Projeto Movimento Conexão EA leva cultura para o Centro Cultural Plataforma

09/10/2013

09.10.2013 - A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) promoveu na última terça-feira (08) a segunda edição do projeto Movimento Conexão Educação Ambiental (EA), com a exibição do documentário Janelas do Curuzu, da diretora Isana Pontes, no Centro Cultural Plataforma, em Plataforma. A iniciativa, que reuniu cerca de 50 estudantes do bairro, tem como objetivo transversalizar a educação ambiental ao propor uma conexão com outras formas e expressões e, ao mesmo tempo, estimular e resgatar valores culturais e sociais da sociedade.

De acordo com a diretora da Diretoria de Educação Ambiental para Sustentabilidade (Dieas), da Sema, Zanna Matos, a iniciativa visa conectar a educação ambiental com diversas expressões, seja vídeo, roda de conversa ou expressão cultural. “É importante evidenciar e estimular a reflexão sobre as temáticas socioambientais”, destacou. 

O curta exibido, Janelas do Curuzu, foi um dos três vencedores do edital 17/2009, garantindo assim o financiamento do Instituto de Rádiodifusão da Bahia (Irdeb) e da Secretaria de Cultura (Secult), num concurso que envolveu 44 participantes. O cenário do curtametragem é a Rua do Curuzu, no bairro da Liberdade, em Salvador, tido como o mais negro do Brasil.  A rua é considerada o coração da Liberdade, por sua identidade, sua história e pelo estreitamento das relações com o primeiro bloco afro do país, o Ilê Aiyê.  

"O documentário revela a formação dos seus moradores: valores, autoestima, sonhos e algumas frustrações, por meio de janelas -  literais e simbólicas - usadas no filme como metáforas dos olhos,", explica a diretora, Isana Pontes. "A apropriação da mídia e dos políticos sobre a visibilidade do território apenas no verão, no carnaval e nas eleições também é outro tema debatido na película".

Com direção de fotografia de Gabriel Monteiro e assistência de João Tatu, o filme investe também na questão ambiental urbana e mostra pelos mais diversos planos um problema sem saída: o adensamento dos quase 24 mil habitantes da Rua do Curuzu, numa vizinhança de vielas, ruelas e labirintos, com funções e usos singulares. Por falta de espaços, as casas são construídas em cima das lajes, característica da maioria dos bairros populares de ocupação irregular em Salvador. "Apostei num projeto construtivo, que incorporou ao máximo as interferências da equipe, especialmente do produtor de campo, do diretor de fotografia e do montador. Um filme diverso e multisegmentado como a cultura africana", resume Isana Pontes.

Uma dos mais empolgadas com o curta metragem foi a estudante Leilane Mota, aluna da Escola Municipal André Rebouças, em Plataforma. "Gostei muito do filme, destacar e valorizar a cultura negra, através de um bairro tão representativo quanto o Curuzu", conta. "Foi bonito observar uma realidade que é tão próxima a mim, mas que não é mostrada em outros filmes".

Texto: Ascom/Sema