
O Cinema de Terreiro é um Museu Digital voltado à memória do audiovisual negro no território de Salvador e do recôncavo baiano, a partir da pesquisa de doutorado de Pedro Andrade Caribé. A principal base são as memórias do intelectual militante Luiz Orlando da Silva (1945-2006), devido a sua atuação desde cineclubes (que reuniram milhares de pessoas) até publicações, filmes e formatação de festivais no Brasil e no Exterior. Além de Luiz, o Museu também reconecta processos e trajetórias que tiveram e têm contribuições para a construção deste cinema na produção, distribuição e exibição.
A plataforma, que será lançada na terça-feira, 26 de abril, às 18h no Goethe-Institut Salvador, tem em sua estrutura quatro galerias multimídia com músicas, áudios de entrevistas e dezenas de GIF´s que reconectam memórias esgarçadas nos filmes e documentos a partir do Acervo documental reunido pelo próprio Luiz ao longo de sua vida, digitalizadas e catalogadas pelo Zumví Arquivo Fotográfico, e divididas em 25 categorias. São mais de nove mil imagens de fotografias, folders, artigos e documentos disponíveis para baixar.
A galeria Cinema Negro na Cidade Negra, compõe o museu com uma linha do tempo de oito ciclos com a história da concepção e estruturação secular do cinema negro desde 1897, quando as imagens em movimento encontram um negro africano ou brasileiro. Na galeria Luiz Orlando é contada ancestralidade do seu avô, Teotônio, e sua mãe Risoleta, e os caminhos de Luiz na formação dos movimentos negros, nas universidades e nas Jornadas de Cinema até seu falecimento em 2006.
O quarto espaço disponibilizado é a Web TV com websérie lançada em agosto de 2021, com apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia via Lei Aldir Blanc, em 11 episódios no CULTNE.TV no YouTube com mais de 30 depoimentos que atravessam 70 anos em trajetórias de profissionais negros de diferentes gerações e atuações no campo.
A plataforma ainda traz um blog com textos que remontam a momentos históricos documentados e guardados por Luiz em seu acervo organizadas no e-book, “O relicário de Luiz Orlando: acervo de um militante negro e cineclubista”, que também foi realizado com apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Pedro Calmon via Lei Aldir Blanc.
Além de outras informações do Cinema de Terreiro e de profissionais que cruzam o interesse deste espaço. Trata-se de um museu vivo a partir das memórias de um intelectual chave na formação do cinema negro no Brasil e no mundo. Um espaço técnico-artístico de formação e fomento à pesquisa e produção cinematográfica, como bem fez Luiz Orlando desde fim dos anos 1970.
O museu poderá ser acessado pelos endereços: www.cinemadeterreiro.com / www.cinemadeterreiro.com.br . Também é possível acompanhar novidades no Instagram e no Facebook (@cinemadeterreiro). O evento de lançamento, que também terá transmissão ao vivo pelo canal do Cultne.Tv no Youtube (https://www.youtube.com/c/Cultne), será realizado com apoio do Goethe-Institut Salvador, Zumví Arquivo Afro Fotográfico, Editora Ogums Toques Negros, Cultne.TV e tem classificação indicativa Livre.
A plataforma faz parte do projeto Luiz Orlando: O Cinema Negro na Cidade Negra, contemplado pelo Edital Setorial Audiovisual 2019 e tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia.