08/03/2023

Olívia Barradas
Neste 8 de março, a Fundação Cultural homenageia suas gestoras – mulheres que ocuparam o cargo de Diretora Geral na instituição. Tudo começou com Olívia Barradas, primeira mulher a ocupar esta função, que dirigiu a Funceb de 18/03/1983 a 15/03/1987. Durante sua vida profissional, se dedicou também aos estudos da Literatura de autoria feminina e Literatura brasileira. Ela tem Doutorado em Semiótica e Pós-Doutorado em Teoria Literária, ambos pela EHESS (Paris, França). Foi também professora da Universidade Sorbonne (Paris, França). Para Olívia, a diversidade é fundamental. “As políticas públicas devem atender aos aspectos mais diversos da nossa sociedade. Importantes capítulos da cultura brasileira foram escritos por mulheres, que representam 50% da população. Neste sentido, gestoras nos órgãos de Cultura têm importância fundamental para, sob a perspectiva feminina, garantir esta representatividade”, afirma a ex-gestora.

Gisele Nussbaumer
De 06/01/2007 a 12/03/2011 a Funceb foi dirigida pela pesquisadora e gestora Gisele Nussbaumer. Mestra em Ciências da Comunicação/USP e doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas/UFBA, Gica, como é conhecida, é professora da Faculdade de Comunicação e do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da UFBA, membro do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura e coordenadora do grupo de pesquisa Coletivo Gestão Cultural. “Desde 2007 temos tido mulheres à frente da FUNCEB, o que é importante em termos de representatividade no governo. No entanto, para que a atuação dessas mulheres reverbere em políticas públicas efetivas para as artes, é preciso autonomia, equipe e orçamento, além de espaço para instituir ações e programas estruturantes, que não se limitem ao apoio/execução de eventos e projetos culturais pontuais”, enfatiza.

Nehle Franke
A gestora e produtora cultural Nehle Franke dirigiu a Fundação Cultural de 12/03/2011 a 01/01/2015. Diretora de Teatro, ela assina trabalhos como “Divinas Palavras”, “Roberto Zucco”, “Poder do Hábito” e “Devassa”. Fundadora, ao lado de Ricardo Libório e Felipe de Assis, do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC), Nehle nasceu na Alemanha em 1971 e é radicada no Brasil desde 1994. Tem formação em Kulturwissenschaften – Ciências da Cultura. Para ela, o histórico da instituição reflete a capacidade destas mulheres. “Desde 2007, sob comando de profissionais de variadas experiências no campo cultural, a Funceb vem sendo fundamental para a reformulação e reposicionamento das políticas culturais estaduais, tendo firmado sua função diante das Artes da Bahia e se comprometido com a democratização, ampliação, territorialização e institucionalização de sua atuação. A Funceb se tornou um espaço onde o feminismo alcançou protagonismo, através da presença de gestoras potentes e engajadas com estes princípios”, falou a ex-diretora geral.

Fernanda Tourinho
Formada em Psicologia (UFBA), Fernanda Tourinho foi a 4ª mulher a dirigir a Funceb, de 08/01/2015 a 01/09/2017. Ela iniciou seus trabalhos como produtora cultural nos anos 90, com o Balé Teatro Castro Alves (BTCA), vindo a trabalhar em projetos executivos e de criação de espetáculos de linguagens variadas. Foi gestora do Teatro Jorge Amado e do Espaço Calasans Neto desde sua inauguração até 2014, e em 2018, assumiu a diretoria de Desenvolvimento Institucional do Programa NEOJIBÁ. Para ela é fundamental a presença feminina neste espaço. “Hoje o desafio é avançar, garantindo essa condição a profissionais de qualquer outros gêneros. Com relação às mulheres, não se trata mais de destacar as vantagens que o feminino possa agregar, mas render loas à competência, à inteligência no uso desta distinção que o feminino tem. Servir para uma condução séria, próbida, sensível e criativa da instituição”, afirma Tourinho.

Renata Dias
De 01/09/2017 a 07/01/2023, a Funceb foi dirigida pela Relações Públicas, Renata Dias. Renata é Mestra em Comunicação, Mídia e Formatos Narrativos pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e especialista em Marketing Corporativo. Aos 20 anos de carreira, reúne experiências profissionais no âmbito da comunicação corporativa e da gestão cultural. Na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), coordenou os encontros do Conselho Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT). Colaborou por três anos na Unidade de Assessoria Institucional da sede do SEBRAE em Brasília/DF. Atuou por dez anos na Comunicação Institucional da Petrobás. Atualmente está Superintendente de Promoção Cultural na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, de onde coordena do Sistema Estadual de Fomento e Financiamento da Cultura. “Sabemos que, historicamente, coube ao feminino o papel de cuidar. Daí é que eu penso que nas Artes como em qualquer outro espectro da política pública é a capacidade da mulher de perceber e de sentir que nutre as transformações políticas mais radicais. Salientando que, quando eu uso o termo radical, me refiro a nossa pulsão de tratar os problemas sociais a partir da raiz”, afirma Renata Dias, que está prestes a lançar seu primeiro livro, fruto da sua dissertação de mestrado intitulada “O que é que baiana diz? Enunciações de identidade e memória das baianas de acarajé”, defendida há um ano..

Piti Canella
A produtora cultural Piti Canella é a sexta e atual diretora geral da Fundação Cultural do Estado, tendo iniciado sua gestão em janeiro de 2023. Ela trabalha com arte e música há mais de 25 anos, tem formação em Comunicação Institucional, dirigiu e coordenou grandes eventos no Brasil e turnês internacionais para diversos artistas brasileiros e estrangeiros. A gestora atuou também como gerente de eventos na Arena Fonte Nova, foi produtora master da cerimônia de encerramento das Paralimpíadas no Rio 2016 e lecionou sobre Prática de Eventos como professora convidada na Unijorge e no Núcleo de Administração da Universidade Federal da Bahia. Piti também atuou como assessora especial no gabinete da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. “No terceiro setor e nas artes somos 51% de líderes mulheres. Quando uma mulher conhece a própria potência para realizar, nada fica no mesmo lugar. Lutamos pela força feminina e por valores e princípios, como a sensibilidade social e o respeito à diversidade. Mulheres transformam vidas, guiam, cuidam. E qual o papel da arte nesse mundo? Transformar, embelezar, entreter, mudar a forma como as pessoas enxergam o outro. Misture tudo. Criamos oportunidades, caminhos mais justos e é disso que a política pública para as artes precisa. Essa será a minha busca diária”, diz a atual diretora geral da Funceb.