09/02/2023

Recém-nomeada coordenadora de Artes Circenses da Funceb, Laisa Ferreira já atua no setor (antigo Núcleo de Artes Circenses) desde 2015. A artista e gestora cultural é bacharela Interdisciplinar em Artes pela Universidade Federal da Bahia; Especialista em Gestão Pública pela Universidade Educacional da Lapa; e Especialista em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão pela Universidade Instituto Superior de Ensino.
Na Funceb, Laisa atuou nos projetos Mapeamento e Memória do Circo na Bahia, Campanha Valorize o Circo, Empoderamento das Mulheres de Circo, Dia das Artistas: Gênero, Circo e Diversidade, Levantamento dos Circos durante a pandemia de covid-19; além de atuar nas comissões de seleção e/ou acompanhamento dos Editais Setoriais de Circo (2016 e 2019), Calendário das Artes (2020), e Prêmio das Artes Jorge Portugal (2021); sem contar participação externa do prêmio Palhaço Cascudo de Incentivo às Artes Circenses, da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco (2021/22).
Na Funceb, Laisa atuou nos projetos Mapeamento e Memória do Circo na Bahia, Campanha Valorize o Circo, Empoderamento das Mulheres de Circo, Dia das Artistas: Gênero, Circo e Diversidade, Levantamento dos Circos durante a pandemia de covid-19; além de atuar nas comissões de seleção e/ou acompanhamento dos Editais Setoriais de Circo (2016 e 2019), Calendário das Artes (2020), e Prêmio das Artes Jorge Portugal (2021); sem contar participação externa do prêmio Palhaço Cascudo de Incentivo às Artes Circenses, da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco (2021/22).
Agora, a coordenadora propõe uma nova retomada com o retorno do edital de Qualificação no Circo, que já ocorreu em 2012, 2013 e 2014, e busca promover a interlocução entre o Circo Novo, artistas circenses que não vivem sob a lona e geralmente possuem residência fixa, e o Circo Tradicional, artistas circenses itinerantes, possibilitando uma troca de conhecimento.
O edital será lançado no Dia da Circo, na segunda-feira (27), e haverá uma live às 18h30 para apresentar o certame, com a participação de Laisa, da diretora geral da Funceb, Piti Canella, e da Presidenta da Associação de Circo Itinerante da Bahia, Wilma Macedo.
O edital será lançado no Dia da Circo, na segunda-feira (27), e haverá uma live às 18h30 para apresentar o certame, com a participação de Laisa, da diretora geral da Funceb, Piti Canella, e da Presidenta da Associação de Circo Itinerante da Bahia, Wilma Macedo.
Nesta entrevista, a gestora fala das ações da Coordenação de Artes Circenses, das ações do setor, e de que forma os artistas podem acessar os serviços da Funceb e contribuir para a construção de políticas públicas para o Circo. Acompanhe:
FUNCEB - Recentemente o Núcleo de Artes Circenses da Funceb passou a ser reconhecido como Coordenação de Artes Circenses, o que isto representa para o setor?
Laisa Ferreira - Esta é uma grande realização que coroa anos de luta da classe e das gestoras que passaram por aqui. Apesar de ter ganhado status de Coordenação desde 2010, no organograma da Fundação o setor ainda estava atrelado à coordenação de Teatro, e considerá-lo como uma coordenação reforça o reconhecimento do Estado da singularidade do Circo enquanto linguagem artística independente.
FUNCEB - Qual é a sua trajetória enquanto artista, e como foi o caminho trilhado na Funceb?
