30/11/2023

Lilica Rocha
Música, dança, literatura, performances, expressões artísticas da capital e do interior do estado marcaram presença na 6ª edição do Novembro das Artes Negras da Funceb. Neste ano, a participação dos artistas aconteceu através de convocatória especial para seleção de expressões artísticas negras. Com o tema “Construindo Narrativas: expressões artísticas negras e suas influências na formação de identidade cultural baiana”, passaram pelo palco da Funceb artistas como Udi Santos, Tiganá Santana, Marcionílio Prado, Brunno de Jesus e a banda KalunduH, além das performances literárias Sarau: De Volta ao Nosso Quilombo e Sarauzinho da Calu.
Na noite de quarta-feira (29), a pequena Lilica Rocha encantou o público com todo o seu talento e maestria em cima do palco, apresentando seu show Black Power Eu Sou. O público ficou maravilhado com a desenvoltura da jovem artista, que cantou músicas como Ain't Got No, I Got Life, de Nina Simoni; 14 de maio, de Lazzo Matumbi; e Lucro, de Baiana System; além de apresentar suas canções autorais do disco “O Sol Reflete”, lançado em 2021, e spoilers do seu novo disco que será lançado em 10 dezembro.
“Gostei muito do espaço, do público, das pessoas. Amei me apresentar aqui, foi incrível o show! Aproveitei para apresentar algumas músicas do meu novo disco, que tem 10 músicas. Hoje eu trouxe um show para abrir as portas para esse novo disco. Gostei muito do público, achei muito animado, algumas pessoas disseram que me ouvem, que assistiram meus videoclipes, foi fantástico, maravilhoso”, disse Lilica Rocha.

Nouve
Em seguida, foi a vez do artista Nouve subir ao palco da Funceb apresentando o seu show Caminhos Abertos. “É a primeira vez que toco aqui na Funceb, mas já acompanho o trabalho da instituição há muitos anos. É um evento muito importante em termos de curadoria, de trazer novos artistas, abre novas possibilidades para artistas que não estão de circuito, então acaba trazendo essa inclusão. Traz também um público totalmente diverso, tem crianças, idosos; começar pela programação, que desde o início está bem diversa. As pessoas veem artistas que ainda não tiveram acesso, tudo isso acaba agregando”, destacou o artista.
Natural do litoral Sul da Bahia, a cantora e compositora Laiô trouxe todo o seu talento apresentando uma nova MPB com estéticas voltadas para mistura de texturas orgânicas e eletrônicas em seu show Arrudeio, representando o encontro entre África e Nordeste.

Laiô
“Participar do Novembro das Artes Negras, para mim, sendo artista do interior, é um lugar muito oportuno pra gente conseguir transversalizar o que acontece por lá, porque o interior é efusivo, muita coisa está acontecendo, a gente tem muitos artistas no interior. Quando a gente tem oportunidades como essa, projetos como esse, que a gente consegue trazer nosso som para capital, consegue furar essa bolha, a gente acaba vendo também novos horizontes no cenário nacional. Acho que é o fortalecimento dessa cadeia cultural para que a gente chegue a outros lugares. E para mim enquanto artista preta, lésbica, do interior, é ainda mais importante porque as portas fechadas são inúmeras. E quando a gente encontra uma porta aberta como essa, que respeita o nosso trabalho, que traz a gente para trocar com tantos artistas incríveis, e pretos também, pra gente conseguir fazer essa movimentação de África, acho importante demais e só agradeço e trago meu trabalho pra somar”, relatou a artista baiana Laiô.
Fechando a programação artística do Novembro das Artes Negras da Funceb – 6ª edição, o Maestro Ubiratan Marques apresentou o show Asè Ensemble com o seu sexteto: Ubiratan Marques - pianos (acústico, elétrico); Rowney Scott - saxofones (soprano, tenor), Alexandre Vieira - contrabaixo acústico, voz; Reinaldo Boaventura – percussão Tâmara Pessôa – voz; Gab Ferruz – voz; e participação especial de Mariella Santiago.

Bira Marques, como é conhecido, é fundador da Orquestra Sinfônica, e apresentou músicas do seu primeiro disco solo. “É muito importante o que está acontecendo no cenário da Bahia, com muitos artistas pretos ganhando projeção para fora do estado. Vemos que estamos caminhando para o lugar certo, a Funceb acerta, dá um passo completamente diferente de outros passos que foram dados. Trago hoje o meu primeiro álbum solo, que acabei de lançar – A Dança do Tempo – e trazemos a participação de uma pessoa muito talentosa, que começou comigo, uma cantora que, na minha opinião, é uma das maiores artistas que a Bahia tem”, destacou o Maestro.
O público pôde aproveitar três dias de shows gratuitos e puderam conhecer de perto as dependências do casarão histórico que abriga a Fundação Cultural.

“Eu conhecia o espaço no Pelourinho, mas aqui nesse casarão é a primeira vez que venho. É uma iniciativa genial, tudo que a gente precisa, de mais espaços, mais eventos que enalteça artistas locais”, disse Ricô.
O artista Freeza também aproveitou para conferir as apresentações de quarta-feira: “É ressignificar os espaços da cidade, que às vezes são só grandes elefantes brancos”.
A 6ª edição do Novembro das Artes Negras da Funceb segue até esta quinta-feira (30) com exibição do filme A Cor do Trabalho (2014), do cineasta Antônio Olavo.
A 6ª edição do Novembro das Artes Negras da Funceb segue até esta quinta-feira (30) com exibição do filme A Cor do Trabalho (2014), do cineasta Antônio Olavo.
Fotos: Lucas Malkut