A partir da próxima semana, o empalhamento de animais vai passar a fazer parte da rotina de Orlando Farias, estagiário do Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, administrado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema). Ele foi um dos 20 participantes do curso de Taxidermia, oferecido pelo Zôo a biólogos, veterinários, técnicos e estagiários da Sema, durante toda a semana.
“Vou praticar o que aprendi nas horas de lazer, estou conhecendo a anatomia dos bichos, até empalhei um macaco – bugio e um sagüi”, revelou Orlando, entusiasmado com as peças produzidas.
De acordo com o ministrante do curso e presidente do Museu de Taxidermia da Sociedade de Zoológicos do Brasil, Galdino João, a técnica do empalhamento de animais consiste em montar ou reproduzir animais, para estudos ou exibições, usando a fixação da pele e a estrutura óssea de animais mortos. “A idéia é reconstituir as características físicas e simular o habitat dos animais, para que eles possam ser utilizados, posteriormente, como ferramentas para a educação ambiental”, afirmou.
O professor explicou que a Taxidermia envolve diferentes técnicas, como a limpeza da pele dos animais para reutilização, a dessecação e a aplicação do formol para conservação, além do estudo da fisiologia e anatomia dos animais.
Os deficientes visuais são uns dos maiores beneficiados pela taxidermização. Através da técnica, eles podem conhecer a estrutura completa de um animal, como a arcada dentária, o pêlo, as penas, patas, bico e os olhos. “Eles têm a sensação de estar tocando num animal vivo, devido à semelhança e perfeição das peças taxidermizadas”, exemplificou.
Para Vinícius Dantas, coordenador técnico do Zôo e participante do curso, a iniciativa é importante, pois contribui para ampliar o conhecimento de diferentes profissionais acerca da Taxidermia. “As técnicas utilizadas no curso são bastante simples. Os cadáveres dos bichos, que antes eram enterrados, passam a ser reutilizados”, opinou.
Segundo Galdino João, não há um tempo médio para a produção das peças. Ele ressaltou que o fator depende do tamanho do animal a ser taxidermizado. “A produção de um animal de grande porte pode durar dias, porém, nossa maior preocupação não é com o tempo, mas com a qualidade da peça a ser produzida”. Segundo Galdino, uma peça taxidermizada pode durar por séculos, desde que haja cuidados básicos com a umidade, traças, fungos, e iluminação.
Durante todo o curso foram produzidos 20 animais empalhados, entre eles o veado-catingueiro, urubu-rei, flamingo, arara vermelha, tamanduá mirim e um jabuti. Todas as peças produzidas vão ficar expostas no museu de animais empalhados do Zôo, que conta com cerca de 60 exemplares em seu acervo.
Investimentos - Além do curso de Taxidermia, o Zôo de Salvador vem promovendo toda sexta-feira, pelo segundo ano consecutivo, o projeto “Sextas Técnicas”, que oferece duas palestras de capacitação profissional a estudantes da Universidade Federal da Bahia e Universidade Salvador.
O parque também está aberto para alunos, professores e pesquisadores de diferentes universidades, que desejem realizar qualquer tipo de produção científica. ”Oferecemos todo o suporte técnico necessário, sempre com o trabalho voltado para a conservação e educação ambiental”, afirmou o coordenador do zôo, Gerson Norberto.
Fonte: Ascom/Sema