#EditalSetorial - Inscrições aberta para oficina “Corpo em Diáspora” do projeto OJO ODUN

13/04/2022

Icarfd

Corpo. Ancestralidade. Corpo Negro. Corpo Coletivo. Corpo em Diáspora. Corpo intérprete ritual carregado de memórias ancestrais. Corpo contemporâneo expressivo de tradições. Corpo que é voz, corpo signo do ontem, do agora e o que há de ser. Esta breve introdução poética para este release é para significar a obra da bailarina, professora doutora em educação, pesquisadora do corpo em dança e intérprete soprano dramática Inaicyra Falcão, 72 anos, que comemora através do projeto OJO ODUN seus 50 anos de carreira nas danças e nos cantos afrodiaspóricos.

Contemplado pelo Edital Setorial de Dança 2019, OJO ODUN tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia, e inicia sua jornada artística através da oficina “Corpo em Diáspora”, com a artista da dança, antropóloga e educadora Luciane Ramos Silva, que foi orientanda da Inaicyra Falcão em sua tese de doutorado pela Unicamp. A atividade será realizada presencial, assim como todo o projeto, que conta ainda com uma roda de conversa e apresentação do Concerto 3 Tempos, show com Inaicyra Falcão e convidados.

Oficina

Com inscrições abertas no período de 11 a 21 de abril, com formulário disponível no perfil do Instagram do Projeto OJO ODUN (@projetoojoodun), a oficina Corpo em Diáspora ocorre de 27 a 29 de maio, de 10h às 14h, e tem vagas limitadas - 15, ao todo. A proposta pedagógica, de maneira prática e discursiva, é investigar motricidades, estados e movimentos relacionados à percepção de si e dos contextos ao redor, comovendo as pessoas dançantes a engajarem seus corpos para a autonomia crítica e o pulso coletivo. A atividade é aberta a corpos jovens e adultos que queiram mergulhar em memórias ancestrais, para a expansão criativa de movimentos corporais artísticos e cotidianos.

O corpo preto carrega em seus traços e movimentos sua ancestralidade. "Um corpo negro em cena não é um indivíduo, ele é um conjunto de pessoas", diz a encenadora negra Onisajé. Neste caminho, a doutora em artes da cena Luciane Ramos Silva, declara que “em uma dimensão expandida, todo corpo traz em si a ancestralidade. Nas culturas negras ela é valor, cultivo, fundamento. Na oficina Corpo em Diáspora trabalharemos a noção de camadas de história, que de alguma maneira está atravessada pela ancestralidade”, explica.

Esta defesa dela está em consonância com a pesquisa de corpo e ancestralidade de Inaicyra Falcão, a qual traz para o centro da discussão perspectivas que por muito tempo foram ignoradas. “No Corpo e Ancestralidade, as formas de percepção negras ocupam lugar central e seus sujeitos são portadores de discursos próprios, elementos fundamentais para entendermos o que somos e participemos de maneira ampla no mundo”, complementa Luciane, que traz a filosofia em dança da professora e doutora em educação Inaicyra Falcão a sua pesquisa para compreender o contexto histórico e cultural do corpo negro, do corpo enquanto elemento de comunicação e reflexão crítica.

Em sua trajetória com a dança, Luciane Ramon Silva questiona os modelos eurocêntricos hegemônicos da produção de conhecimento em dança, numa busca pela pluralidade e apresenta um pensamento contemporâneo pautado a partir das estéticas e poéticas africanas e afrodiaspóricas, com base em pesquisas de campo em países da África do Oeste (Burkina Faso, Guiné Conacry, Mali e Senegal). Para ela, o corpo preto na dança, ou este corpo que dança, não está desvinculado da ancestralidade que carrega.


SERVIÇO


Projeto OJO ODUN - inscrições para oficina Corpo em Diáspora, com Luciane Ramos Silva
Quando:
11 a 21 de abril
Inscrição:
através de link na BIO do Instagram @projetoojoodun