Roda de Conversa discute epidemiologia e notificação de doença falciforme

16/07/2023

Para ampliar o conhecimento dos aspectos epidemiológicos sobre a doença falciforme (DF) através do estabelecimento da notificação compulsória em todo o país, aconteceu na última sexta-feira (14), na Superintendência de Proteção e Vigilância em Saúde (Suvisa) da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), a Roda de Conversa: Epidemiologia e Notificação na Doença Falciforme. Participaram das discussões Jessidenes Leal, doutorando em Saúde Pública e mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); Roseane Oliveira, membro da Diretoria de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Salvador; Rafael Cunha, da Diretoria de Gestão do Cuidado (DGC/Sesab); Márcia São Pedro, da Diretoria da Vigilância Epidemiológica (DIVEP); Priscila França, coordenadora da Assessoria de Comunicação da Hemoba; Altair Lira, assessor de relações institucionais da Hemoba, e Rívia Barros, superintendente de Vigilância e Proteção da Saúde.

Na roda de conversa, foram apresentados dados sobre a doença falciforme no Brasil e na Bahia, único estado do país onde o diagnóstico desta enfermidade tem notificação compulsória. Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, a cada ano, nascem 3.500 crianças com DF e 200.000 com traço falciforme. No ano passado, segundo pesquisa de Jessidenes Leal, ocorreram 6 óbitos por um milhão de habitantes na Bahia, enquanto em 2021 foram 4 e, em 2020, foram 5. De 2010 a 2023, ocorreram 989 óbitos, uma média de 69.9 por um milhão de habitantes. O número de notificações da DF no período foi 5.283, com 17 mil internações, uma média 12,5 por 10.000 habitantes. Conforme Jessidenes, “informações de boa qualidade sobre a doença falciforme potencializam processos decisórios eficazes nos diversos níveis de gestão da atenção à saúde”, avalia.

Em Salvador, as notificações compulsórias da DF acontecem desde 2009. Conforme dados da Secretaria Municipal da Saúde, apresentados por Roseane Oliveira, desde 2014 foram 2.255 notificações, com média de 94% de pessoas pardas ou pretas. As maiores taxas de mortalidade foram nas faixas etárias de 20 a 29 anos (21.7%) e 30 a 39 anos (20,3%). Para Roseane, “o desafio é que haja notificações de todas as pessoas diagnosticadas com DF para que possam receber o tratamento adequado”. Sobre o atendimento aos pacientes na Bahia, Rafael Cunha falou sobre a Política Estadual de Saúde das Pessoas com Doença Falciforme, que busca fomentar ações que permitam a ampliação do acesso aos meios e serviços de promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde para as pessoas com esta enfermidade através da atenção básica, garantindo o acesso aos diversos níveis de assistência nos municípios.

Ao final do encontro, foram aprovadas as propostas do assessor de relações instituições da Hemoba, Altair Lira, de encaminhar uma solicitação ao Ministério da Saúde para que a notificação compulsória da doença falciforme torne-se obrigatória em todo o país, ampliando a base de dados que ajudará na definição de políticas públicas para o tratamento da enfermidade, e que a Superintendência de Proteção e Vigilância em Saúde da Sesab acompanhe os casos de doença falciforme no estado, antes restrito à Diretoria de Gestão do Cuidado (DGC).

Fonte
Ascom
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