Dez Filarmônicas desfilaram no 2 de Julho em Salvador

02/07/2023
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Homens, mulheres, jovens e até crianças acompanhadas por seus responsáveis. Esse foi o time de Filarmônicas escalado pela Funceb pro desfile cívico do 2 de julho este ano. Por meio de Chamada Pública, 10 bandas de diferentes municípios baianos participaram do cortejo que começou às 8h da manhã, em Salvador.

Pela manhã, as bandas fizeram o percurso até o Terreiro de Jesus e o público viu passar a Filarmônica Lyra Popular (Belmonte), Filarmônica Terpsícore Popular (Maragojipe), Filarmônica Amantes da Lyra (Santo Antônio de Jesus), Sociedade Filarmônica Lyra Santamarense (Vera Cruz) e a Sociedade Lítero Musical Vinte e Cinco de Dezembro (Irará). Na concentração no Colégio ICEIA, músicos se reencontraram, e se prepararam pra desfilar.

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Com 118 anos, a Filarmônica Amantes da Lyra é regida pelo maestro Elber Bitencourt desde 1994. Esta é a primeira vez que eles participam do edital, mas já estiveram com a Funceb em outros momentos. “Hoje viemos com 25 músicos e depois de alguns anos nós estamos muito felizes de estar aqui, é um pedido constante entre os músicos pra tocar em Salvador e desta vez conseguimos. Acho essa oportunidade muito importante para as Filarmônicas, pois temos cada vez menos espaço pra tocar. Em Santo Antônio de Jesus nós tocamos no aniversário da cidade, no 7 de setembro e na festa do padroeiro, somente.  E isso, acredito, que seja para as outras cidades também. Então o 2 de julho é o momento de reencontrarmos velhos amigos e uma grande oportunidade pra alcançarmos outros públicos”, disse o maestro Elber.

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De Santo Amaro, a Filarmônica Lyra Santamarense completou 80 anos e veio com 41 músicos pro desfile. “Gostamos demais do que fazemos, amamos a música e queremos mostrar nosso trabalho pra toda Bahia. É importante que este edital se amplie pra que tenhamos cada vez mais espaço”, pontuou o presidente, Antônio Miranda.

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Também com 41 músicos, a Filarmônica Terpsícore Popular veio de Maragojipe pro 2 de Julho. “Pra nós é uma oportunidade de grande visibilidade pra mostrar nosso trabalho e a cultura maragogipana, além de podermos abrilhantar esse momento tão importante pra Bahia. Temos muitos jovens aqui pela primeira vez participando desse evento e, pra nós, o valor do prêmio faz com que nós tenhamos mais recursos pra adquirir instrumentos, fardamento e ajudar em nossas atividades no município”, comentou Messias Junior, presidente da Filarmônica.

Tarde

Da Praça Municipal ao Campo Grande, a tarde foi marcada pelo desfile da Filarmônica 2 de Janeiro de Jacobina, a Filarmônica Amigos da Música (Wenceslau Guimarães), a Filarmônica Minerva Cachoeirana (Cachoeira), a Sociedade Filarmônica Lyra Popular (Castro Alves) e a Sociedade Filarmônica Minerva (Morro do Chapéu).

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Orlando Rodrigues, da Sociedade Filarmônica Minerva

Orlando Rodrigues, 76 anos, conhecido como Calango da Caixa, é músico há mais de 30 anos da Sociedade Filarmônica Minerva (Morro do Chapéu), e integrou o desfile cívico 2 de julho pela sétima vez. "É bom demais participar do desfile, me sinto emocionado por estar participando desse marco importante que é o bicentenário", contou emocionado ao relembrar de todas as vezes que veio a Salvador tocar para celebrar a independência do país.

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Já Davi Elias, de 16 anos, participou pela primeira vez do 2 de julho com a Filarmônica 2 de Janeiro de Jacobina. "Sou músico há 8 anos, mas é a primeira vez que venho participar. Me sinto bem lisonjeado por ser um evento muito importante para a Bahia, e para o Brasil também. Quero muito voltar, e pretendo estar aqui no próximo ano", contou Davi que pretende seguir por muitos anos como músico de filarmônica.

"Já tem mais de cinco anos que participo do 2 de julho com a Filarmônica Minerva Cachoeirana, de Cachoeira. É gratificante estar aqui desfilando, é um amor, uma paixão mesmo participar", contou Talita Daltro, de 29 anos, que toca prato na Minerva Cachoeirana.

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Geovani Ribeiro é outro que já perdeu as contas de quantas vezes já participou do desfile 2 de julho. "Tenho 29 anos de idade, comecei na música aos 9 anos, e com 13 já estava desfilando. Celebrar o bicentenário é importantíssimo, é fazer valer a pena a nossa voz, a data em que realmente aconteceu a independência. E fazer isso através da música traz alegria e diverte as pessoas", conta o trombonista da Sociedade Filarmônica Lyra Popular, do município de Castro Alves.

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Juliana Costa aproveitou para levar o seu filho de 2 anos pela primeira vez ao desfile. "Quero que ele participe da tradição desde pequeno, é a primeira vez que ele vem, e quando ele crescer gostaria que ele começasse a tocar numa fanfarra ou banda filarmônica também. É uma celebração nossa, do povo".

Os músicos de filarmônicas são a parte mais pulsante do desfile, das tradicionais músicas marciais, como o Hino ao 2 de Julho, a músicas mais contemporâneas, como "Voa, voa". Crianças, jovens, adultos e idosos fizeram a alegria das pessoas que foram para as ruas acompanhar o cortejo do bicentenário da independência na Bahia.

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Neste ano, a Fundação Cultural do Estado da Bahia dobrou o valor da premiação para R$ 12 mil. A Chamada Pública é realizada pela Funceb há 12 anos, e já contemplou mais de 150 Filarmônicas.

Fotos: Lucas Malkut