L. F. - Eu comecei na rua. Ainda adolescente conheci as intervenções urbanas e logo depois o Teatro. Costumava me apresentar nas ruas, nos ônibus, em parques... Quando entro na faculdade de Artes pela interdisciplinaridade do meu curso, começo a passar pela Dança, pela escrita, e foi aí que conheci o Circo e a minha palhaça, a 'Maria Biscoitinho da Silva Goiabada'. Quando entrei na Fundação, como estagiária, fui começando a me apaixonar por esse mundo da gestão, e enquanto estava na assessoria do então Núcleo de Artes Circenses, comecei a fazer cursos de gestão do tempo, gestão de projetos, planejamento estratégico; até que, quando veio a possibilidade de coordenar o setor decidi fazer uma especialização em Gestão Pública. E já coordenadora fiz uma outra especialização em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão, porque é esse tipo de gestão que eu quero ter. O Núcleo sempre teve coordenadoras mulheres, a maioria mulheres pretas, e eu preciso sempre considerar esses marcadores no meu trabalho.
FUNCEB - Como você avalia a arte circense no estado da Bahia atualmente?
L. F. - Nós temos um fazer artístico extremamente rico no estado. Não posso falar do Circo na Bahia sem lembrar que o Circo chega onde a maioria das linguagens artísticas não chegam. Temos artistas com um trabalho extremamente potente, produtores super articulados, técnicos especializados. E temos, sobretudo, uma classe muito bem articulada, que conhece suas necessidades e as cobra do Estado, o que é maravilhoso pra gestão porque nos dá ferramentas de trabalho. O nosso desafio, a razão do nosso trabalho, é dar a estes artistas a estrutura necessária para realizarem o seu.
FUNCEB - De que forma a Coordenação tem atuado junto aos circenses no estado?
L. F. - A principal marca da Coordenação é a abertura. O setor, desde a sua criação, sempre teve um contato direto com os artistas e sempre atuou na intermediação das relações entre os circenses, sobretudo os itinerantes, e os outros órgãos da estrutura do poder público, sempre trazendo a atenção sobre as particularidades do fazer circense e lembrando que é importante que, dentro das possibilidades da legislação, a gestão se adeque às necessidades da classe. E foi nesse sentido que nasceu o Protocolo dos Circos Itinerantes.
FUNCEB - Qual o propósito desta ação?
L. F. - A razão de ser desse projeto é organizar esse trabalho que a Coordenação realiza desde sua criação, em 2007, que é o de intermediar as relações entre os circos itinerantes e os outros órgãos da estrutura do poder público, principalmente nas prefeituras, mas não só. Muitas vezes o gestor municipal não conhece as particularidades do fazer circense e a Coordenação pretende atuar com o Protocolo neste sentido, estabelecendo pontes e oferecendo outras possibilidades de atuação dentro das legislações que se aplicam ao fazer circense.
FUNCEB - Qual a importância da participação dos circenses na construção desse protocolo?
L. F. - De imediato contatar a Coordenação através do Protocolo pode resultar na solução da dificuldade em questão. Mas, a longo prazo, esse Protocolo nos oferece um diagnóstico do setor. Ao olhar para os dados podemos reconhecer as dificuldades mais recorrentes e atuar de forma estruturante, e não apenas interventiva sobre elas.
FUNCEB - Outro instrumento lançado pela Coordenação é o Manual de Instalação de Circos Itinerantes da Bahia, a quem ele é direcionado?
L. F. - O Protocolo e o Manual são projetos que se completam. Enquanto o Protocolo é um formulário direcionado aos circenses, o Manual é um outro formulário direcionado aos gestores municipais de cultura. Através da criação deste Manual, estamos mapeando os procedimentos para a instalação dos circos itinerantes nas prefeituras do estado.
FUNCEB - De que forma o Manual pretende auxiliar os circenses itinerantes?
L. F. - Assim que estiver pronto, esse Manual vai fornecer de fato um passo a passo para o Circo se instalar em qualquer cidade da Bahia, além de nos fornecer um panorama dos procedimentos nos municípios baianos. A longo prazo, pretendemos usar este documento como base e, junto ao poder legislativo, pensaremos numa regulamentação estadual para a instalação dos circos na Bahia.
