18.12.2009 - Com foco na preservação ambiental e o objetivo de evitar a derrubada de madeira da mata nativa da Mata Atlântica, o eucalipto tem se revelado uma boa opção na produção de diversos produtos. De crescimento rápido e lucro garantido, a madeira vem ganhando a preferência de produtores e consumidores que têm optado por mobiliário ecologicamente correto.
Hoje, para atender essa demanda muitas empresas oferecem uma gama de produtos à base de madeira reflorestada. São telhados, varandas, casas, chuveiros, mesas, pisos entre outros produtos construídos a base dos diversos tipos de eucalipto. Além disso, a madeira é também utilizada para uso rural.
Consciência ecológica – O engenheiro paulista José Vinicius de Mello, que mora em Salvador há 11 anos, expressa sua preocupação ambiental através da construção da sua casa e a postura no trabalho. Ele conta que a casa e todos os projetos desenvolvidos por ele, são construídos com a madeira de eucalipto.
De acordo com José Vinicius, a Dow Química - empresa que ele trabalha - já apresenta a preocupação ambiental. Atualmente, está sendo construída uma defensa marítima (proteção de madeira para evitar o choque entre a embarcação e o atracadouro), na base naval de Aratu, e assim como essa obra na área portuária, antes feitas com madeira de lei, hoje elas são substituídas pela reflorestada com mais de 18 anos de plantio.
Ele chama atenção para a necessidade do trabalho de conscientização dos agricultores sobre a potencialidade do mercado da madeira do eucalipto. “Ainda é pouco explorada em Salvador, a indústria mobiliária é um grande consumidor”, diz.
Segundo ele, muitas construções da Orla da cidade já usam madeira reflorestada. “Os agricultores precisam saber que se plantar, vão ter um retorno produtivo, muita madeira que usamos vem de fora, é um nicho de mercado que precisa ser explorado”, avaliou o engenheiro.
Economicamente viável - Empresa familiar, idealizada pelo engenheiro florestal Humberto Ribon, 63 anos, A Ribon, localizada na estrada do Côco, em Vila de Abrantes é um exemplo de empresa ecologicamente consciente. Há 20 anos, trabalha com a madeira reflorestada. Vinda da fazenda Santa Tereza, de 500 hectares, no município de Araçás, ela é tratada, ganha forma e é vendida há sete anos para Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte.
“Planto pelo lucro, além da preservação do meio ambiente”, expressou Humberto Ribon, que afirma ter começado a plantar na busca de garantir na velhice uma renda extra para somar com a aposentadoria.
Filho de agricultor e de uma região onde o governo sempre incentivou a plantação, o capixaba da cidade de Colatina, diz que aconselha todo mundo a plantar. “Não se pode falar apenas em conservação da natureza com alguém que tem fome, tem que colocar na cabeça do produtor, que ele vai ter lucro, a partir de então, ele vai ter consciência e vai ter a propriedade sustentável”, avaliou Ribon.
Preservação com geração de renda – O Governo do Estado, através da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, no âmbito do reflorestamento, por meio do Programa Agricultor Florestal, hoje presta assistência a 600 agricultores de 21 municípios com o objetivo de garantir uma renda permanente e evitar o desmatamento de florestas.
De acordo com o Superintendente de Políticas Florestais, Conservação e Biodiversidade, SFC/Sema, Marcos Ferreira o plantio de árvores para fins comerciais visa suprir uma demanda crescente dos diversos mercados consumidores de produtos florestais, a exemplo dos setores de construção e mobiliário, lenha de carvão, uso rural entre outras necessidades.
“O programa é de extrema importância, pois oferece a oportunidade tanto de ganho financeiro como também evita o desmatamento das áreas de florestas nativas”, avaliou Ferreira.
Fonte: Ascom/Sema