31/07/2023
A Fundação Cultural do Estado da Bahia, representada pela sua diretora geral, Piti Canella, integrou a mesa do evento “Espaços Culturais em Diálogo - As Periferias da Cultura e das Artes", promovido pela Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult/SecultBA), através da Diretoria de Espaços Culturais (DEC).
Na ocasião, a diretora geral a presentou a instituição e os esforços para que a política pública chegue em todos os espaços e regiões da cidade, especialmente nas periferias.
“Temos tentado cada vez mais democratizar e simplificar os editais da Funceb. A gente sabe que a política de editais não vai superar a violência e a forma como ela é tratada nas periferias. Ressaltamos que estamos em diálogo e espaço aberto para receber todos na Funceb”, disse Piti Canella.
Dj Branco, produtor cultural, educador, coordenador da Casa do Hip Hop, e idealizador do Evolução Hip Hop, programa na Rádio Educadora desde os anos 2000, fez parte da mesa e destacou: “a gente acredita que a arte tem o poder de transformação, a gente sabe o poder que a arte tem dentro das periferias”.
Ju Lourenço, diretora do grupo coral Vozes do Engenho, contou que o grupo nasceu em 2003, e desde 2005 integra o Cine Teatro Solar Boa Vista. “A arte é subversiva, é reflexiva, social, intelectual e até fisiológica”, destacou a artista.
Rilk MC foi o outro participante da mesa, produtor, rapper, compositor e idealizador do Maloka Cultural, que já existe há 7 anos em Lauro de Freitas, e de um coletivo que existe há 16, além da agência Selo Tríplice, que revela os artistas da comunidade local. “Lauro de Freitas é um lugar que antigamente foi habilitado por quilombolas e indígenas, acreditamos na cultura hip-hop como objeto de transformação da nossa comunidade, buscamos trazer a conscientização e a valorização da mulher, fortalecer a autoestima do nosso povo preto”, contou Rilk.

O coletivo atua com o hip-hop em suas diversas linguagens, como a dança, o grafite e a música.“Inclusive realizamos parcerias com faculdades para promover atendimento médico gratuito para a comunidade. Atendemos mais pessoas do que os três postos de saúde do bairro, juntos”, destacou o artista.
Marcelo Lemos, chefe de gabinete da Secult, esteve presente no diálogo e contou: “estamos reestruturando a cultura, a nossa principal missão hoje é a interiorização da política de cultural, e não apenas chegar nos municípios do interior, mas chegar também nos bairros, nas periferias. Temos um anseio muito grande de escutar as pessoas, estamos na gestão lutando contra a burocratização do próprio estado”, disse o dirigente.
Participação
Após as falas dos convidados da mesa, o diálogo foi aberto ao público geral. O rapper e arte-educador, Carlos Luz, destacou que tem juventude negra, ativa e atuante, para além do genocídio do povo preto.
Jorge Sacramento, conhecido como Jorjão Bafafé, destacou que o Engenho Venho de Brotas é um lugar muito forte, culturalmente falando, minha arte começa na rua, na lama, no terreiro. Anativo, da Cia de Teatro Metamorfose, destacou a necessidade democratização da visibilidade do que está sendo feito nas periferias. “É necessário estarmos no centro”, disse Jorjão. O evento objetiva aproximar as escutas entre a gestão dos espaços artísticos culturais e a comunidade local. Outros diálogos ainda devem ser realizados.
Fotos: Lucas Malkut
Fotos: Lucas Malkut