Laisa Ferreira - Esta é uma grande realização que coroa anos de luta da classe e das gestoras que passaram por aqui. Apesar de ter ganhado status de Coordenação desde 2010, no organograma da Fundação o setor ainda estava atrelado à coordenação de Teatro, e considerá-lo como uma coordenação reforça o reconhecimento do Estado da singularidade do Circo enquanto linguagem artística independente.
FUNCEB - Qual é a sua trajetória enquanto artista, e como foi o caminho trilhado na Funceb?
L. F. - Eu comecei na rua. Ainda adolescente conheci as intervenções urbanas e logo depois o Teatro. Costumava me apresentar nas ruas, nos ônibus, em parques... Quando entro na faculdade de Artes pela interdisciplinaridade do meu curso, começo a passar pela Dança, pela escrita, e foi aí que conheci o Circo e a minha palhaça, a 'Maria Biscoitinho da Silva Goiabada'. Quando entrei na Fundação, como estagiária, fui começando a me apaixonar por esse mundo da gestão, e enquanto estava na assessoria do então Núcleo de Artes Circenses, comecei a fazer cursos de gestão do tempo, gestão de projetos, planejamento estratégico; até que, quando veio a possibilidade de coordenar o setor decidi fazer uma especialização em Gestão Pública. E já coordenadora fiz uma outra especialização em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão, porque é esse tipo de gestão que eu quero ter. O Núcleo sempre teve coordenadoras mulheres, a maioria mulheres pretas, e eu preciso sempre considerar esses marcadores no meu trabalho.
FUNCEB - Como você avalia a arte circense no estado da Bahia atualmente?
L. F. - Nós temos um fazer artístico extremamente rico no estado. Não posso falar do Circo na Bahia sem lembrar que o Circo chega onde a maioria das linguagens artísticas não chegam. Temos artistas com um trabalho extremamente potente, produtores super articulados, técnicos especializados. E temos, sobretudo, uma classe muito bem articulada, que conhece suas necessidades e as cobra do Estado, o que é maravilhoso pra gestão porque nos dá ferramentas de trabalho. O nosso desafio, a razão do nosso trabalho, é dar a estes artistas a estrutura necessária para realizarem o seu.
FUNCEB - De que forma a Coordenação tem atuado junto aos circenses no estado?
L. F. - A principal marca da Coordenação é a abertura. O setor, desde a sua criação, sempre teve um contato direto com os artistas e sempre atuou na intermediação das relações entre os circenses, sobretudo os itinerantes, e os outros órgãos da estrutura do poder público, sempre trazendo a atenção sobre as particularidades do fazer circense e lembrando que é importante que, dentro das possibilidades da legislação, a gestão se adeque às necessidades da classe. E foi nesse sentido que nasceu o Protocolo dos Circos Itinerantes.
FUNCEB - Qual o propósito desta ação?
L. F. - A razão de ser desse projeto é organizar esse trabalho que a Coordenação realiza desde sua criação, em 2007, que é o de intermediar as relações entre os circos itinerantes e os outros órgãos da estrutura do poder público, principalmente nas prefeituras, mas não só. Muitas vezes o gestor municipal não conhece as particularidades do fazer circense e a Coordenação pretende atuar com o Protocolo neste sentido, estabelecendo pontes e oferecendo outras possibilidades de atuação dentro das legislações que se aplicam ao fazer circense.
FUNCEB - Qual a importância da participação dos circenses na construção desse protocolo?
L. F. - De imediato contatar a Coordenação através do Protocolo pode resultar na solução da dificuldade em questão. Mas, a longo prazo, esse Protocolo nos oferece um diagnóstico do setor. Ao olhar para os dados podemos reconhecer as dificuldades mais recorrentes e atuar de forma estruturante, e não apenas interventiva sobre elas.
FUNCEB - Outro instrumento lançado pela Coordenação é o Manual de Instalação de Circos Itinerantes da Bahia, a quem ele é direcionado?
