#NAN2022 - Dança, música e teatro e dança marcaram segundo dia do Novembro das Artes Negras

23/11/2022

aramimo

Após uma programação voltada para as crianças, no turno matutino, a tarde do segundo dia de apresentações do Novembro das Artes Negras reuniu cerca de 100 pessoas no pátio da nova sede da Funceb (Solar das Rosas). Dança, música e teatro foram as linguagens prestigiadas por quem esteve no evento.
 
Pedindo passagem para a abertura das atividades do turno vespertino, o espetáculo Aramimo, com direção coreográfica de Matheus Ambrozi reuniu 18 estudantes do Curso Profissional da Escola de Dança da Funceb.  As coreografias são resultado de vivências e experiências de mulheres influentes pesquisadas pela turma ao longo deste semestre. "Par de chifres" foi a coreografia apresentada pela turma, representando o momento em que os filhos da orixá Oyá batem a cabeça como pedido de socorro à mãe.
 
O professor Matheus Ambrozi comenta que é importante para os alunos ocuparem esse espaço que também é deles.
 
"A turma está em formação e ter consciência das suas potências é o mais importante para o futuro na dança. Estar aqui é a oportunidade para eles e elas se mostrarem como potência artística, para além da arte, mas de forma que se permitam ocupar todos os espaços que antes lhes foram negado. Estar aqui é também resistir, é conhecer e experimentar outras vivências artísticas", comentou Ambrozi.

aramimo 
Para a artista da dança Inajara Silva, de 19 anos, ver colegas na cena é também uma forma de vitória para a classe artística preta de Salvador.
 
"Eu me vejo em cada artista em cena, pois sei como é grandioso ter espaços para mostrar o que estudamos, ter público valorizando e comentando sobre o que fazemos. Esses espetáculos do Novembro das Artes Negras já fazem parte da programação da classe artística de Salvador e eu amo", disse.
 
O artista visual Ricardo Mendes reitera que "é uma data de grande importância para artistas negros se reconhecerem, se verem na cena e trocarem com outras e outros artistas que com muito suor fazem as artes acontecerem. E o Novembro das Artes Negras reforça esse compromisso com o nosso povo".

 

filarmonica

Em seguida, 40 artistas da Sociedade Filarmônica União Sanfelixta apresentaram músicas que embalaram a tarde. "Escolhemos músicas conhecidas pela maioria dos públicos e que trouxessem mensagens para as pessoas. A banda é formada em sua maioria por pessoas negras, em situação de vulnerabilidade na cidade de São Félix e essas histórias interferem no repertório", disse o maestro André Luiz Rocha.
 
"É com grande satisfação, que entre 185 filarmônicas na Bahia, fomos convidados a abrilhantar um evento tão representativo como o Novembro das Artes Negras. É um momento ímpar, que ficará gravado na nossa história", finalizou.
 
Carla Maia, estava de passagem e foi tocada pela sonoridade da filarmônica; ela lembrou que só via filarmônicas nos desfiles de 2 julho.

"Esse evento é tão grandioso que traz espetáculos que raramente fazem parte da grade de atrações de festas. Ver a harmonia dos músicas, a sintonia e alegria deles, com músicas que deram pra dançar, como a salsa de Célia Cruz é algo que nos faz ganhar o dia", disse.
 
A Sociedade Filarmônica União Sanfelixta atua com uma escolinha de música, atendendo 102 crianças em vulnerabilidade,  em dois bairros do centro da cidade de São Félix e uma escolinha com trabalho social na zona rural, no Quilombo do Santo Antônio e Vidal.


bando 
Poesia & Resistência

O Bando de Teatro Olodum trouxe uma performance cênica sobre as vivências das pessoas pretas, os enfrentamentos de racismo, preconceito e questões que marcam a vivência dos atores e atrizes que desde a década de 1990 usam a arte como protesto.
 
Cláudio Manoel ficou curioso com a movimentação no local e quis saber do que se tratava. O Técnico de Informática curtiu a programação e reforçou a importância das artes para a sociedade.
 
"Foi muito massa quando vi a banda tocando e na sequência um grupo de teatro se apresentando com linguagens que nós conhecemos e sabemos que fazem parte da vida de pessoas pretas, como eu. Muito do que foi apresentado ali é vivido por tanta gente que nem sabe como reagir, e esse evento convida a gente pra pensar também sobre isso", frisou.

afrobapho
 
Literalmente fechando a programação do dia, o Coletivo Afrobapho fez uma performance de dança trazendo referência a artistas pretos e pretas da periferia de Salvador que venceram e estão na luta para as conquistas diárias. Com mais de 10 minutos de pura dança, o grupo trouxe pagode, rap, stilleto e dance boll como protesto dos seus corpos e corpas.
 
 
Confira programação completa da 5ª edição do Novembro das Artes Negras da Funceb.

Fotos: Lucas Malkut