanço, é uma renovação nas possibilidades das artes para mulheres pretas"Por fim, a coordenadora do Núcleo AGO, da Escola de Dança da Funceb, Rose Bárbara, falou sobre o projeto, cujo objetivo central é salvaguardar o legado e a memória das Danças Africanas, Afro-Brasileiras e principalmente as Danças Soteropolitanas. O núcleo foi lançado em novembro de 2017, ele surge a partir das inquietações da professora da Escola de Dança, Roquidélia Santos.
"Inicialmente o projeto estava vinculado aos Cursos livres, em 2019, percebemos a necessidade de compartilhar os estudos e as pesquisas para os estudantes do Curso profissional em Dança, e a cada encontro eram apreciados textos, vídeos, seminários, rodas de conversas e aula prática. Ao longo da jornada tivemos encontros com doutores, mestres e pesquisadores. Entendendo e compreendendo que a pauta do corpo, com seus desdobramentos na contemporaneidade, é uma discussão urgente e necessária, que encontra sua potencialidade na esfera das reflexões e ganha contorno na prática artística desse núcleo enunciado. Nesse sentido, o núcleo AGO, colabora e ajuda no aprofundamento das práticas pedagógicas". Rose Bárbara é mestranda em Dança na Universidade Federal da Bahia e também coordena o Curso Preparatório em Dança da Funceb. Quer assistir na íntegra o Seminário? Clica aqui.