L. F. - O Protocolo e o Manual são projetos que se completam. Enquanto o Protocolo é um formulário direcionado aos circenses, o Manual é um outro formulário direcionado aos gestores municipais de cultura. Através da criação deste Manual, estamos mapeando os procedimentos para a instalação dos circos itinerantes nas prefeituras do estado.
FUNCEB - De que forma o Manual pretende auxiliar os circenses itinerantes?
L. F. - Assim que estiver pronto, esse Manual vai fornecer de fato um passo a passo para o Circo se instalar em qualquer cidade da Bahia, além de nos fornecer um panorama dos procedimentos nos municípios baianos. A longo prazo, pretendemos usar este documento como base e, junto ao poder legislativo, pensaremos numa regulamentação estadual para a instalação dos circos na Bahia.
FUNCEB - O edital de Qualificação no Circo está sendo retomado e busca promover a interlocução entre o Circo Novo em o Circo Tradicional. De que forma essa interligação será benéfica para os circenses?
L.F. - Primeiro eu preciso pontuar que fazemos essa separação apenas de maneira didática, para pontuar as diferenças de vivência. Os artistas itinerantes, em geral, têm uma transmissão de conhecimento mais oral, sua sabedoria e seu conhecimento artístico são inseparáveis do seu fazer diário. Já sobre os artistas desse chamado circo novo, a novidade nele está apenas nessa vivência que é diferente da tradicional itinerância no Circo, e o conhecimento desses artistas geralmente está ligado aos cursos formais em escolas e universidades. O Qualificação, que é sobretudo um projeto de formação, tem como objetivo interligar essas vivências e essas formas de transmitir conhecimento, e sempre pontuando que ambas as formas são importantes e necessárias.
L.F. - Primeiro eu preciso pontuar que fazemos essa separação apenas de maneira didática, para pontuar as diferenças de vivência. Os artistas itinerantes, em geral, têm uma transmissão de conhecimento mais oral, sua sabedoria e seu conhecimento artístico são inseparáveis do seu fazer diário. Já sobre os artistas desse chamado circo novo, a novidade nele está apenas nessa vivência que é diferente da tradicional itinerância no Circo, e o conhecimento desses artistas geralmente está ligado aos cursos formais em escolas e universidades. O Qualificação, que é sobretudo um projeto de formação, tem como objetivo interligar essas vivências e essas formas de transmitir conhecimento, e sempre pontuando que ambas as formas são importantes e necessárias.
FUNCEB - O que mais os artistas podem esperar da Coordenação de Circo da Funceb em 2023?
L. F. - Ainda mais abertura e parceria. Além de temos canais como o Protocolo e o e-mail da coordenação, temos também uma Sede de portas abertas bem no centro da capital. A nova Diretora da Funceb, Piti Canella, já demonstrou que é bastante aberta e sensível às especificidades das artes circenses, e a Coordenação segue como porta de entrada às demandas dos artistas. Também é bom lembrar, além do nosso planejamento interno, teremos neste ano outras execuções, como a Lei Paulo Gustavo, por exemplo, e não só queremos, como precisamos construir editais que reflitam as necessidades atuais dos artistas, e isso só é possível com o diálogo aberto e permanente.
L. F. - Ainda mais abertura e parceria. Além de temos canais como o Protocolo e o e-mail da coordenação, temos também uma Sede de portas abertas bem no centro da capital. A nova Diretora da Funceb, Piti Canella, já demonstrou que é bastante aberta e sensível às especificidades das artes circenses, e a Coordenação segue como porta de entrada às demandas dos artistas. Também é bom lembrar, além do nosso planejamento interno, teremos neste ano outras execuções, como a Lei Paulo Gustavo, por exemplo, e não só queremos, como precisamos construir editais que reflitam as necessidades atuais dos artistas, e isso só é possível com o diálogo aberto e permanente.

Maria Biscoitinho da Silva Goiabada no Novembro das Artes Negras da Funceb (2018)
Fotos: Arquivo Pessoal