15.01.2010 - A Bahia ocupa a terceira posição entre os estados do nordeste em potencial para produzir energia através dos ventos. Com a implantação da energia eólica, o estado vai passar a ter uma matriz energética limpa, renovável e segura, além de agregar valores ligados aos compromissos com o desenvolvimento sustentável e garantia do abastecimento e atração de recursos.
“O Governo tem apostado na diversificação da matriz energética e na ampliação da participação da energia renovável como uma forma alternativa de produção de energia elétrica”, expressou o secretário do Meio Ambiente do Estado Juliano Matos.
Matos disse ainda que a utilização de energia eólica ocupa um importante papel de complementar as formas convencionais de geração em regiões onde existe a disponibilidade de aproveitamento da energia dos ventos.
A região nordeste tem o maior potencial do país para produção deste tipo de energia. Segundo o Atlas Eólico, o território baiano detém 10% do potencial nacional e 19,3% da Região Nordeste, correspondente a 14.500MW, se inserindo como localização privilegiada para a implantação de Parques Eólicos.
De acordo com o doutor em energia e consultor da Sema no Fórum Baiano de Mudanças Climáticas Neilton Fidelis a ampliação da participação da energia eólica, bem como qualquer outra fonte renovável, tem como obstáculos a formação estrutural do sistema socioeconômico, resultado da centralização da produção de energia com base nas tecnologias convencionais (carvão, petróleo, gás natural e energia nuclear) de forma mais evidente na estrutura mundial de geração de eletricidade.
Fidelis explica ainda, que como resultado se tem a formação de um mercado elétrico predominantemente dependente dos combustíveis fósseis, sob o qual a tecnologia eólio-elétrica não pode ainda competir sem que se garanta, mais uma vez, a participação do Estado como agente capaz de equacionar os diversos interesses da sociedade no que se refere à garantia de um abastecimento elétrico sobre uma base sustentável de recursos.
A definição da matriz energética é competência do poder Federal. Como atribuição do Estado, cabe a tarefa de criar políticas públicas e a elaboração de diálogos com o objetivo de fomentar a inserção de fontes de energia limpa.
Ações do CEPRAM – Em 2009, a energia eólica foi tema tratado com prioridade no Conselho Estadual do Meio Ambiente. Geração de energia através de fontes mais limpas foi assunto debatido em diversas plenárias. Além disso, foram aprovadas quatro licenças de localização para empreendimentos geradores de energia eólica, e no âmbito de políticas públicas criada a Câmara Técnica de Energia, com a finalidade de debater fontes mais limpas de energia.
Bahia na COP15 - Adriana Diniz, coordenadora do Fórum Baiano de Mudanças Climáticas informou que o Brasil em Copenhagen - COP15, declarou de forma voluntária o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Para isto, tem que investir na diversificação da matriz energética podendo até alcançar a liderança mundial em energia renovável.
O país aprovou a Política Nacional sobre Mudança do Clima, lançou o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, e a Bahia mostra que está alinhada com o assunto e também se coloca na linha de frente do processo no momento em que elaborou a Política Estadual de Mudanças Climáticas, a qual será votada ainda nesse semestre de 2010.
Como forma de debater fontes de energia limpa, o Fórum Baiano de Mudanças Climáticas em parceria com o Greenpeace, realizou o seminário sobre energias renováveis. Na ocasião foi apresentado o potencial de energias renováveis do nordeste e a oferta e demanda de energia no estado. “A Bahia com certeza contribuirá para implantação dessa energia e redução de emissões de gases de efeito estufa”, declarou Adriana Diniz.
Leilão de Fontes Eólicas - Pela primeira vez o Brasil promove um leilão de reserva para negociação exclusiva desse tipo de energia, obtida a partir do vento. Com a iniciativa, o Brasil reforça o perfil de geração de energia a partir de fontes renováveis, que atualmente respondem por 85,4% da oferta interna de energia elétrica. Realizado em 14 dezembro de 2009, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), vinculada ao Ministério de Minas e Energia-MME. duas empresas baianas foram contempladas - a Desenvix e Renova.
A Bahia foi beneficiada com 18 projetos, tendo o Governo do Estado assinado Protocolo de Intenção com as empresas cadastradas, com a finalidade de conceder incentivos fiscais e apoio logístico. De acordo com Silvano Ragno superintendente de Energia e Comunicação do Estado (Supec- Seinfra), quando se iniciar a fase de operação, os parques eólicos irão acrescentar 390MW de energia limpa e renovável à oferta estadual.
Primeiro Fórum Baiano de Energia Eólica - Realizado pela Secretaria de Infraestrutura, através da Superintendência de Energia - coordenação de energias renováveis, o Fórum buscou fomentar a geração de energia limpa no estado. Com o apoio Sowitec, - empresa cuja principal atividade é a produção de energia renovável - o evento teve importância por consolidar os aspectos de sustentabilidade de energia eólica, além de despertar a necessidade de implantação de fábricas de aerogeradores.
Através do encontro foi assinado o protocolo de intenção entre Estado e a empresa Alstom do Brasil, que tem o objetivo de concluir a implantação da primeira unidade industrial de turbinas eólicas no Brasil, localizada na Bahia até o início de 2011.
Fonte: Ascom/Sema